Aqueles que não reconhecem que é agora essencial avançar com o euro digital estão a prejudicar a própria Europa, disse o vice-chanceler Lars Klingbeil aos jornalistas, num momento em que o Parlamento Europeu regista atrasos na aprovação da legislação.
Não reconhecer que é agora essencial avançar com o euro digital é estar a prejudicar a Europa, disse o vice-chanceler alemão e ministro das Finanças, Lars Klingbeil, aos jornalistas na segunda-feira, antes de uma reunião dos ministros da zona euro em Bruxelas.
O euro digital, uma proposta legislativa que está a ser discutida entre as instituições da União Europeia, está atualmente bloqueada no Parlamento Europeu, sendo que os eurodeputados que trabalham no dossiê estão a fazer esforços para chegar a um acordo.
"Tudo o que posso dizer é que quem, nesta situação, não compreendeu que é agora essencial fazer avançar o euro digital o mais rapidamente possível, não está a servir a Europa, mas a prejudicá-la. E todos os responsáveis pela tomada de decisões devem ter consciência disso", disse Klingbeil aos jornalistas.
O eurodeputado espanhol Fernando Navarrete, do Partido Popular Europeu (PPE), que lidera os trabalhos sobre o dossiê, propõe agora uma nova conceção do euro digital, que reduziria essencialmente o âmbito de aplicação da ferramenta, tal como definido pela Comissão Europeia.
O PPE está dividido em relação ao euro digital, com a delegação alemã ativamente a favor. Se o Parlamento não conseguir chegar a acordo sobre uma posição relativamente a esta matéria, a legislação não poderá avançar.
O que é o euro digital?
O euro digital seria uma forma eletrónica de dinheiro emitida pelo Banco Central Europeu (BCE) e serviria como uma forma adicional de pagamento, complementando o dinheiro e os cartões emitidos pelos bancos comerciais.
"Queremos fazer avançar o euro digital porque é importante para a soberania do nosso continente, mas o numerário manter-se-á, como é óbvio", esclareceu o vice-chanceler.
Ao contrário dos pagamentos diários com cartão, em que os pagamentos são "privados", o euro digital permitiria aos cidadãos a utilização direta de dinheiro "público" digital, atualmente disponível sobretudo sob a forma de numerário.
De acordo com a proposta da Comissão Europeia, o euro digital incluiria uma carteira digital que poderia ser utilizada tanto online como fora da Internet, não sendo os pagamentos rastreáveis.
Uma alternativa aos cartões Visa e Mastercard
A proposta do euro digital ganhou importância graças às tensões económicas entre a UE e os EUA, oferecendo uma alternativa ao Visa e ao Mastercard, os dois sistemas de pagamento baseados nos EUA utilizados no dia a dia pela maioria dos europeus.
"Hoje em dia, quando um cliente europeu faz um pagamento com cartão, a maior parte das vezes é executado por uma empresa norte-americana", disse à Euronews Peter Norwood, investigador sénior e defensor da ONG Finance Watch.
Na Europa, a Mastercard e a Visa representam 61% dos pagamentos com cartão e quase 100% dos pagamentos transfronteiriços, de acordo com os dados do Banco Central Europeu de 2025.
"Isto dá aos atores estrangeiros uma influência significativa sobre o funcionamento diário da economia europeia. Um euro digital devidamente concebido, com funcionalidades online e fora da Internet, daria aos europeus uma opção de pagamento digital apoiada pelo setor público. Uma opção que mantenha os custos baixos, proteja a privacidade e assegure o controlo europeu sobre as infraestruturas críticas de pagamento", acrescentou Norwood.
No entanto, na proposta de Navarrete, o euro digital não seria um meio de pagamento alternativo aos cartões Visa e Mastercard.
Prevê-se que o Parlamento Europeu vote o euro digital em maio. Se a legislação for aprovada, terão início as negociações entre a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e o Conselho da UE.