O acordo com a Bulgária vem na sequência de uma série de acordos semelhantes que Zelenskyy assinou com parceiros no Golfo.
A Ucrânia assinou um acordo de defesa de dez anos com a Bulgária, um dos principais fabricantes de armamento, que abrange a produção de drones e outras armas, anunciou na segunda-feira o presidente Volodymyr Zelenskyy.
O presidente ucraniano afirmou estar "muito satisfeito" com o acordo, assinado durante uma visita a Kiev do primeiro-ministro interino da Bulgária, Andrey Gyurov.
O acordo abrange "a produção conjunta, no território dos nossos países, de vários tipos de armas, incluindo drones", disse Zelenskyy numa conferência de imprensa.
A extensão do acordo deverá permitir "sistematizar" a cooperação em matéria de segurança, disse Zelenskyy, nomeadamente acompanhando o ritmo acelerado da evolução tecnológica dos drones, uma arma fundamental na luta da Ucrânia contra a invasão em grande escala da Rússia.
A Bulgária, atualmente membro da NATO e da UE, fez parte do bloco comunista durante a Guerra Fria e, durante décadas, produziu munições e armas de acordo com os padrões soviéticos, que também são utilizadas pelo exército ucraniano.
De acordo com dados do governo, quase 4% do PIB da Bulgária provém da indústria da defesa, que prosperou desde que a Rússia iniciou a guerra na Ucrânia em 2022.
Sófia tem enviado grandes quantidades de armas para Kiev e Gyurov saudou o novo acordo como o "resultado de uma longa preparação".
"Não se trata de uma mera formalidade, mas sim de um compromisso conjunto com a nossa segurança euro-atlântica", afirmou na conferência de imprensa ao lado de Zelenskyy.
Os dois líderes também disseram que estão a trabalhar em conjunto na criação de um corredor de gás, chamado Corredor Vertical de Gás, para ligar a Grécia a vários países do sudeste da Europa.
Acordos no Golfo
O acordo com a Bulgária surge na sequência de uma série de acordos semelhantes que Zelenskyy assinou com parceiros do Golfo.
A Ucrânia concordou em fornecer aos Estados do Golfo o seu sistema completo de defesa aérea - incluindo drones marítimos, guerra eletrónica e tecnologia de interceção - para se defender dos drones iranianos, disse Zelenskyy na segunda-feira, após uma visita à Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Jordânia.
"Não se trata apenas de intercetores, mas também de linhas de defesa, software, sistemas de guerra eletrónica, etc. Por outras palavras, estamos a adotar uma abordagem sistémica", disse Zelenskyy.
Numa conversa de WhatsApp com jornalistas, Zelenskyy também confirmou que os drones marítimos da Ucrânia fazem parte dos acordos feitos com a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Qatar.
A frota de drones navais de Kiev tem-se expandido nos últimos anos, e os drones marítimos ucranianos têm-se revelado eficazes em infligir pesadas perdas a instalações militares e navios russos no Mar Negro, como os drones Magura-V5, que têm sido utilizados para atingir a frota russa.
Zelenskyy afirmou ainda que a Ucrânia está disposta a partilhar a sua experiência em desbloquear rotas comerciais marítimas com os drones navais.
O que é que a Ucrânia recebe em troca?
Para a Ucrânia, os acordos com os países do Golfo constituem uma oportunidade para abrir as suas exportações de armas à escala mundial.
Zelenskyy anunciou em setembro que Kiev estava pronta para dar este passo tão esperado, que transformaria a indústria de defesa do país e permitiria aos parceiros de Kiev aceder ao tipo mais raro de armas - as testadas no campo de batalha.
É por isso que é importante que os acordos tenham sido assinados por um período de dez anos, afirmou Zelenskyy.
"Trata-se de exportações e da abertura das exportações. Mas é o tipo certo de abertura, em que compreendemos que não estamos a vender a nossa experiência a troco de nada".
A principal prioridade de Kiev é a defesa aérea da Ucrânia contra os mísseis balísticos da Rússia. Zelenskyy afirmou que o seu país está a sentir a escassez de mísseis PAC-3 para os sistemas de defesa aérea Patriot.
Apenas cerca de 60 mísseis são produzidos por mês, sendo muitos deles fornecidos ao Médio Oriente.
"Todos os pacotes anti-balísticos - podemos ver como os parceiros estão a dirigir o maior número possível deles para onde as coisas estão mais intensas atualmente, principalmente o Médio Oriente".
Confirmou que a questão tinha sido levantada durante a sua visita ao Golfo, mas recusou-se a fornecer mais pormenores.
"É claro que esta questão foi levantada nos países do Médio Oriente. Não vou entrar em pormenores. Continuaremos a trabalhar para garantir que a Ucrânia seja abastecida nesta área".