Com poucas expectativas, a seleção cabo-verdiano arrancou um empate a zeros frente à atual campeã europeia. O resultado, que soube a vitória, foi celebrado por milhares de pessoas que se juntaram em Lisboa para assistir à estreia dos tubarões azuis no Mundial.
Na zona de Santos, em Lisboa, as camisolas azuis com toques de vermelho denunciavam o evento que, a partir das 17h00, movimentou a capital portuguesa. A zona ribeirinha foi palco de uma festa a céu aberto, com milhares de cabo-verdianos em Portugal a juntarem-se para assistir ao jogo de estreia da seleção de Cabo Verde no Mundial de Futebol.
Suzi, cabo-verdiana a viver há mais de dez anos em Portugal, não conseguia esconder a felicidade por, finalmente, poder apoiar o país numa grande competição mundial. "Foi muito tempo a torcer pelo Brasil, a torcer por Portugal. Finalmente posso torcer pelo meu país. Não tenho palavras", diz, emocionada, à Euronews.
O resultado, já sabemos, soube a vitória, mas a festa iniciou-se mesmo antes do apito inicial. Ao longo do jogo, cada defesa do agora herói Vozinha foi celebrada como de um golo se tratasse. O guarda-redes foi protagonista de sete defesas que impediram a vitória dos espanhóis.
"Mostrámos ao que viemos, Cabo Verde nunca desiste", explica Suzi. "Espanha tem tradição, é a atual campeã europeia...Cabo Verde está, pela primeira vez, no Mundial. Tem de saber a vitória."
"Para mim o Vozinha é o MVP, totalmente, o jogo foi maravilhoso, eu estava ali a chorar". conta Isabel, de 21 anos. Nascida em Portugal mas com as raízes e família cabo-verdianas confessou que chegou a temer o pior, principalmente depois da vitória da Alemanha por 7-1 frente à também estreante Coraçau. "Quando saí de de casa achei que Cabo Verde podia sofrer uma humilhação, mas não", confessou a jovem.
Entre música e batuques a festa foi-se fazendo antes, durante e após o jogo.
Ainda houve momentos de aflição mas nada que fizesse abalar a confiança e, principalmente, a felicidade destes adeptos. "Para mim já somos vencedores, só pelo facto de estarmos aqui no Mundial", diz Eloísa, outra adepta no local. Para a cabo-verdiana, poder participar na competição é motivo de "orgulho" e "um amor que não cabe no peito".
Ao longo dos 90 minutos a festa foi acontecendo.
A primeira parte da partida revelou uma seleção espanhola pouco inspirada. A segunda iniciou-se com uma Espanha mais pressionante mas que foi perdendo o fulgor perante o muro imposto pelos cabo-verdianos.
Lamine Yamal entrou a 20 minutos do fim, numa última tentativa de mudar o rumo e evitar um resultado menos positivo para os espanhóis. Em Lisboa recebeu alguns apupos e a fé inabalável de todos os que ali se encontravam de que nem o jogador fenómeno do Barcelona seria capaz de desfazer o empate.
"Aguenta Cabo Verde" foi o mote até ao final da partida, que terminou com uma explosão de alegria por parte da multidão que se encontrava no local.
Após o resultado histórico, para Cabo Verde segue-se o Uruguai e depois a Arábia Saudita, numa tentativa de somar mais pontos para poder ultrapassar o grupo H e avançar na competição.