Moscovo exige a Espanha provas da sua alegada implicação na crise migratória de Ceuta, depois de Pedro Sánchez ter apontado redes ligadas à Rússia e a Israel por difundirem desinformação sobre a chegada em massa de imigrantes.
A Rússia exigiu a Espanha provas que sustentem as acusações sobre a sua alegada implicação na crise migratória de Ceuta. Moscovo nega ter participado numa campanha de desinformação ligada à chegada em massa de migrantes à cidade autónoma no final de julho.
A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, reagiu esta terça-feira às declarações do presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, que tinha apontado a atividade de redes ligadas à Rússia e a Israel na difusão de conteúdos enganadores sobre a política migratória espanhola.
Zakharova afirmou que acusações deste tipo têm de ser sustentadas por informação verificável e pediu a Espanha dados concretos que comprovem a alegada participação russa.
A responsável da diplomacia acrescentou que o governo espanhol ainda não apresentou a Moscovo qualquer informação que comprove essas acusações e lembrou que existem canais diplomáticos para comunicar acusações relacionadas com eventuais ciberataques ou outras atividades hostis.
Rússia e Israel respondem a Espanha pela crise migratória em Ceuta
A resposta de Moscovo surge depois de Sánchez ter afirmado que redes ligadas à Rússia e a Israel participaram na propagação de desinformação ligada à crise migratória de Ceuta.
O primeiro-ministro espanhol relacionou essa atividade com a posição internacional do seu executivo face à guerra na Ucrânia e ao conflito em Gaza. Sánchez sustentou, por outro lado, que a informação dos serviços de segurança e de informações espanhóis não aponta para uma participação das autoridades marroquinas na chegada em massa de migrantes.
Israel também rejeitou as acusações do governo espanhol. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Sa’ar, acusou Sánchez de “mentir” ao responsabilizar redes ligadas a Israel pela difusão de informação enganadora sobre os acontecimentos em Ceuta.
Mais de 72.000 migrantes atravessaram irregularmente de Marrocos para Ceuta entre 30 e 31 de julho, segundo dados divulgados pelo governo espanhol. A chegada sem precedentes desencadeou uma grave crise humanitária e política na cidade autónoma e gerou preocupação na União Europeia.
Antes dessas travessias circularam amplamente nas redes sociais mensagens falsas que garantiam ser possível entrar livremente em Ceuta ou que quem chegasse ao território espanhol poderia permanecer em Espanha. As autoridades espanholas apontaram a desinformação sobre Ceuta como um dos fatores que contribuíram para o movimento massivo de pessoas em direção à fronteira.