Como uma aplicação croata ajuda a prevenir as cheias

Como uma aplicação croata ajuda a prevenir as cheias
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De  Aurora Velez

Inundações como a que devastou o sudeste da Europa em 2014 podem agora ser mais facilmente evitadas.

Como antecipar e gerir melhor o risco de inundações? Mijo Jelec monitoriza o rio Sava, que passa pelo seu motel em Odzak, no norte da Bósnia-Herzegovina. Tem fotografias e memórias vívidas das inundações de maio de 2014. Na altura, não recebeu qualquer aviso das cheias.

"Em 2014, a água estava a 2,60 metros de altura deste degrau, e faltavam 4 a 5 cm para chegar ao segundo andar. Veio tão rapidamente que não podíamos prever ou fazer nada ou ajudar-nos a nós próprios. Eu apenas vim, tirei o barco, pus-me no barco e parti", conta.

Para gerir os riscos e facilitar a protecção em caso de inundações como a que ocorreu há oito anos no sudeste da Europa, causando a fuga de dez mil pessoas e mais de 60 mortos, uma empresa croata desenvolveu uma plataforma integrada com informação em tempo real: GDi Ensemble FloodSmart

Davorin Singer, líder do projeto, explica em Sarajevo que a ferramenta analisa grandes dados e propõe ações e modelação 3D, úteis para instituições, equipas de salvamento e cidadãos: "Recolhe toda a informação dos hidrólogos sobre fluxos, sobre áreas de inundação e disponibiliza-a àqueles que têm de tomar decisões para que possam escolher de acordo com as diferentes situações e para prevenir riscos e danos das inundações", diz.

O projeto GDi Ensemble FloodSmart tem um orçamento total equivalente a 1,2 milhões de euro,s dos quais cerca de metade é financiada pela política de coesão da União Europeia e o restante pela própria empresa croata.

Desde 2014, a área de Odzak sofreu novas inundações, mas não da mesma forma. A estação de bombagem em Zorice tem agora 5 máquinas capazes de evacuar 9 metros cúbicos de água por segundo para evitar a inundação de áreas agrícolas ou habitadas. Os modelos de comunicação e previsão, como os GDi, são essenciais, de acordo com Boris Zelic, gestor regional de proteção contra cheias.

"Em 2014, não sabíamos isso. Ao obter os dados corretos a tempo, temos uma reação muito mais rápida. Temos menos stress e temos uma aplicação mais adequada das defesas contra as cheias", explica.

A plataforma propõe soluções e ações para enfrentar o risco de inundações e inundações fluviais, antes, durante e após a ocorrência.