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"A UE deve tomar decisões para defender a ordem multilateral", afirma o presidente do Eurogrupo

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De Shona Murray & Jesse Dimich-Louvet
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O ministro das Finanças irlandês e presidente do Eurogrupo, Paschal Donohoe, considera que as instituições que surgiram após a Segunda Guerra Mundial estão a ser postas em causa pelos Estados Unidos.

As regras e instituições estabelecidas sob a liderança dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial estão suscetíveis a alterações, disse o ministro das Finanças irlandês e presidente do Eurogrupo, Paschal Donohoe, numa entrevista à Euronews.

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Com os Estados Unidos a ameaçar retirar o apoio à defesa da Europa, o continente procura reforçar os seus recursos militares. Mas, segundo Donohoe, este não é o único desafio que a Europa tem de enfrentar após a chegada de Donald Trump à Casa Branca.

"Há um tema relevante neste momento, o facto de as regras, as instituições que foram criadas no rescaldo da Segunda Guerra Mundial, criadas sob a liderança americana, estarem a ser postas em causa, contestadas. As instituições que conhecemos, as regras relativas ao comércio e aos impostos, tudo isso está agora suscetível a uma renegociação. Isto está a acontecer neste preciso momento", afirmou.

Donohoe foi claro ao afirmar que ninguém deve assumir que o progresso é inevitável, fazendo eco das declarações do presidente francês Emmanuel Macron e do antigo primeiro-ministro italiano Mario Draghi, segundo os quais a Europa é vulnerável e mortal. "A nossa Europa é mortal. Pode morrer", disse Macron, enquanto Draghi falou do risco de uma "morte lenta e agonizante".

Para o presidente do Eurogrupo, "toda a ordem política é suscetível, se não à morte, ao declínio. Esta é uma das muitas lições que aprendemos ao olhar para a História. A União Europeia não é diferente. Se acreditarmos que o progresso é inevitável, corremos o risco de ver esse progresso diminuir", afirmou.

Ceticismo em relação à contração conjunta de empréstimos para a defesa

O ministro das finanças irlandês, Paschal Donohoe, continua cético quanto à contração de empréstimos comuns para a defesa. Donohoe defendeu a contração de empréstimos comuns para a recuperação após a crise da Covid-19, mas não está convencido quando se trata de despesas militares. Este considera que as contribuições nacionais devem colmatar as lacunas de financiamento necessárias para rearmar a Europa.

"É provável que se registem progressos no domínio dos contratos públicos. Por conseguinte, se a defesa for uma das prioridades do próximo quadro financeiro plurianual (QFP) e nos orçamentos da UE, penso que será provavelmente inferior à contribuição nacional dos Estados-Membros para a sua própria segurança e para a segurança da UE", afirmou Donohoe.

O eurodeputado salientou que a UE ainda está a reembolsar o Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR), concebido para tornar as economias da UE mais resistentes durante a pandemia. "É necessária uma avaliação do MRR antes de a UE assumir novos compromissos", afirmou, e sublinhou a necessidade de ter uma visão mais global das despesas com a defesa, uma vez que esta também terá relevância no próximo orçamento plurianual da União Europeia. Os Estados-Membros começarão em breve a negociar o próximo período de despesas, que decorrerá de 2028 a 2034.  

"É difícil ter esse debate sem nos distanciarmos da realidade mais ampla de que, em primeiro lugar, estamos a negociar um orçamento para uma nova União Europeia. Em segundo lugar, o NextGenerationEU, que é a nova forma de empréstimo comum que temos para lidar com a crise da pandemia de há alguns anos, ainda está em funcionamento e a ser avaliada e, portanto, tendo em conta tudo o que ainda tem de ser emitido, refinanciado e tratado em algum momento no futuro, iremos ter uma mistura desses temas", disse.

Donohoe está a concorrer a um terceiro mandato como líder da zona euro e, até agora, os nomes de outros possíveis candidatos não foram divulgados. O deputado diz sentir-se encorajado pelo nível de apoio que recebe atualmente, embora reconheça que ninguém pode ter a certeza do que virá a seguir.

"No mundo em que vivemos hoje, tudo pode mudar numa questão de semanas, mas o apoio que tenho recebido faz-me sentir encorajado", concluiu Donohoe.

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