A estudante da Universidade de Granada estava em intercâmbio académico no estado mexicano de Morelos. O Ministério Público investiga a morte com base no protocolo de feminicídio.
Uma estudante espanhola de 21 anos que fazia um intercâmbio universitário no México foi assassinada em Cuautla, no estado de Morelos, no centro do país. A procuradoria estadual investiga o crime, numa primeira fase, como feminicídio.
A vítima foi identificada pela Universidade Autónoma do Estado de Morelos (UAEM) como Claudia Tacoronte Aguilera, estudante da Universidade de Granada que se encontrava no México ao abrigo de um programa de intercâmbio académico.
Segundo a universidade, e como confirmou também o procurador de Morelos, Fernando Blumenkron, os factos ocorreram na noite de sábado, 12 de setembro, na Casa da Cultura de Cuautla, um município situado a cerca de 100 quilómetros a sul da Cidade do México.
A procuradoria não detalhou publicamente as circunstâncias exatas do crime. No entanto, segundo informações de meios de comunicação locais, a jovem terá sido vítima de um alegado assalto e ataque com arma branca nas imediações da Casa da Cultura.
A estudante tinha-se deslocado à zona por ocasião da Festa Nacional da Planta Medicinal e, após ficar ferida, terá pedido ajuda aos presentes. Morreu antes de os serviços de emergência a conseguirem socorrer, de acordo com as mesmas fontes.
Procuradoria investiga possível feminicídio
A procuradoria de Morelos abriu a investigação ao abrigo do protocolo de feminicídio, aplicado inicialmente às mortes violentas de mulheres enquanto se determina se existiram motivos de género. As autoridades não afastam, para já, nenhuma linha de investigação.
“Ontem recebemos esta notícia tão lamentável sobre uma jovem espanhola, e já temos conhecimento de que é dessa nacionalidade”, declarou Blumenkron a meios de comunicação locais, sem avançar mais pormenores sobre as circunstâncias do homicídio.
A jovem estava há aproximadamente um mês em intercâmbio na UAEM, segundo a instituição, que manifestou a sua “profunda indignação” pelo crime e apresentou as suas condolências à família e aos amigos de Claudia, bem como à Universidade de Granada, ao Governo e à sociedade espanhola.
A universidade mexicana instou a Procuradoria-Geral do Estado de Morelos e as restantes autoridades competentes a conduzirem uma investigação “imediata, exaustiva e com estrita perspetiva de género”, de forma a garantir que haja justiça e evitar a impunidade. Pediu também que se evitem especulações e conteúdos que possam ferir a dignidade e a privacidade da vítima e da família.
Contacto com o Consulado de Espanha
A governadora de Morelos, Margarita González Saravia, assegurou que as autoridades estaduais estão em contacto com o Consulado de Espanha no México para prestar apoio e acompanhamento à família.
“De imediato, a procuradoria estabeleceu contacto com o Consulado de Espanha”, explicou também o procurador de Morelos. A UAEM ativou os seus protocolos e mantém abertos os canais de comunicação com os familiares através da Universidade de Granada e das autoridades consulares espanholas.
México regista cerca de 10 homicídios de mulheres por dia, dos quais apenas um quarto é investigado como feminicídio, segundo dados oficiais e de organizações não-governamentais.