Incidente nos gasodutos realça vulnerabilidade das infraestruturas europeias

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De  Sandor Zsiros  & Stefan Grobe & Isabel Marques da Silva
Gás que subiu à superfície depois do derrame no gasoduto North Stream
Gás que subiu à superfície depois do derrame no gasoduto North Stream   -   Direitos de autor  Danish Defence Command via AP   -  

A marinha que vigia o Mar Báltico está em alerta máximo após o incidente com os gasodutos North Stream, que levam gás da Rússia para a Europa.

Há indícios de de ter sido uma operação de sabotagem no local que fica junto à Suécia e à Dinamarca, o que realçou a vulnerabilidade de infraestruturas críticas para a Europa.

É urgente dissuadir futuros ataques, disse, à euronews, Julian Pawlak, investigador do Instituto Alemão de Estudos Estratégicos e de Defesa: "Relativamente às infraestruturas críticas e ao que pode ser feito pelas marinhas europeias, por exemplo, há que reforçar a presença, mostrar que estão ativas junto a essas infra-estruturas, bem como nas vias marítimas mais importantes". 

"Um exemplo recente foi a decisão das autoridades norueguesas. Tornar a presença mais notória resulta numa espécie de dissuasão para os agentes estrangeiros", acrescentou.

Diretiva de Infraestruturas Críticas

Outras infraestruturas cruciais que devem ser protegidas numa guerra híbrida são as redes de telecomunicações, incluindoi os cabos submarinos, os meios para o fornecimento de alimentos e água, os transportes públicos, as centrais e redes eléctricas, os sistemas de operações financeiras figitais.

A União Europeia criou a Diretiva de Infraestruturas Críticas, que dá orientações aos Estados-membros para avaliar os riscos a nível nacional. A cada quatro anos são feitos relatórios de avaliação para corrigir as eventuais vulnerabilidades.

Com a invasão da Ucrânia pela Rússia pode ter chegado o momento de ser mais proativo, avisa um eurodeputadoda região báltica.

"Deviam ter escutado os nossos avisos de que o gasoduto Nord Stream era uma má ideia, porque aumentaria a influência russa na Europa, mas diziam que estavamos errados", explicou Urmas Paet, um liberal estónio.

"Deviam, também, ter prestado atenção à nossa experiência de apostar, desde 2008, na ciber-segurança, que é muito importante, verdeiramente crítica, para se estar preparado. Os ciberataques são um parte óbvia dos conflitos da atualidade. Penso que o terceiro elemento é não ficar surpreendido com o que pode vir daqui para a frente", concluiu.

Nenhum dos dois gasodutos estava a ser utilizado no momento das explosões que terão provocado as fugas. Contudo, todo o gás armazenado está a escapar para o mar desde segunda-feira.

Além de causar prejuízos económicos e criar riscos à navegação (porque pode haver ignição do gás), são relevantes, ainda, os danos ambientais devido à emissão de gases poluentes.