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Após reações negativas, von der Leyen reforça apoio "inabalável" à ordem baseada em regras

Ursula von der Leyen na manhã de quarta-feira.
Ursula von der Leyen na manhã de quarta-feira. Direitos de autor  Mathieu CUGNOT/ European Union 2026 - Source : EP
Direitos de autor Mathieu CUGNOT/ European Union 2026 - Source : EP
De Jorge Liboreiro
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Dois dias depois de declarar que "a Europa não pode continuar a ser a guardiã da velha ordem mundial", Ursula von der Leyen tentou amenizar as reações negativas, enfatizando o seu apoio "inabalável" ao direito internacional.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sublinhou o "compromisso inabalável" da União Europeia para com o direito internacional e o sistema multilateral, dois dias depois de ter suscitado controvérsia ao declarar que o bloco de 27 membros não podia "continuar a ser o guardião da velha ordem mundial, de um mundo que já não existe e que não vai regressar".

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Esse discurso, proferido na manhã de segunda-feira na conferência anual de embaixadores, obteve uma receção mista: os defensores de von der Leyen disseram que era uma dose muito necessária de realpolitik, mas os críticos afirmaram que corria o risco de dar permissão aos europeus para fecharem os olhos a violações legais.

A reação foi particularmente intensa em Espanha, onde o governo socialista do primeiro-ministro Sánchez repreendeu publicamente a presidente da Comissão Europeia.

Sánchez já está em desacordo com von der Leyen sobre os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, que o espanhol condenou, considerando ter sido uma violação flagrante da lei.

"O dilema não é sobre uma ordem antiga versus uma nova ordem, mas uma ordem internacional versus uma desordem internacional", disse Sánchez numa entrevista ao jornal El Diario.

"O mundo está a mudar, mas os valores e princípios da UE não devem mudar."

"Iremos sempre defender esses princípios"

Face a esta reação negativa, von der Leyen tentou esclarecer tudo na manhã de quarta-feira, quando discursou no Parlamento Europeu em Estrasburgo. O descontentamento era palpável entre as fileiras progressistas do hemiciclo, com alguns legisladores a apontarem o dedo à líder da Comissão e a ecoarem a posição de Sánchez.

Von der Leyen manteve a sua visão pragmática e realista da nova ordem mundial, mas salientou que a sua avaliação não enfraqueceria nem alteraria a missão central da UE.

"Permitam-me que faça uma observação importante. O facto de vermos o mundo como ele é não diminui em nada a nossa determinação em lutar pelo mundo que queremos. A União Europeia foi fundada como um projeto de paz", disse von der Leyen aos legisladores.

"O nosso compromisso inabalável com a busca da paz, com os princípios da Carta das Nações Unidas e com o direito internacional é tão central hoje como era na nossa criação. E iremos sempre defender estes princípios."

Von der Leyen já tinha incluído esta mensagem no seu discurso de segunda-feira, onde afirmou: "O nosso apoio à ONU e à sua Carta é uma parte essencial de quem somos."

"Num mundo mais conflituoso como o nosso, precisamos de uma governação global baseada em regras. É claro que o sistema da ONU também precisa de reformas. E quando os formatos tradicionais chegam a um impasse, precisamos de procurar formas criativas de lidar com as crises mais graves do nosso tempo", afirmou, no final da sua intervenção.

No entanto, a atenção política e mediática em torno desse discurso centrou-se numa parte do início da sua intervenção, na qual declarou que a Europa não podia dar-se ao luxo de ser a "guardiã" de uma "velha ordem mundial" que já desapareceu.

O pano de fundo da guerra no Médio Oriente, que dividiu profundamente as capitais europeias e alimentou acusações de que as atividades diplomáticas de von der Leyen a levaram a ultrapassar as suas competências, amplificou ainda mais a controvérsia.

"Defenderemos e apoiaremos sempre o sistema baseado em regras que ajudámos a construir com os nossos aliados, mas não podemos continuar a confiar nele como a única forma de defender os nossos interesses ou assumir que as suas regras nos protegerão das ameaças complexas que enfrentamos", afirmou.

Costa manifesta-se

Von der Leyen apelou também a uma reflexão profunda sobre a política externa do bloco, que está estritamente vinculada ao princípio da unanimidade e, por isso, vulnerável a vetos.

Bruxelas está atualmente a lutar para levantar o veto da Hungria ao empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia.

A UE deve determinar "se o sistema que construímos - com todas as suas tentativas bem intencionadas de consenso e compromisso - é mais uma ajuda ou um obstáculo à nossa credibilidade como ator geopolítico", referiu von der Leyen.

"A questão é que, se acreditamos - como eu acredito - que precisamos de uma política externa mais realista e orientada para os interesses, então temos de ser capazes de a concretizar. E este é o cerne da minha mensagem de hoje", acrescentou.

Na terça-feira, enquanto o discurso de von der Leyen continuava a marcar as manchetes, António Costa, presidente do Conselho Europeu, disse aos embaixadores que "um mundo multipolar exige soluções multilaterais", uma mensagem interpretada como uma crítica implícita a von der Leyen.

"Temos de defender a ordem internacional baseada em regras. Temos de defender os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, tal como definidos nos nossos Tratados", afirmou Costa.

"As violações do direito internacional não devem ser aceites - seja na Ucrânia, na Gronelândia, na América Latina, em África, em Gaza ou no Médio Oriente."

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