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EUA erram ao negociar, regime iraniano 'não é fiável', diz líder da oposição

Maria Tadeo, da Euronews, com Abdullah Mohtadi, líder exilado do Partido Komala do Curdistão iraniano
Maria Tadeo, da Euronews, com Abdullah Mohtadi, líder exilado do Partido Komala do Curdistão Iraniano. Direitos de autor  Euronews
Direitos de autor Euronews
De Estelle Nilsson-Julien & Maria Tadeo
Publicado a Últimas notícias
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Em declarações à Euronews, o líder exilado da oposição curda iraniana afirmou que ninguém no regime do Irão é “fiável”, desvalorizando as alegações de Washington de que os responsáveis iranianos são negociadores “razoáveis”

Em entrevista exclusiva à Euronews, o líder do partido curdo iraniano da oposição no exílio afirmou não acreditar que «qualquer figura da atual República Islâmica do Irão» seja «digna de confiança».

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As declarações de Abdulla Mohtadi — líder no exílio do Partido Komala do Curdistão Iraniano, sediado no Iraque — surgiram na sequência de comentários do presidente dos EUA, Donald Trump, que na segunda-feira afirmou ter mantido contactos com responsáveis iranianos «razoáveis», sem os identificar, durante negociações.

Já Mohtadi classificou os dirigentes da República Islâmica do Irão como «carrascos do povo» e «criminosos».

«São carrascos do povo iraniano, criminosos, uma cambada de criminosos», afirmou, sublinhando o apoio do seu partido a «um sistema democrático e laico» que respeite os direitos dos curdos e de outras minorias.

Os curdos representam cerca de 10 % da população do Irão e acumulam um longo historial de queixas contra a República Islâmica e também contra a antiga monarquia, após décadas de repressão e marginalização.

O aiatola Khomeini declarou uma «guerra santa» aos grupos curdos, que qualificou de «infiéis» e «inimigos do Estado».

Uma parte significativa dos curdos iranianos vive no oeste e noroeste do Irão, enquanto milhares de exilados se encontram na região autónoma do Curdistão, no norte do Iraque, território dos curdos iraquianos.

Curdos apoiam esforços para enfraquecer o regime

Ao comentar a campanha militar conjunta em curso dos Estados Unidos e de Israel contra Teerão, lançada em 28 de fevereiro, Mohtadi afirmou apoiar os esforços para enfraquecer o regime iraniano, mas advertiu que a «mudança de regime cabe ao povo iraniano».

«Se a administração norte-americana enfraquecer suficientemente o regime, se esmagar as forças de segurança, a base militar e industrial – mas não a infraestrutura civil, obviamente não defendemos isso […] –, então talvez possa ajudar o povo iraniano a erguer-se em determinado momento.»

Mohtadi afirmou não se ter «surpreendido» quando os Estados Unidos e Israel lançaram a campanha militar.

«Esperava que acontecesse há décadas», declarou. «Andam há 47 anos a gritar “morte à América”, ameaçaram aniquilar Israel, desestabilizaram toda a região com as suas atividades terroristas.»

Mohtadi descreveu os curdos iranianos como uma das principais forças de oposição «credíveis» que têm atuado contra o regime desde a sua chegada ao poder, em 1979.

«Não aceitámos o regime islâmico do Irão desde o início. E continuamos a lutar pelos nossos direitos e pela democracia no Irão. Há também baluches, há também azerbaijanos, árabes e persas.»

Mohtadi criticou aquilo a que chamou a «política de apaziguamento» da Europa, contestando a «estratégia de desescalada» do bloco.

«É altura de os europeus porem fim a essa política de apaziguamento e adotarem uma posição mais ativa, pró-iraniana e contra o regime.»

Irão: especulação sobre invasão terrestre apoiada pelo Ocidente

No início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, no final de fevereiro, surgiram relatos de que a CIA estaria a trabalhar para armar e treinar forças curdas iranianas no Iraque.

O presidente norte-americano, Donald Trump, pareceu apoiar uma ofensiva terrestre dos curdos iranianos no início de março, antes de dizer a jornalistas, dias depois: «Não quero que os curdos entrem no Irão… A guerra já é suficientemente complicada.»

Mohtadi confirmou à Euronews que uma eventual ofensiva terrestre com participação curda era mais uma «ideia do que um plano», acrescentando que Trump acabou por «decidir não convidar os curdos a participarem na campanha».

«Continuamos em posições defensivas no Curdistão iraquiano. Não atravessámos a fronteira. Temos estado sob bombardeamentos constantes de mísseis e drones iranianos, dia e noite, há cerca de um mês.»

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