A UE tenciona enviar a comissária para o Mediterrâneo à primeira reunião do Conselho de Paz de Trump, na quinta-feira, confirmaram à Euronews fontes conhecedoras do assunto, apesar das preocupações sobre o seu estatuto.
A comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica, planeia viajar para Washington no final desta semana para participar na primeira reunião formal do Conselho de Paz do presidente dos EUA, Donald Trump, segundo apurou a Euronews.
A iniciativa mostra que Bruxelas não está disposta a descartar totalmente a cooperação com o conselho presidido por Trump, mesmo que a maioria dos estados membros da UE tenha rejeitado uma adesão formal e as preocupações legais da Comissão Europeia sobre sua carta e governança.
A UE não aceitou o convite para participar oficialmente no Conselho de Administração, mas espera-se que lhe seja concedido o estatuto de "observador" para colaborar nos seus esforços, segundo a Euronews.
No fim de semana, Itália, Roménia e Chipre disseram que fariam o mesmo.
Um responsável da UE disse que o bloco quer desempenhar um papel na reconstrução de Gaza, apesar das numerosas preocupações sobre a estrutura executiva do Conselho, que foi inicialmente concebido como um veículo para reconstruir o território e agora expandiu o seu mandato para a "paz global".
Bruxelas também levantou questões sobre o "âmbito, a governação e a compatibilidade do Conselho com a Carta das Nações Unidas", da qual os 27 Estados-membros são signatários.
Ainda assim, como o maior doador de ajuda humanitária ao povo palestiniano, com uma contribuição total de 1,65 mil milhões de euros para os territórios desde o início da guerra entre Israel e o Hamas em 7 de outubro de 2023, a UE não quer ser marginalizada pelos EUA.
Itália, Roménia e Chipre defendem participação
O Conselho da Paz**,** inaugurado por Trump em Davos, em janeiro, destinava-se inicialmente a supervisionar a transição de Gaza no pós-guerra, no âmbito do plano de paz de 20 pontos acordado no ano passado.
Mas o seu estatuto suscitou múltiplas preocupações nas capitais europeias, nomeadamente pelo facto de Trump ser o presidente do Conselho de Paz por tempo indeterminado, mesmo após o fim da sua presidência.
A inclusão do presidente russo, Vladimir Putin, no Conselho de Administração também torna a adesão politicamente insustentável para a maioria dos países da UE, enquanto a guerra na Ucrânia ainda se prolonga.
Apenas dois Estados-membros da UE - a Hungria e a Bulgária - aceitaram convites para se tornarem membros. Viktor Orbán, um aliado próximo de Trump, participará na reunião de quinta-feira.
Entretanto, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov foi nomeado Alto Representante para Gaza, com a missão de estabelecer a ligação entre o Conselho de Paz e um comité tecnocrático palestiniano responsável pela gestão dos assuntos correntes.
No fim de semana, Itália, Chipre e Roménia confirmaram que tinham aceitado convites para participar como "observadores", em vez de membros efetivos. No entanto, a iniciativa mostra que os Estados-membros da UE que querem manter uma boa relação com a administração Trump puseram de lado as suas preocupações legais em troca de influência.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que já tinha afirmado que a Constituição italiana impedia a adesão de Roma, sugeriu durante o fim de semana que o estatuto de observador era uma "boa solução", depois de ter recebido uma carta de convite do presidente dos EUA.
Meloni sugeriu que outros países também foram convidados a participar, alguns dos quais ainda não responderam. Nesta fase, ainda não é claro quem irá representar a Itália.
Quanto à Roménia, o presidente Nicușor Dan, que detém poderes de política externa sob o seu título, confirmou no domingo que se deslocaria a Washington para participar nas conversações.