A porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, apelou ao LFI para que excluísse o deputado do seu grupo parlamentar, sobre o qual a pressão é cada vez maior.
Entre as onze pessoas detidas na sequência da morte do ativista de extrema-direita Quentin Deranque, encontra-se um segundo assistente do deputado Raphaël Arnault, do partido La France Insoumise (LFI), segundo informou o procurador de Lyon à Franceinfo. A notícia já tinha sido avançada pela AFP e o Le Parisien.
Segundo a AFP, o indivíduo é suspeito de estar diretamente envolvido nos actos de violência. De acordo com a mesma fonte, um dos colegas do deputado é suspeito de ter ajudado o seu antigo estagiário a fugir à polícia.
Um total de 11 pessoas já foram detidas, incluindo um outro assistente parlamentar do deputado "rebelde". No dia anterior, Raphaël Arnault tinha anunciado que estava a tomar medidas para rescindir o contrato do trabalhador.
Quentin Deranque, de 23 anos, morreu na semana passada depois de ter sido atacado por vários homens encapuzados à margem de uma conferência dada pela eurodeputada do LFI, Rima Hassan, na Sciences Po Lyon, onde tinha ido fazer a segurança dos ativistas do coletivo de identidade Némésis.
O deputado Raphaël Arnault é o fundador do grupo antifascista "La Jeune Garde", que foi dissolvido em junho de 2025 e está no centro das suspeitas no âmbito do inquérito sobre o assassinato de Quentin Deranque.
LFI na defensiva
Na quarta-feira, citada pela Franceinfo, a porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, pediu a exclusão de Raphaël Arnault do grupo parlamantar do LFI na Assembleia Nacional. O presidente do Rassemblement national, Jordan Bardella, declarou na Europe 1 e na CNews que Raphaël Arnault deviademitir-se-
Em contrapartida, Manuel Bompard, coordenador do LFI, afirmou no X que o deputado não estava "preocupado com a atual investigação".
Os ataques também vieram da esquerda francesa.
O eurodeputado Raphaël Glucksmann (Place Publique) e o antigo presidente socialista François Hollande afirmaram que já não podia haver uma aliança com o LFI.
O LFI viu-se na defensiva, com a líder dos seus deputados, Mathilde Panot, a denunciar o que chamou de "instrumentalização" do assassinato de Quentin Deranque, ao mesmo tempo que tentava distanciar-se do grupo antifascista.
O partido afirma ainda que estas acusações estão a dar origem a ameaças.
Na quarta-feira, em Paris, a sede nacional do movimento teve de ser evacuada por breves instantes após uma ameaça de bomba. Vários candidatos às próximas eleições municipais afirmam ter sido violentamente atacados, tanto no terreno como online.