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"Global Gateway": a resposta europeia aos planos de expansão da China

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De  Euronews
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"Global Gateway": a resposta europeia aos planos de expansão da China
Direitos de autor  Dati Bendo/ EU/Dati Bendo

A resposta europeia à iniciativa de expansão chinesa conhecida como a "Nova Rota da Seda" (One Belt One Road) tem um preço: 300 mil milhões de euros.

É esse montante que Bruxelas quer mobilizar em investimentos públicos e privados até 2027.

O objetivo da estratégia "Global Gateway", apresentada esta quarta-feira pela Comissão Europeia, é oferecer uma alternativa a necessidades de infraestrutura de países em desenvolvimento, por exemplo.

Mas há condições. Os beneficiários terão de aderir "ao Estado de Direito, a padrões de direitos humanos, sociais e dos trabalhadores e respeitar as normas de regras e padrões internacionais de propriedade intelectual", de acordo com o executivo comunitário.

"Eles sabem que somos transparentes. Sabem que vem tudo acompanhado de boa governança. Sabem que não haverá lugar a dívidas insustentáveis (...) que as comunidades locais realmente beneficiam do valor acrescentado do investimento em infraestrutura. Além disso trazemos o setor privado connosco - um setor privado ausente na China, como tal. Então, é uma verdadeira alternativa", sublinhou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Bruxelas quer fomentar ligações "mais inteligentes, limpas e seguras no digital, energia, transportes, no reforço da saúde, educação e em sistemas de investigação em todo o mundo."

O executivo comunitário acrescenta que a estratégia, que não menciona diretamente a China, "é um modelo para como a Europa pode criar ligações mais resilientes com o mundo."

Oferece ainda "financiamento em condições justas e favoráveis, a fim de limitar o risco de sobre-endividamento", promovendo o desenvolvimento sustentável, argumenta a Comissão Europeia.

Bruxelas vs. Pequim

Anunciada em 2013 pelo presidente da República Popular da China, Xi Jinping, a chamada "Nova Rota da Seda" (One Belt One Road) é um ambicioso plano global de projetos de infraestrutura.

Para muitos países Ocidentais trata-se de um instrumento para Pequim expandir a esfera de influência. 

Vozes críticas têm argumentado que o plano empurrou vários países para níveis insustentáveis de dívida.

Apesar de Bruxelas entrar em jogo tarde, há quem entenda que o anúncio já tem impacto na China.

"Diria que até mesmo a discussão em torno da estratégia 'Global Gateway' já teve um efeito na China. Se as pessoas ouvirem atentamente o que se está a dizer a partir Pequim, percebem que de repente Xi Jinping fala sobre projetos de qualidade: isso é novo. De repente, fala sobre sustentabilidade: isso é novo. O fato de a China agora estar de acordo com esses critérios já é um efeito positivo que estamos a ter e, nesse sentido, vejo com bons olhos qualquer competição", ressalvou o eurodeputado alemão Reinhard Bütikofer, do grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia, que preside, igualmente, a delegação do Parlamento Europeu para as Relações com a China.

A Comissão Europeia não deu exemplos concretos de projetos para investimento, mas disse que cabos de dados subaquáticos que conectam continentes e ligações de transporte podem ser possíveis.