Costa organizou uma série de reuniões informais que reuniram os 27 líderes para debater ideias sem as formalidades de uma cimeira europeia.
O antigo Presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, participará numa reunião informal dos líderes da União Europeia a convite do Presidente do Conselho Europeu, António Costa, que pretende acelerar a aplicação do seu relatório sobre a competitividade.
O retiro terá lugar a 12 de fevereiro e centrar-se-á na dinamização da economia europeia. O antigo Primeiro-Ministro italiano Enrico Letta também participará no encontro.
Draghi e Letta redigiram dois relatórios influentes sobre o mercado único e a competitividade da UE no ano passado.
Em entrevista à Euronews a partir de Nova Deli, onde a UE assinou um importante acordo comercial com a Índia, Costa disse que o retiro servirá para lançar um debate interinstitucional sobre a forma de reforçar a economia europeia e implementar a sua agenda de reformas.
"Convidei Mario Draghi e Enrico Letta a juntarem-se a nós para fazermos um balanço do que fizemos, mas também para analisarmos o que temos de fazer", afirmou Costa.
"Precisamos de criar uma dinâmica renovada e dar um novo impulso" ao seu pedido de reformas.
"Espero que os líderes dêem uma orientação política clara à Comissão e ao Conselho, como fizeram no ano passado em matéria de defesa e segurança", acrescentou. "Desta vez, para o mercado único."
Costa organizou uma série de reuniões informais que reuniram os 27 líderes para debater ideias sem as formalidades de uma cimeira europeia, que normalmente tem uma agenda mais rigorosa e procura compromissos para chegar a conclusões unânimes.
O formato de retiro, segundo ele, permite discussões mais abertas. No ano passado, os líderes europeus reuniram-se com o Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, e o Primeiro-Ministro do Reino Unido, Keir Starmer, para discutir a segurança e a defesa europeias. Ao convidar Draghi e Letta, Costa espera restabelecer a dinâmica em torno das suas recomendações publicadas em 2024.
No ano passado, os esforços da Comissão Europeia centraram-se na redução da burocracia e da burocracia associada ao excesso de regulamentação da UE. Apesar de insistir na simplificação das regras existentes, os analistas sugerem que o executivo não está a fazer o suficiente para avançar com reformas reais em conformidade com as recomendações dos dois relatórios.
Um relatório do Conselho Europeu de Inovação Política, publicado em setembro do ano passado, sugeria que apenas 11% das recomendações enumeradas no relatório Draghi tinham sido implementadas no seu primeiro ano, apesar de a Comissão se referir a ele como a sua bússola económica.
A presença de Draghi poderá servir para aguçar os ânimos, uma vez que o antigo presidente do BCE é muito influente nos círculos diplomáticos, nas capitais europeias e nas instituições da UE, onde os seus discursos são acompanhados de perto.
Draghi apelou repetidamente a que o bloco trabalhasse como uma verdadeira união e apelou a uma abordagem "federalista pragmática" num mundo em mudança.
Draghi também manifestou o seu apoio à contração conjunta de empréstimos pelos Estados-Membros da UE para financiar grandes projectos de interesse comum, como a segurança e a defesa, e apelou à integração dos mercados de capitais europeus para atrair e aumentar os investimentos.
Veja a entrevista completa com o Presidente do Conselho, António Costa, no programa The Europe Conversation da Euronews, de 28 de janeiro.