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Programa de serviço militar voluntário com oferta de carta de condução aprovado pela maioria

Governo quer captar jovens para as Forças Armadas
Governo quer captar jovens para as Forças Armadas Direitos de autor  Armando França/AP
Direitos de autor Armando França/AP
De Ricardo Figueira
Publicado a Últimas notícias
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Os dois projetos de resolução do PSD/CDS sobre o programa "Defender Portugal", que prevê um voluntariado militar de três a seis semanas com oferta da carta de condução, e o "Mente Forte", com vista a promover a saúde mental nas Forças Armadas, foram aprovados no parlamento.

O parlamento português aprovou dois projetos de resolução propostos pelos partidos que sustentam o governo da coligação AD (PSD/CDS), no sentido de criar um serviço militar voluntário para jovens e reforçar o apoio à saúde mental dos militares.

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O primeiro projeto visa criar um programa, chamado "Defender Portugal", dirigido aos jovens dos 18 aos 23 anos, que consiste numa imersão nas Forças Armadas, com duração de três a seis semanas, parte da qual em regime de internato, com o objetivo de fomentar "a formação cívica, física e militar de jovens cidadãos e o reforço da ligação entre a sociedade civil e a Defesa Nacional".

O ponto mais falado deste programa é a oferta da carta de condução, o que vários grupos parlamentares da oposição criticaram. Além de oferecer a carta, o programa "Defender Portugal" inclui também o pagamento de uma "retribuição única" no valor de 439,21 euros.

Ambos os textos são projetos de resolução, sem força de lei, o que significa que funcionam como recomendações ao governo, que decidirá sobre a criação ou não destes programas.

O projeto para a criação do programa "Defender Portugal" foi aprovado com votos a favor das bancadas do PSD, do CDS e da Iniciativa Liberal, abstenções do PS e do Chega e votos contra do PCP, Bloco de Esquerda, Livre, JPP e PAN.

Já o projeto que visa criar o programa "Mente Forte", para reforçar a vigilância da saúde mental no seio das Forças Armadas, foi aprovado por uma maioria mais alargada.

Novos tempos, novas ameaças

O deputado José Lago Gonçalves, do PSD, defendeu, no encerramento do debate, a forma como o "Defender Portugal", além de ser um programa cativante para os jovens, lhes abre a porta a uma possível carreira nas Forças Armadas. João Almeida, do CDS, disse que o programa é uma resposta aos tempos que correm, em que surgem novas ameaças que voltam a fazer com que a Defesa seja necessária, depois de um período em que se chegou a pensar que a paz na Europa tinha vindo para ficar, com o fim da Guerra Fria.

Projeto foi aprovado com os votos a favor do PSD, CDS e Iniciativa Liberal
Projeto foi aprovado com os votos a favor do PSD, CDS e Iniciativa Liberal Armando França/AP

Almeida defende que este programa responde à diminuição de efetivos a que se tem assistido, em especial desde o fim do Serviço Militar Obrigatório (SMO). Relativamente à ausência do governo do debate, muito criticada pela oposição, disse que "o papel dos deputados dos partidos que apoiam o governo não é só bater palmas" ao executivo, mas também apresentar este tipo de propostas.

Tanto o Chega como o Partido Socialista lamentaram que as suas próprias propostas não tivessem sido debatidas simultaneamente. Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, chamou a estes projetos um "número político" que serve para os partidos do governo "fingirem que se preocupam" com estas questões, criticando ainda a oferta da carta de condução como medida-farol do programa.

"Respostas do passado não servem"

Hugo Oliveira, do PS, lembra que o seu partido propôs um estudo sobre o Dia da Defesa Nacional e os programas e modalidades de participação voluntária nas Forças Armadas. O deputado disse que "a relação dos jovens com as Forças Armadas mudou desde o fim do SMO" e que "não se pode responder aos problemas atuais com respostas do passado", lembrando as decisões tomadas em "países inteligentes" como a Bélgica e os Países Baixos, chamando "exercício de marketing político" aos projetos apresentados pela coligação PSD/CDS.

Soldados portugueses no Kosovo em 2006
Soldados portugueses no Kosovo em 2006 Visar Kryesiu/AP (Arquivo)

Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, disse que o programa não consiste em mais do que dizer "faça as três semanas e leve a carta". Miguel Rangel, da Iniciativa Liberal, defendeu o voto a favor nas propostas, não deixando de criticar "o risco de que os jovens se deixem seduzir apenas pelos incentivos" e deixando o aviso de que "este programa não resolve o problema da falta de efetivos".

Inês Sousa Real, do PAN, e Patrícia Gonçalves, do Livre, sublinharam a importância da defesa da saúde mental e a necessidade de uma política feminista no que toca à integração das mulheres nas Forças Armadas, em especial no que diz respeito ao programa "Mente Forte", tendo a nomenclatura deste programa recebido críticas por parte de Mariana Vieira da Silva (PS).

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