A Comissão Europeia está de olho em mais um acordo na sua tentativa de diversificar os laços comerciais, com a presidente Ursula von der Leyen a visitar a Austrália de 23 a 25 de março para fechar um acordo há muito esperado.
A Comissão Europeia anunciou na quarta-feira que a sua presidente, Ursula von der Leyen, viajará para a Austrália na próxima semana, numa altura em que os negociadores de Bruxelas e Camberra entram na reta final das conversações sobre um acordo de comércio livre muito disputado.
A agricultura tem sido um dos principais pontos de discórdia entre as duas partes. As conversações fracassaram em 2023, depois de Camberra ter acusado Bruxelas de não oferecer acesso suficiente ao mercado para as suas exportações de carne. Mas as crescentes tensões comerciais a nível mundial reavivaram as negociações no ano passado, depois de os Estados Unidos (EUA) terem aplicado tarifas generalizadas aos seus parceiros em todo o mundo.
Ursula von der Leyen visitará Sydney e Camberra de 23 a 25 de março "para reforçar os laços da UE com um parceiro de confiança e com a mesma opinião na região estrategicamente vital do Indo-Pacífico", afirmou a Comissão.
Carne vs. minerais
Desde a mudança comercial de Washington, a União Europeia (UE) tem-se esforçado por diversificar os seus parceiros, tendo a Comissão salientado que 83% do comércio da UE é efetuado com países fora dos EUA.
Em janeiro, foi celebrado um importante acordo de comércio livre com a Índia, com o objetivo de aprofundar os laços económicos e estratégicos.
Um acordo com a Austrália teria também um peso geopolítico numa região onde a rivalidade com a China se está a intensificar.
"Estamos na reta final para a conclusão de um novo Acordo de Comércio Livre UE-Austrália", escreveu von der Leyen numa carta enviada na segunda-feira aos líderes da UE antes de uma cimeira da UE, acrescentando que "reforçará a presença da Europa numa das regiões económicas mais dinâmicas do mundo".
As conversações foram interrompidas em 2023, quando a UE ofereceu quotas de 30 000 toneladas para a carne de bovino, aquém do pedido de Camberra de 40 000 toneladas.
Após a conclusão controversa do acordo comercial com o Mercosul, a Comissão manteve-se cautelosa em matéria de agricultura. No entanto, um funcionário da UE afirmou que o bloco poderia abrir mais o seu mercado à carne australiana em troca de um melhor acesso a matérias-primas essenciais.
Na sua carta, von der Leyen afirmou que a "eliminação das barreiras comerciais" facilitaria o acesso a "matérias-primas essenciais, como o lítio, o cobalto, os elementos de terras raras e o hidrogénio" na Austrália.
O acordo representaria mais uma vitória para a UE, depois dos acordos celebrados nos últimos meses com a Índia, o México, a Suíça e a Indonésia.
"O mundo quer negociar com a Europa", disse von der Leyen num discurso aos embaixadores da UE a 9 de março. "A nossa rede comercial nunca se expandiu tão rapidamente", salinetou.
Ursula von der Leyen referiu ainda as negociações em curso com as Filipinas, a Tailândia, a Malásia, os Emirados Árabes Unidos e cinco países da África Oriental e Austral.