O secretário-geral da NATO reconheceu o mérito do presidente dos EUA, Donald Trump, por pressionar os aliados europeus a gastar mais dinheiro no setor da defesa.
"Donald Trump é muito importante para a NATO e está muito comprometido com a NATO", afirmou o secretário-geral Mark Rutte em declarações no Parlamento Europeu na segunda-feira, numa altura em que muitos eurodeputados se mostram preocupados com a retórica agressiva do presidente dos Estados Unidos contra a Europa.
Enquanto as ameaças de Trump para controlar a Gronelândia foram definidas como "o fim da NATO" pela primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, Rutte disse acreditar que o presidente dos EUA "merece ser defendido" e "está a fazer muitas coisas boas" pela aliança da NATO.
"Os 2% [meta de gastos do PIB em defesa] alcançados por todos os países da NATO no final de 2025 nunca teriam acontecido sem Trump", disse Rutte às comissões de Segurança e Defesa e Relações Exteriores do Parlamento.
"Acham mesmo que Espanha, Itália, Bélgica e Canadá teriam decidido passar de 1,5% para 2% sem o presidente Trump? Nem pensar! Acham mesmo que teríamos chegado ao compromisso de 5% [meta de gastos com defesa] sem o presidente Trump? Nem pensar!", argumentou Rutte.
O secretário-geral disse que elogia Trump quando o presidente dos EUA faz "coisas boas" e que nem se importa que o presidente dos EUA publique mensagens de texto pessoais - uma referência a uma troca de mensagens que foi divulgada, na qual Rutte descreveu o bombardeamento de Trump sobre o Irão como "decisivo" e "extraordinário".
Rutte está convencido de que a Europa depende fundamentalmente do apoio dos EUA em matéria de segurança e não mediu palavras ao reiterar este facto perante os eurodeputados reunidos.
"Se alguém aqui pensa que a União Europeia pode defender-se sem os EUA, continue a sonhar. Se os países europeus quisessem defender-se sozinhos, teriam de investir 10% do seu PIB para construir a sua própria capacidade de armamento nuclear, o que custaria milhares de milhões de euros."
"Nesse cenário, perderiam o principal garante da nossa liberdade, que é o escudo nuclear dos EUA. Por isso, boa sorte!"
O fator Gronelândia
Alguns eurodeputados elogiaram Rutte por ter ajudado a diminuir a tensão entre os EUA e a UE em relação à Gronelândia, na semana passada, mas também pediram mais informações sobre o acordo que Rutte estabeleceu com Trump sobre o futuro da ilha ártica.
Rutte não forneceu pormenores específicos, mas explicou que foram acordadas duas linhas de trabalho com a administração de Trump. A primeira prevê que a NATO assuma mais responsabilidades na defesa da região do Ártico para "impedir que os russos e os chineses tenham mais acesso" à região, enquanto a segunda envolve um diálogo direto entre os EUA e os líderes da Dinamarca e da Gronelândia.
As conversações já estão em curso, mas Rutte não está mandatado para intervir nas mesmas.
Rutte abordou ainda outros temas, nomeadamente a guerra na Ucrânia. Elogiou a UE por ter conseguido um empréstimo de 90 mil milhões de euros para Kiev, mas instou o Parlamento Europeu a ser "flexível" e a evitar a inclusão de uma cláusula rígida que exija que o dinheiro seja utilizado apenas para comprar armas fabricadas na Europa.
"A Europa está agora a construir a sua indústria de defesa, [...] mas, neste momento, não consegue fornecer nem de longe o que a Ucrânia precisa para se defender hoje e para dissuadir amanhã", afirmou Rutte.