Trump mostrou-se relutante em aceitar a proposta dos aliados, afirmando que a via marítima estratégica ficará segura graças ao seu acordo provisório com o Irão para acabar com a guerra.
A missão naval para o Estreito de Ormuz, proposta pelos aliados dos Estados Unidos na sequência de um acordo destinado a pôr fim à guerra com o Irão, tem como principal objetivo restaurar a confiança das tripulações e das seguradoras marítimas. Para tal, prevê a remoção de eventuais minas explosivas da estreita passagem e, se necessário, o acompanhamento dos navios por escoltas militares, garantindo condições de navegação seguras.
França e o Reino Unido trabalham nestes planos há vários meses. O presidente francês, Emmanuel Macron, lançou a ideia em março, numa altura em que a guerra estava no auge, defendendo que navios de guerra poderiam escoltar petroleiros e porta-contentores através deste estrangulamento marítimo quando o conflito abrandasse.
Na segunda-feira, à margem da cimeira do Grupo dos Sete, o G7, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse a Macron que não vê necessidade de “muita ajuda” porque o Estreito de Ormuz “vai estar aberto”, graças ao acordo preliminar com o Irão.
“Não me parece má ideia termos por aqui um ou dois navios de alguns países. França seria um excelente país para o fazer”, disse Trump ao chefe de Estado francês.
Num comunicado em que saudaram o acordo de princípios que deverá prolongar o cessar-fogo provisório entre os Estados Unidos e o Irão, e conduzir à reabertura do Estreito de Ormuz, os aliados de Washington afirmaram estar “empenhados em fazer" a sua parte para reabrir rapidamente a via marítima “com liberdade de navegação incondicional e sem restrições”.
O comunicado foi divulgado por França, Reino Unido, Alemanha, Japão e Itália, aos quais se juntou mais tarde o Canadá, todos membros, juntamente com os Estados Unidos, do grupo de países do G7.
Os países propuseram “uma missão estritamente defensiva e independente, destinada a tranquilizar o transporte marítimo comercial e a realizar operações de desminagem”.
O porta-aviões de propulsão nuclear francês Charles de Gaulle já se encontra na região. Macron enviou-o primeiro para o Mediterrâneo oriental, no início de março, e depois através do Canal do Suez para o Mar Arábico.
Segundo Macron, outros países com forças destacadas na região que poderiam ajudar rapidamente incluem os Países Baixos, Itália e o Reino Unido.
O líder francês disse a Trump que caças franceses poderiam participar já a partir de terça-feira em missões de observação sobre esta via marítima crucial, às quais se seguiriam “no prazo de 48 horas” fragatas “e, em dois a três dias, o porta-aviões”.
“Claro que tudo isto pressupõe que haja vontade e um pedido nesse sentido”, afirmou Macron. “Talvez não seja desejado e talvez não seja necessário. Mas, em qualquer caso, mostra a nossa disponibilidade para ajudar”.
Os navios de desminagem procurariam eliminar da via marítima estes perigos subaquáticos para a navegação, que podem ser propelidos por foguete, ligados por cabos ou permanecer no fundo do mar e ser ativados por som, movimento ou luz.
Trump afirmou que já foram encontradas minas e que continuam os esforços para localizar outras, mas garantiu que o Estreito de Ormuz “já está parcialmente aberto”.
A Royal Navy britânica fez questão de mostrar a competência especializada que poderia oferecer numa missão deste tipo, recebendo jornalistas a bordo do navio RFA Lyme Bay, enquanto aguardava, ao largo de Gibraltar, para ser destacado.