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Igreja Católica vai pagar 1,6 milhões a vítimas, mas diz que compensação "não apaga o que aconteceu"

Cartaz debaixo de um viaduto de Lisboa durante Jornada Mundial da Juventude 2023 em Lisboa, Portugal
Cartaz debaixo de um viaduto de Lisboa durante Jornada Mundial da Juventude 2023 em Lisboa, Portugal Direitos de autor  AP Photo
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De Ana Filipa Palma com Euronews
Publicado a Últimas notícias
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Os bispos e Institutos Religiosos de Portugal anunciaram que vão compensar financeiramente vítimas de abusos sexuais com 1,6 milhões de euros.

Em fevereiro de 2023, foi apresentado o relatório da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças, que estimou que pelo menos 4.800 crianças terão sido vítimas de abusos sexuais no seio da Igreja Católica em Portugal desde 1950.

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Esta quinta-feira, 26 de março de 2026, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e a Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) anunciaram a conclusão do processo de compensações financeiras às vítimas, com o pagamento de mais de 1,6 milhões de euros a 57 pessoas, segundo comunicado divulgado pela agência Ecclesia.

“Reconhecemos a gravidade do sofrimento vivido, tantas vezes carregado em silêncio durante anos, agradecemos verdadeiramente o testemunho que nos confiaram e renovamos o nosso pedido de perdão por todo o mal causado”, referem as duas entidades no comunicado conjunto.

No total, foram apresentados 95 pedidos de compensação, dos quais 78 foram considerados elegíveis. Até à data, estão aprovados 57 processos, que correspondem a um montante global de 1,6 milhões de euros, com indemnizações individuais a rondar os 9 mil e os 45 mil euros.

A CEP e a CIRP sublinham numa nota enviada à Ecclesia que “a atribuição de uma compensação financeira não apaga o que aconteceu nem elimina as consequências dos abusos na vida de quem os sofreu”.

Segundo o mesmo comunicado, nove processos aguardam decisão da Santa Sé quanto ao valor a atribuir, enquanto 11 pedidos foram indeferidos.

A atribuição das compensações teve em conta a análise individual de cada caso, considerando “os factos apurados, a gravidade dos abusos, o dano sofrido e o respetivo nexo de causalidade entre os acontecimentos e as consequências na vida da vítima”, de acordo com os critérios definidos para o efeito.

A Igreja Católica já iniciou o contacto e a notificação de todos os requerentes com processos considerados válidos.

O comunicado sublinha ainda que o pagamento das compensações não encerra o processo nem esgota a responsabilidade da Igreja. “Continuaremos disponíveis para acolher, escutar e acompanhar as vítimas, e reafirmamos o nosso compromisso em prosseguir uma cultura de responsabilização, cuidado e prevenção”, acrescentam.

Caso chocou o país e abalou a Igreja

Em 2022, a Conferência Episcopal Portuguesa solicitou um estudo independente sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal nas últimas décadas. A comissão validou 512 testemunhos de vítimas.

O relatório final, divulgado em fevereiro de 2023, apontou para um número mínimo de 4.800 vítimas desde 1950, num universo que inclui pessoas entre os 15 e os 88 anos. Uma vez que muitos dos abusos ocorreram há várias décadas, a maioria dos casos já teria ultrapassado os prazos legais para julgamento na altura que foram divulgados.

Em maio de 2023, a CEP criou o Grupo Vita, estrutura destinada a acolher denúncias, promover a prevenção e acompanhar vítimas e agressores.

Nesse mesmo ano, Portugal foi palco da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Lisboa, que contou com a presença do Papa Francisco que não fugiu ao tema, tendo inclusive encontrado, à porta fechada, com algumas das vítimas.

Papa Francisco chega ao Mosteiro e Igreja dos Jerónimos, do século XVI, em Lisboa , na quarta-feira, 2 de agosto de 202
Papa Francisco chega ao Mosteiro e Igreja dos Jerónimos, do século XVI, em Lisboa , na quarta-feira, 2 de agosto de 202 AP Photo

“Renovamos a nossa gratidão a todas as pessoas que aceitaram participar neste processo. O vosso testemunho honra a verdade e responsabiliza a Igreja a não desviar o olhar, a não esquecer e a não recuar no dever de transformação”, conclui a nota da CEP e da CIRP.

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