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Ar condicionado salva milhares de vidas todos os anos nos Estados Unidos

Um trabalhador instala um novo aparelho de ar condicionado num dia de verão quente em Belgrado, Sérvia, em 30 de junho de 2026.
Trabalhador instala novo aparelho de ar condicionado num dia de verão quente em Belgrado, Sérvia, 30 de junho de 2026 Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press/Darko Vojinovic. All rights reserved
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De Giedre Peseckyte
Publicado a Últimas notícias
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Ar condicionado doméstico evita mais de 5.000 mortes associadas ao calor por ano só nos Estados Unidos, indica um novo estudo.

Com o aumento das temperaturas e o impacto na saúde humana, o ar condicionado em casa é hoje mais do que uma questão de conforto. Um estudo recente, publicado na segunda-feira na revista Nature Health, conclui que também salva milhares de vidas.

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Nos Estados Unidos evitam-se mais de 5.260 mortes relacionadas com o calor por ano, reduzindo em mais de metade a mortalidade atribuída ao calor, segundo um novo estudo da Escola de Saúde Pública de Yale e da Escola de Ambiente de Yale.

“Todos concordam que o ar condicionado funciona, mas saber que funciona para uma pessoa não é o mesmo que saber quantas mortes evita em toda a população”, afirmou Kai Chen, autor sénior do estudo e professor associado de epidemiologia na Escola de Saúde Pública de Yale, num comunicado de imprensa.

Mas, segundo o estudo, pôr o ar condicionado no máximo não se traduz necessariamente em mais vidas salvas. O arrefecimento máximo não oferece benefícios adicionais para a saúde face a uma utilização média, o que sublinha a necessidade de equilibrar as vantagens do ar condicionado para a saúde com os custos ambientais de um uso excessivo, incluindo maior consumo de energia e emissões de gases com efeito de estufa.

Baixos rendimentos e calor

Os investigadores analisaram quase 30 milhões de registos de óbitos entre 2010 e 2020, associando cada morte à temperatura diária no condado onde ocorreu. Compararam depois esses padrões com estimativas de consumo de eletricidade doméstica para arrefecimento em cada condado.

Centraram-se na utilização efetiva de arrefecimento e não apenas na posse de aparelhos de ar condicionado. Saber se um agregado familiar tem um aparelho diz pouco sobre se os residentes têm capacidade financeira para o ligar, ou com que frequência o fazem, explicou Chen.

As conclusões ajudam a perceber como os agregados de baixos rendimentos lidam com o calor extremo, afirmou Narasimha Rao, coautor do estudo e professor de sistemas energéticos na Escola de Ambiente de Yale.

“Enquanto alguns optam por ligar os seus aparelhos de ar condicionado, outros fazem a escolha desconfortável de suportar o calor para poupar dinheiro para a comida”, disse Rao.

Além disso, as conclusões podem ter implicações na política de habitação, afirmou Robert Dubrow, coautor do estudo e diretor fundador do Yale Center on Climate Change and Health.

“Os senhorios nos Estados Unidos são obrigados a garantir aquecimento no inverno e o nosso estudo vem reforçar um conjunto consistente de trabalhos que indica que também deveriam ser obrigados a garantir arrefecimento no verão”, disse Dubrow.

O estudo surge numa altura em que, do outro lado do Atlântico, na Europa, a questão do ar condicionado se tornou um tema de disputa política. Políticos franceses traçaram linhas de batalha ideológicas em torno do ar condicionado, numa altura em que a Europa enfrenta temperaturas recorde superiores a 40 ºC.

Entretanto, a Comissão Europeia defende uma abordagem “holística” que combine tecnologias de arrefecimento passivo e eficiente. Em vez de incentivar a instalação massiva de aparelhos de ar condicionado, Bruxelas quer que a Europa dê prioridade a edifícios e cidades mais frescos através do desenho, do isolamento e de medidas passivas, recorrendo a ar condicionado eficiente onde ele seja realmente necessário.

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