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Estado da União: Von der Leyen uniu destinos de UE e Ucrânia

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De  Stefan Grobe
Ursula von der Leyen visitou a Ucrânia logo depois do discurso que versou muito sobre o tema
Ursula von der Leyen visitou a Ucrânia logo depois do discurso que versou muito sobre o tema   -   Direitos de autor  Jean-Francois Badias/Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved

Grande parte do discurso de Ursula von der Leyen sobre o Estado da União Europeia, na quarta-feira, em Estrasburgo (França), foi sobre a guerra na Ucrânia, e a presidente da Comissão Europeia propôs medidas de emergência para enfrentar a crise energética, incluindo um imposto sobre lucros inesperados de algumas empresas de energia e, ainda, metas vinculativas para reduzir o consumo.

"Esta não é apenas uma guerra desencadeada pela Rússia contra a Ucrânia. Esta é também uma guerra contra a nossa energia, a nossa economia, os nossos valores e uma guerra contra o nosso futuro. É sobre autocracia contra a democracia. Estou aqui com a convicção de que, com a coragem e a solidariedade necessárias, Putin fracassará e a Ucrânia e a Europa prevalecerão", disse a chefe do executivo europeu.

Para não haver dúvidas de que a União Europeia e a Ucrânia cerraram fileiras, esteve presente no hemiciclo a primeira-dama da Ucrânia, Olena Zelenska. Em mensagem por vídeo, o presidente Volodymyr Zelensky realçou que presença da esposa em Estrasburgo foi um prenúncio de relações ainda mais próximas no futuro.

“Pela primeira vez na história da União Europeia, um estado que não é membro esteve representado numa sessão especial do Parlamento Europeu para o discurso anual sobre o Estado da União. É o nosso Estado, apesar de ainda estarmos de fora. Estamos a trabalhar para a adesão plena - politicamente, juridicamente, simbolicamente", enfatizou.

Para analisar o discurso de Ursula von der Leyen, a euronews entrevistou Jacob Kirkegaard, analista sénior no Instituto Peterson para Economia International e no centro de estudos German Marshall Fund.

Stefan Grobe/euronews: Muito já foi escrito sobre o discurso de Ursula von der Leyen antes mesmo de ela o pronunciar. Houve algo que o surpreendeu?

Jacob Kirkegaard/analista: Na verdade, não. Quer dizer, penso que claramente começou a potencial campanha para um segundo mandato, o que obviamente requer a aprovação do Parlamento Europeu. Disse muitas coisas para agradar os eurodeputados aos quais se dirigia. Uma das coisas óbvias foi a ideia de fazer alterações ao tratado o constitucional. Houve palavras duras tanto para a Polónia quanto para a Hungria e, obviamente, uma promoção muito forte do trabalho da Comissão sobre a Ucrânia. Sao temas que assentaram muito bem aos parlamentares.

Stefan Grobe/euronews: Esta foi a primeira vez que von der Leyen fez o discurso do Estado da União Europeia enquanto Presidente da Comissão em tempos de guerra. Pensa que transmitiu aos cidadãos uma espécie de sentido de resistência, ao estilo de Churchill, uma prontidão para fazer sacrifícios?

Jacob Kirkegaard/analista: Penso que ela transmitiu um certo sentido de urgência e, muito claramente, o firme apoio da UE à Ucrânia. Mas ela não o fez - e certamente não é sua tarefa, na minha opinião - de forma direta para os eleitores europeus, para a população. Ela não expôs a necessidade de a população fazer sacrifícios, ter de baixar a temperatura das casas, tomar banhos mais curtos, etc. Ela mencionou, é claro, as dificuldades que se aproximam num sentido abstrato. Obviamente que o pacote de medidas de emergência energética ainda não está finalizado.

Stefan Grobe/euronews: A presidente disse que a guerra na Ucrânia também é uma guerra contra nós, a nossa energia, economia e valores. Isso ressoou nas pessoas?

Jacob Kirkegaard/analista: Sim, penso que sim. Se virmos as sondagens de opinião junto dos eleitores europeus, há claramente, em quase todos os países, um apoio firme ao contínuo apoio económico e militar à Ucrânia. Isso foi basicamente o que ela transmitiu. Mesmo diante da perspectiva de preços de energia mais altos e mais dificuldades económicas para o cidadão europeu médio, a vontade de apoiar a Ucrânia ainda se mantém. Penso que ela transmitiu isso muito, da melhor maneira que poderia um líder europeu sem um mandato atribuído por eleição direta dos eleitores europeus.