Enquanto em Itália o orgulho nacional se reflete na arte renascentista, na Suécia destaca-se a democracia e, em Espanha, é o próprio povo que surge como principal motivo de orgulho. Tal revela que os europeus definem a identidade nacional de formas distintas.
Na Europa, o orgulho raramente provém de uma única fonte, e a força do orgulho dos europeus varia ainda mais de país para país.
As artes e a cultura, a história, a gastronomia e a política foram alguns dos temas mencionados pelos inquiridos em nove dos 25 Estados-membros da União Europeia, num estudo do Pew Research Centre que analisava o que faz com que as pessoas se orgulhem do seu país.
Artes e cultura
Quando se trata de orgulho no património cultural, incluindo costumes e tradições, símbolos nacionais, arte e arquitetura, Itália é o país que se destaca.
Cerca de quatro em cada dez italianos afirmam ter orgulho nas suas artes e cultura, elogiando o seu património renascentista e a arquitetura icónica.
Esta é a principal fonte de orgulho nacional para os italianos e, em comparação com todos os outros países inquiridos, estes são os que mais referem as artes e a cultura como fonte de orgulho.
Mas o apreço pelas artes e pela cultura não se limita a Itália: em França, um quarto dos adultos faz o mesmo e elogia o saber-fazer dos seus artistas, como os "artesãos e artesãs que reconstruíram a catedral de Notre Dame".
França também se destaca pela gastronomia, com a população a mencionar a sua capacidade de "apreciar bons vinhos e queijos".
O lema nacional “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” é outro dos aspetos que desperta orgulho entre os franceses. Cerca de dois em cada dez destacam o nível de liberdade existente no país, incluindo a possibilidade de expressarem livremente as suas opiniões e reivindicações.
Hstória e povo
A Grécia lidera o orgulho histórico, com 37% a destacarem a sua civilização antiga, os filósofos e o heroísmo dos seus antepassados.
Além disso, pouco mais de um em cada 10 gregos tem orgulho no seu povo, descrevendo-o como "hospitaleiro e caloroso".
É um tema familiar no sul da Europa: os espanhóis são os que mais se orgulham do povo do seu país (32%). Referem a solidariedade entre os cidadãos, bem como o seu caráter "trabalhador" e "acolhedor".
Na Hungria, o sentimento de orgulho divide-se: 23% dizem não ter orgulho no seu país, enquanto 21% elogiam a sua história e 20% têm o seu povo em grande consideração.
A Hungria destaca-se como um dos poucos países em que as respostas negativas são tão comuns como as fontes de orgulho mais populares.
O orgulho da Polónia reside no seu património e na sua história, incluindo na luta pela independência e no seu papel nos assuntos internacionais. Os polacos também se orgulham das pessoas do seu país, elogiando a sua diligência e trabalho árduo.
Sistema político e economia
O sistema político é uma fonte comum de orgulho nacional em vários países com rendimentos elevados, especialmente na Suécia e na Alemanha.
De facto, 53% dos suecos afirmam estar orgulhosos da forma como o seu país é governado - a maior percentagem a nomear uma única fonte de orgulho nacional em qualquer país inquirido.
Os alemães também tendem a destacar, acima de tudo, o sistema de governo do seu país como motivo de orgulho. Muitos consideram que a democracia alemã está entre as melhores do mundo.
Entretanto, cerca de dois em cada 10 alemães e neerlandeses também se dizem orgulhosos da sua economia e dos serviços prestados pelo seu governo, como os cuidados de saúde, a educação e as infraestruturas.
De acordo com o inquérito, as pessoas que se orgulham dos serviços prestados pelo seu governo mencionam não só o que as beneficia pessoalmente, mas também o que ajuda os mais vulneráveis no seu país.