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Manifestação nacional na Bélgica contra estagnação salarial e inflação

Manifestação nacional na Bélgica contra estagnação salarial e inflação
Direitos de autor Euronews
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De  Pedro Sacadura
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Milhares de belgas saíram às ruas de Bruxelas em protesto convocado por sindicatos FGTB e CSC. Também reclamaram liberdades sindicais

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Para muitos belgas, a vida está cada vez mais difícil. Tão difícil que nem as baixas temperaturas os demoveram de defender, nas ruas de Bruxelas, a necessidade de mudança.

Milhares de manifestantes responderam, esta segunda-feira, à convocatória do sindicato socialista FGTB (Federação Geral do Trabalho da Bélgica) e do sindicato cristão CSC para participar numa jornada nacional de protesto.

De forma ruidosa, queixaram-se dos salários - que dizem estar estagnados por causa de uma lei polémica que bloqueia o aumento dos mesmos - da inflação crescente, que esvazia cada vez mais bolsos e asfixia o **poder de compra, **e da subida galopante da fatura da energia.

"Todos os dias tenho de escolher entre pôr combustível para ir trabalhar, alimentar a minha família ou aquecê-la, principalmente durante o inverno. Participo [deste protesto] porque precisamos de liberdade sindical, de negociar, de fazer as coisas avançar. As pessoas estão prestes a morrer por causa da precariedade, porque está tudo a aumentar, tirando os salários", lamentou Abigail Urban, uma manifestante do setor das limpezas com quatro filhos.

Mais respeito pelos direitos sindicais

Durante a marcha sindical, os manifestantes também criticaram a criminalização de ações sindicais por parte da justiça belga.

"Estamos exasperados com os ataques às liberdades sindicais na Bélgica. 17 sindicalistas foram condenados pela justiça belga por causa de ações sindicais. Estamos realmente mobilizados contra estes ataques", sublinhou Hillal Soro, manifestante afiliado no sindicato FGTB.

Entre os sindicalistas condenados está Thierry Bodson, presidente da Federação Geral do Trabalho da Bélgica (FGTB).

Bodson foi condenado por bloquear, a 19 de outubro de 2015, a circulação na autoestrada E40, em ambas as direções em Cheratte, na província de Liége.

"Atualmente, o simples facto de participar de um piquete de greve ou de bloquear a circulação é suficiente, de acordo com o Código Penal, para condenar uma pessoa, nomeadamente a prisão com pena suspensa", referiu o presidente da FGTB em entrevista à Euronews.

Sob o olhar atento da polícia, o protesto juntou profissionais de diferentes setores, incluindo os dos transportes públicos, que sofreram paralisações parciais.

O número de participantes foi limitado, por causa das restrições relacionadas com a pandemia de Covid-19.

A polícia fala em três mil manifestantes contra os seis mil enumerados pela organização.

A Federação de Empresas da Bélgica (FEB) classificou os protestos de "totalmente irresponsáveis", numa altura em que está a progredir uma nova vaga da pandemia.

"A paragem do país com ações e manifestações só serve para complicar a retoma económica e não ajuda ninguém", ressalvou ainda a FEB em reação à manifestação sindical nacional.

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