A presidente da Comissão Europeia apelou a garantias de segurança "abrangentes" para a Ucrânia, capazes de dissuadir futuras agressões russas.
A União Europeia tem de se rearmar "urgentemente" e ajudar a Ucrânia a transformar-se num "porco-espinho de aço" que se revele "indigesto para futuros invasores" como a Rússia, disse Ursula von der Leyen no final de uma cimeira de alto nível em Londres, na qual participaram 19 líderes ocidentais.
"Temos de colocar a Ucrânia numa posição de força", disse a presidente da Comissão Europeia aos jornalistas reunidos no exterior da Lancaster House.
O país deve ter "os meios para se fortificar e fortalecer" e garantir a sua "sobrevivência económica e resiliência militar" a curto e longo prazo.
Estes meios, explicou, devem incluir o apoio financeiro e militar contínuo dos aliados e garantias de segurança "abrangentes" para salvaguardar um potencial acordo de paz com a Rússia. Ursula von der Leyen não deu pormenores sobre as garantias de segurança.
Paralelamente a este esforço, acrescentou, o bloco deve desencadear um "aumento" das despesas com a defesa para fazer face aos desafios de segurança colocados pela agressão da Rússia.
"Temos de aumentar muito as despesas", afirmou von der Leyen. "É agora da maior importância aumentar o investimento na defesa durante um período de tempo prolongado. É para a segurança da União Europeia. E precisamos (...) de nos preparar para o pior".
Espera-se que o chefe da Comissão apresente um novo plano a 6 de março, data de uma cimeira de emergência da UE em Bruxelas, para aumentar drasticamente as despesas com a defesa nos 27 Estados-membros. O plano consistirá em três pilares, disse no início desta semana: a flexibilização das regras fiscais para permitir um maior financiamento público, a mobilização de fundos comuns da UE e uma maior participação do Banco Europeu de Investimento.
"Temos de rearmar a Europa com urgência", afirmou.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o vice-presidente, JD Vance, repreenderam publicamente Volodymyr Zelenskyy, pela sua suposta falta de gratidão. Zelenskyy, no entanto, agradeceu repetidamente aos Estados Unidos pela sua ajuda substancial durante a guerra.
Zelenskyy queixou-se de que o acordo multibilionário sobre minerais proposto pela administração Trump, desprovido de garantias de segurança, não seria capaz de dissuadir Vladimir Putin de lançar um novo ataque no futuro.
O confronto levou ao cancelamento abrupto da visita de Zelenskyy à Casa Branca e despoletou uma intensa reação em toda a Europa, com chefes de Estado e de governo a falarem em quase uníssono para expressar um forte apoio ao líder do tempo de guerra.
As cenas, sem precedentes, que aconteceram na Sala Oval, pairaram sobre a cimeira de Londres.
Questionada sobre o tipo de mensagem que gostaria de transmitir a Trump, a presidente da Comissão Europeia manteve-se simples e direta.
"Estamos prontos, juntamente consigo, para defender a democracia, para defender o princípio de que existe um Estado de direito, que não se pode invadir (e) intimidar o vizinho ou não se pode alterar as fronteiras pela força", disse von der Leyen. "É do nosso interesse comum evitar guerras futuras", reforçou.