Nos últimos 40 anos, para além das mortes causadas pelos islamitas e pelos separatistas, morreram 53 pessoas devido à violência ideológica, das quais 5 pela ultra-esquerda e 48 pela ultra-direita, sublinhou um politólogo.
Quase uma semana após a violenta rixa que provocou a morte do ativista de extrema-direita e identitário Quentin Deranque, foram detidas onze pessoas, seis das quais são suspeitas de terem participado diretamente nos atos de violência.
Entre as pessoas detidas encontra-se um colaborador do deputado Raphaël Arnault, do partido La France Insoumise (LFI), que rapidamente declarou ter iniciado "procedimentos para rescindir o seu contrato".
"Tal como indicado numa declaração do seu advogado, o meu colaborador Jacques-Elie Favrot cessou todas as atividades parlamentares", escreveu ainda, assegurando que a investigação "terá de determinar os responsáveis."
O ativista nacionalista de 23 anos morreu com um traumatismo craniano no sábado, 14 de fevereiro, depois de ter sido violentamente atacado em Lyon, na quinta-feira, quando interrompeu uma conferência da eurodeputada Rima Hassan.
O grupo identitário Némésis, que afirma lutar contra a violência contra as mulheres ocidentais, informou que Quentin fazia parte da equipa de segurança responsável por garantir a segurança dos manifestantes que interrompiam uma conferência de Rima Hassan no Instituto de Estudos Políticos. Uma versão negada pelo advogado da família do ativista da Action française, um movimento monárquico extremista.
Le Canard enchaîné (fonte em francês) publicou um vídeo do confronto violento entre as duas partes que precedeu o espancamento do militante de extrema-direita, que "mostra que os dois grupos tinham efetivamente vindo para lutar", escreve o semanário satírico.
LFI sob ataque de todos os lados
Desde o anúncio da morte de Quentin Deranque, o partido La France insoumise tem sido atacada por toda a classe política.
O ministro do Ensino Superior, Philippe Baptiste, anunciou que, a partir de agora, não haverá mais reuniões nas universidades se houver um risco comprovado de perturbação da ordem pública.
Mathilde Panot, presidente parlamentar do grupo Insoumis na Assembleia, denunciou uma decisão que considera ser uma instrumentalização da morte do ativista nacionalista. "Isto significa que, por detrás disso, bastará aos grupos de extrema-direita que, em cada uma das nossas manifestações, em cada uma das nossas reuniões, em cada uma das nossas conferências, exercerão pressão para que, depois, todos os nossos eventos sejam cancelados", disse, "e lembro-vos, também aí, que cabe ao governo tomar medidas para garantir condições democráticas para o debate político".
Esta quarta-feira, no France info (fonte em francês), a porta-voz do governo, Maud Bregeon, apelou à exclusão do deputado Raphaël Arnault do seu grupo na Assembleia Nacional: "O LFI deve limpar as suas fileiras e eu apelo à presidente Mathilde Panot para que exclua Raphaël Arnault do seu grupo, ou pelo menos que o exclua temporariamente para marcar esta clarificação, para dizer não à violência", assegurou.
" O LFI não honrou os seus compromissos [...] considero que a relação com o LFI terminou, está interrompida", insistiu na BFMTV (fonte em francês).
No entanto, o partido fundado por Jean-Luc Mélenchon não hesitou em condenar o ataque que provocou a morte de Quentin Deranque: "Tudo foi manipulado, arranjado para que parecesse uma espécie de expedição do serviço de ordenança do LFI para caçar um pobre infeliz. A morte não tem lugar nas nossas práticas nem nas nossas fileiras. Já disse dezenas de vezes que somos hostis e contrários à violência", reiterou.
Desde sexta-feira à noite, vários escritórios de militantes e eleitos do LFI, nomeadamente em Lille, Metz, Castres, Bordéus e Rouen, foram atacados de diversas formas.
Na quarta-feira, a sede do partido em Paris foi "evacuada na sequência de uma ameaça de bomba", declarou Manuel Bompart, coordenador do movimento.
Em 40 anos, a ultradireita foi responsável pela morte de 48 pessoas
Os deputados guardaram um minuto de silêncio na tarde de terça-feira, na Assembleia Nacional francesa, em memória do ativista nacionalista, e no próximo sábado terá lugar em Lyon uma marcha em sua honra.
Sébastien Lecornu, que afirmou não querer "antecipar o resultado da investigação e minar a presunção de inocência, apelou ao partido La France insoumise para que limpe as suas fileiras."
No hemiciclo, instou todos os partidos a rejeitarem a violência política: "Ou lutamos e rejeitamos a violência, ou não lutamos contra ela. Não há dois pesos e duas medidas. Basicamente, não há dois pesos e duas medidas. Isto aplica-se a toda a gente, a todas as pessoas", afirmou.
Ao programa 28 minutos do canal de televisão Arte(fonte em francês), o politólogo Xavier Crettiez salientou que, nos últimos 40 anos, "para além das mortes causadas por islamistas e separatistas, morreram 53 pessoas devido à violência ideológica, cinco da ultra-esquerda e 48 da ultra-direita. A violência é menos intensa do que nos anos 60 e 30_",_ afirmou.