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Afeganistão: "Uma derrota enorme e uma traição terrível"

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Historiador e professor na universidade de Oxford, Timothy Garton Ash comentou os desenvolvimentos no Afeganistão, em entrevista à Euronews, e manifestou-se sobre a questão da autonomia estratégica da União Europeia

Uma missão de duas décadas - com tropas americanas e europeias - desmoronou-se numa questão de dias quando as forças dos EUA se retiraram do Afeganistão.

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Para o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, esta "derrota" é também uma oportunidade para construir uma força europeia de reação rápida.

Mas como é que a história julgará as ações do Ocidente? Em entrevista à Euronews, o historiador britânico Timothy Garton Ash, disse que, neste caso, é difícil encontrar elementos positivos.

"É uma derrota enorme e uma traição terrível para todas as pessoas a quem dissemos que podiam ter uma vida livre e igual, particularmente para as mulheres e as meninas. É uma traição terrível. É uma derrota. E os terroristas estão a voltar. Sim, isto tem que ser dito. Dois biliões de dólares foram pelo ralo. É muito difícil ver as vantagens desta história", referiu o professor da universidade de Oxford.

À procura do melhor entre o pior cenário, a União Europeia estabeleceu condições para se "relacionar operacionalmente" com os talibãs. Mais do que um reconhecimento, trata-se de uma forma possível de colaboração. Até porque todo cuidado é pouco.

"O governo talibã será julgado com base em ações e não com base em promessas que fizeram até agora. O relacionamento com os talibãs basear-se-á no que fizerem em termos de ações", sublinhou a  porta-voz comissão Europeia, Nabila Massrali.

Considerando que a União Europeia é um dos maiores doadores de ajuda para o desenvolvimento e apoio internacional, enviar ajuda para o Afeganistão será difícil.

Bruxelas está refém de manter boas relações com os talibãs, o que torna tudo mais difícil considerando que várias embaixadas fecharam portas no Afeganistão.

A este propósito, Timothy Garton Ash insistiu que o Ocidente perdeu credibilidade "de forma tremenda." 

O professor britânico acrescentou: "As embaixadas dos EUA, britânica, alemã e francesa estão fechadas. As embaixadas russa e chinesa continuam abertas. Será preciso dizer mais alguma coisa?"

Ash considera que a situação no Afeganistão deve servir para a União Europeia pensar de forma mais séria sobre autonomia estratégica: "De uma forma curiosa, o Presidente Joe Biden defendeu aquilo que todos os europeus falam, nomeadamente a autonomia estratégica e a soberania europeia. Mas o curioso é que a maioria dos líderes europeus reagiu falando sobre refugiados e receio de uma nova crise migratória, em vez de dizerem o que deveriam dizer, que é a necessidade de maior autonomia estratégica. Houve 2500 soldados americanos a estabilizar o Afeganistão. França e a Grã-Bretanha contam com 10 mil soldados e uma força de reação rápida. Por que é que não tivemos uma conversa europeia sobre o que poderíamos ter feito a respeito disto?"

A pouco e pouco, ainda que timidamente, alguns líderes europeus começam a assimilar a necessidade de maior independência dos EUA. Mas passar à prática será o mais complicado.

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