Este verão, quem visitar Berlim pode receber vales de entradas gratuitas em atividades na capital alemã por recolher lixo. O projeto "BerlinPay" inspira-se em Copenhaga, e visa premiar comportamentos sustentáveis.
Berlim chama turistas a limparem a cidade para ganharem entradas grátida em museus
Berlim quer mostrar-se no seu melhor no verão e, para isso, chama os turistas a intervirem. Essa é, pelo menos, a ideia de base do conceito "BerlinPay".
Quem participar e, por exemplo, recolher lixo ou apoiar projetos sociais recebe em troca benefícios em museus, nos restaurantes aderentes ou em experiências pela capital alemã. O comportamento sustentável dos viajantes deve ser reconhecido de forma visível. A ideia não é nova, tendo sido inspirada em Copenhaga.
BerlinPay incentiva recolha de lixo para um verão limpo
Neste momento, a cidade de Berlim ainda procura parceiros adequados. A recompensa tem de estar à altura do empenho.
Berlim espera criar um círculo virtuoso: as pessoas envolvem-se, passam a valorizar mais o que as rodeia e sentem-se também mais valorizadas. Como recompensa, recebem uma experiência positiva, que por sua vez pode levar a um novo envolvimento. É assim que a cidade descreve o modelo no site da agência de turismo visitBerlin.
Trata-se, assim, de ter um comportamento responsável junto à água e nas atividades aquáticas. O tema anual da capital alemã é o turismo aquático. Quem, por exemplo, recolher lixo, cuidar do bairro ou apoiar projetos sociais recebe dos parceiros aderentes um reconhecimento: pequenos benefícios ou experiências especiais em Berlim, é como o projeto é apresentado.
Berlim procura, agora, empresas e iniciativas que queiram aderir. A prioridade vai para instituições ligadas aos mundos aquáticos da cidade, como operadores de mobilidade, desportos náuticos ou turismo, estabelecimentos de restauração e entidades culturais e educativas. O tipo de oferta é descrito como flexível, desde pequenos extras até ações próprias.
Enquanto "formato de ação", o "BerlinPay" deverá arrancar no verão de 2026, enquadrado no tema deste ano da capital: turismo aquático. Por detrás do projeto está a secretaria do Senado de Berlim para a Economia, a Energia e as Empresas. A apresentação do programa completo está prevista para meados de maio. Até lá, os pedidos de mais detalhes ficam sem resposta.
Turistas podem ajudar a resolver o problema do lixo em Berlim?
Berlim enfrenta, porém, um problema de lixo cada vez maior. Ainda assim, é de supor que as deposições ilegais, como móveis ou máquinas de lavar antigas, dificilmente sejam da autoria de visitantes.
Os custos de eliminação de lixo ilegal em Berlim ascenderam no ano passado a cerca de 13,1 milhões de euros, face a aproximadamente 10,3 milhões no ano anterior, segundo relatórios da empresa de limpeza urbana de Berlim. O departamento de fiscalização do bairro de Neukölln registou cerca de 15 000 participações por ano relacionadas com lixo.
Para além das deposições ilegais de monos, são sobretudo os pequenos resíduos, como beatas de cigarro ou embalagens, que contribuem de forma significativa para a degradação do espaço público. A política berlinense responde cada vez mais com medidas severas. Um eixo central é o aumento claro das coimas. Desde o final de 2025 vigora um regulamento de coimas mais rígido: deitar uma beata ao chão pode agora custar até 250 euros, em vez dos anteriores 55 euros, e em casos graves a multa pode chegar aos 3 000 euros.
Para monos depositados ilegalmente, as multas variam entre 1 500 e 11 000 euros, e no caso de resíduos perigosos podem chegar aos 15 000 euros. Para além de sanções mais elevadas, a cidade aposta também em mais fiscalização e no reforço de pessoal nos serviços de inspeção municipal. O objetivo é apanhar mais infratores e aplicar as regras de forma mais rigorosa.
Copenhaga dá o exemplo: passeio de barco para quem chega de comboio
As primeiras reações ao programa em Berlim são díspares. "Boa maneira de passar as férias?", pergunta de forma sarcástica uma utilizadora da plataforma X. Outro utilizador brinca e diz que as luvas, as vassouras e a pá estão prontas. Alguns consideram que se deveria, literalmente, começar por varrer a porta de casa.
Outros veem na ideia uma inovação. Na capital dinamarquesa, Copenhaga, onde o conceito existe desde 2024, estudos apontam para efeitos positivos. No âmbito do programa "CopenPay", os turistas podem receber, por exemplo, passeios de barco ou alugueres de bicicleta em troca de um comportamento especialmente sustentável. Já há vales para quem comprove ter viajado de comboio em vez de avião.
Segundo um inquérito, o programa "CopenPay" levou 70% dos turistas a adotarem hábitos mais amigos do ambiente. A conclusão é da organização de turismo da região da capital dinamarquesa, Wonderful Copenhagen.
Sete em cada dez turistas deixam Copenhaga com novas resoluções
Os visitantes em Copenhaga que separam o lixo, utilizam os transportes públicos e optam por atividades como andar de bicicleta ou participar em workshops sobre biodiversidade recebem vales como recompensa. Num projeto-piloto em 2024 participaram 5 000 turistas. No verão seguinte já eram 25 000. Os organizadores registaram um aumento de 59% nos alugueres de bicicletas, bem como um grande interesse de cidades de toda a Europa.
"Nas férias, as pessoas estão mais abertas a novas ideias e, com o 'CopenPay', mostramos que os turistas não só participam de bom grado como também são inspirados a levar para casa mais do que uma simples selfie com a Pequena Sereia: levam novos hábitos", afirmou Rikke Holm Petersen, responsável pela comunicação e pela investigação comportamental na Wonderful Copenhagen, após a segunda temporada.
Segundo a própria organização, mais de 100 entidades e destinos turísticos manifestaram interesse no projeto em Copenhaga, incluindo cidades na Alemanha.
"Isto é apenas o começo", garante Rikke Holm Petersen. "Os viajantes querem fazer a sua parte e desejam iniciativas como o 'CopenPay' nas suas próprias cidades, de Chicago a Sydney".