Observações de uma rede global de telescópios confirmaram que a missão DART da NASA alterou com êxito a órbita da lua Dimorphos, no primeiro teste real de defesa planetária
Dois cientistas do Uzbequistão foram distinguidos pela NASA pela contribuição para as observações que confirmaram a primeira tentativa bem-sucedida de alterar a órbita de um asteroide.
Medições realizadas no Observatório de Maydanak, em grande altitude, ajudaram a confirmar que a trajetória de Dimorphos, uma pequena lua de asteróide que orbita o corpo maior Didymos, se alterou após o impacto da sonda da missão Double Asteroid Redirection Test (DART), da NASA.
Os cientistas Kamoliddin Ergashov e Otabek Burkhonov, do Instituto Astronómico Mirzo Ulug‘bek, integraram o grupo de quase 100 investigadores de 28 observatórios em todo o mundo que acompanharam os resultados desta experiência de defesa planetária.
As suas observações alimentaram o conjunto de dados internacional usado para medir a alteração orbital.
O sistema de asteróides visado pela missão tem também uma ligação linguística ao grego. O asteróide maior, Didymos, deriva da palavra grega para “gémeo”, numa referência à natureza binária do sistema.
O seu pequeno companheiro, Dimorphos, significa “com duas formas”, numa alusão ao estado do asteróide antes e depois do impacto da sonda.
Os investigadores envolvidos na campanha global de observação foram galardoados com o NASA Group Achievement Award, uma distinção interna geralmente atribuída a equipas colaborativas que contribuem para os objetivos das missões.
“Participámos nos primeiros testes da história da Humanidade destinados a alterar a órbita de um objeto que poderia ameaçar a Terra ou fragmentar-se”, afirmou Burkhonov.
“Ajudámos também a confirmar a eficácia deste método. Por essa razão, a NASA reconheceu o nosso trabalho e atribuiu-nos esta distinção. No futuro, espero continuar a cooperar com a NASA noutros domínios científicos e alcançar novos resultados.”
Como a missão DART alterou a órbita de um asteróide
A missão DART fez colidir deliberadamente uma sonda com Dimorphos para testar se a órbita de um asteróide potencialmente perigoso pode ser alterada através de um impacto cinético.
Observações de acompanhamento realizadas por telescópios terrestres em todo o mundo mostraram que o período orbital de Dimorphos em torno de Didymos encurtou cerca de 32 minutos. A alteração foi suficientemente grande para ser confirmada de forma independente por vários observatórios e correspondeu aos modelos prévios de desvio por impacto cinético.
Tratou-se da primeira alteração, comprovada experimentalmente, no movimento de um corpo celeste natural provocada diretamente pela ação humana.
Para confirmar o resultado, os astrónomos realizaram um acompanhamento fotométrico contínuo antes e depois do impacto, comparando as variações de brilho quando Dimorphos passava em frente de Didymos e medindo diferenças subtis no período orbital.
Os cientistas do Observatório de Maydanak contribuíram com fotometria em séries temporais a partir da faixa de longitude da Ásia Central, ajudando a colmatar lacunas de observação na rede mundial de monitorização.
“Quase uma centena de cientistas de observatórios de todo o mundo forneceram observações”, referiu Ergashov. “O nosso papel foi obter dados fotométricos em Maydanak antes e depois do impacto e ajudar a refinar as medições do período orbital.”
O conjunto de dados combinado dos observatórios participantes foi depois utilizado em análises internacionais que confirmaram o desvio.
Reconhecimento da NASA e futuro da investigação em defesa planetária
Distinções como o NASA Group Achievement Award valorizam contributos científicos e técnicos coordenados entre instituições, em vez de destacarem uma única organização.
Segundo Ergashov, a experiência vai também apoiar trabalhos futuros de monitorização de objetos próximos da Terra, estudo da rotação de asteróides e investigação de detritos em órbita, áreas cada vez mais ligadas à segurança espacial global.
Burkhonov considera que o projeto pode igualmente inspirar jovens investigadores.
“É necessário envolver os jovens no trabalho científico”, afirmou. “A nossa experiência aumenta o interesse dos jovens pela ciência e reforça a confiança dos jovens investigadores.”
Para os cientistas envolvidos na campanha DART, a missão representou não apenas um avanço científico, mas também um modelo de como uma rede distribuída de observatórios pode contribuir para experiências espaciais em grande escala. A participação nas observações de seguimento da missão DART reflete a crescente integração do Uzbequistão nas redes internacionais de investigação em astronomia.