Num briefing à imprensa, o Comando Central dos EUA, CENTCOM, confirmou na quinta-feira (05.03) que os EUA atingiram um porta-drones iraniano do tamanho de um porta-aviões da II Guerra Mundial.
Os EUA destruíram o porta-drones IRIS Shahid Bagheri, um navio da armada iraniana capaz de enviar e receber drones e helicópteros. Em conferência de imprensa, o almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central dos EUA (CENTCOM), disse que "a marinha iraniana está cada vez mais fraca".
"Os nossos ataques contra a armada iraniana intensificaram-se; destruímos até ao momento 30 navios e, nas últimas horas, um porta-drones iraniano do tamanho de um porta-aviões da II Guerra Mundial, que está em chamas neste momento."
A última localização conhecida do porta-drones iraniano, antes de ser atingido, foi o porto de Bandar Abbas, próximo do Estreito de Ormuz. Imagens do ataque ao porta-drones foram divulgadas pelo CENTCOM na sexta-feira (06.03).
Cooper informou ainda que nas últimas 72 horas, os bombardeiros americanos atacaram quase 200 alvos no interior do Irão. "Os B-2 lançaram dezenas de bombas penetrantes contra alvos iranianos, como silos de lançamento de mísseis balísticos".
Cooper falava ao lado do secretário da Guerra, Pete Hegseth, na sede do CENTCOM, na Flórida. O secretário da Guerra dos EUA assegurou que "a capacidade de fogo sobre o Irão e Teerão está prestes a aumentar drasticamente”.
“Quando dizemos que há mais por vir, estamos a falar de mais esquadrões de caças, mais capacidades, mais capacidades defensivas e mais bombardeiros com maior frequência", declarou Hegseth, sublinhando que são os EUA que definem o timing das operações. "O tempo está do nosso lado. Somos nós que definimos o ritmo", disse o secretário da Guerra sobre a Operação Epic Fury, que já vai no oitavo dia.
Possivelmente o primeiro porta-drones militar
De acordo com informações disponíveis, o IRIS Shahid Bagheri (C110-4) teria sido o primeiro porta-drones dedicado do Irão.
Construído a partir do porta-contentores sul-coreano Perarin, de 240 metros e 41,9 toneladas, foi convertido num porta-drones, com uma pista de aterragem de 180 metros, com capacidade para receber e enviar até 60 UAV (drones) e helicópteros. Possuía 30 embarcações de ataque rápido, que podiam ser lançadas das laterais do navio, e estava equipado com lançadores de mísseis de cruzeiro e de defesa anti-aérea.
Alguns portais de informação dedicados ao armamento militar, o Shahid Bagheri tinha como objetivo operar como uma base marítima móvel, estendendo o alcance das missões de reconhecimento e de ataque com drones do Irão para além da sua costa, até ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. A conversão durou dois anos. O porta-drones ficou disponível para a armada da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) em fevereiro de 2025.
De acordo com um vídeo divulgado nas redes sociais, em janeiro, o Shahid Bagheri transportava uma classe de drones furtivos, os Qaher-313.
O Irão e a Turquia são os únicos países de que se tem conhecimento com porta-drones já em operação.
Outros países, como os EUA e a China, estão a desenvolver modelos do género para reforçar a sua armada.
Um ativo militar que Portugal também terá num futuro próximo, com a chegada do NRP D. João II anunciada para este ano. Este navio multifunções vai custar 132 milhões de euros, terá uma pista de lançamento de drones com 94 metros de comprimento, poderá receber helicópteros e alojar até 200 pessoas.
A maior parte das suas missões consistirá no lançamento de drones aéreos e marítimos para investigação científica e vigilância em missões de longa duração.