Em declarações aos jornalistas, Nuno Melo disse estar ainda a considerar participar, com embarcações, na iniciativa liderada por França e Reino Unido para o Estreito de Ormuz e mostrou-se contra a criação de um "exército europeu".
Nuno Melo, ministro da Defesa português, mostrou-se contra a criação de um exército europeu, destacando a importância de reforçar o orçamento da defesa na NATO.
Esse investimento passa por "dar melhores condições aos nossos militares, por modernizar e melhorar infraestruturas e equipamentos, por estarmos à altura das missões que nos são pedidas”, explicou o ministro da Defesa aos jornalistas, em Bruxelas, no âmbito da reunião dos ministros da Defesa da União Europeia (UE).
Segundo Nuno Melo, citado pela Lusa, esta é uma posição que já tem há vários anos, explicando que "não invalida que no espaço da União Europeia não se articule aquilo que são aspetos fundamentais de uma defesa comum”.
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, presidiu à reunião com os ministros de Defesa da UE, mas antes, numa conferência de imprensa, apelou a uma produção de defesa europeia mais rápida. “Estamos focados na inovação e em projetos conjuntos porque temos muitos projetos em diferentes Estados-Membros que não são interoperáveis”, disse Kallas.
Kaja Kallas reforçou que é preciso incentivar os Estados-membros a fazerem "mais compras conjuntas".
A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança mostrou-se preocupada com a produção da indústria de defesa, apesar do financiamento disponível.
“Os países têm muito financiamento disponível, mas a indústria de defesa não está a aumentar a sua produção”, disse.
Esta terça-feira, 12 de maio, os ministros da Defesa da UE reuniram-se, sob a presidência da Alta Representante Kallas, para discutir temas como o apoio europeu à Ucrânia e a situação no Médio Oriente e suas implicações para a defesa e segurança europeias.
Governo ainda não decidiu se vai participar com meios navais no Estreito de Ormuz
Um dos temas discutidos na reunião entre os ministros da Defesa dos Estados-Membros foi o mandato da operação naval da UE: EUNAVFOR ASPIDES.
Em declarações aos jornalistas, ainda antes da reunião, Nuno Melo disse não terem sido tomadas decisões sobre enviar meios navais portugueses. “É uma questão a considerar no momento próprio depois de tidas todas as reuniões, depois de obtidos todos os dados que nos ajudarão a decidir", disse.
Kaja Kallas, em conferência de imprensa após a reunião, referiu que "tiveram boas discussões sobre as operações ASPIDES" e que a mesma pode ser alargada ao Estreito de Ormuz. "A operação ASPIDES já contribui para a proteção das operações no Mar Vermelho, mas sua atividade deve estender-se ao Estreito de Ormuz, a única coisa é alterar o plano operativo porque o seu mandato já cobre esta função".
Contudo, é necessário "mais embarcações, mais navios", tendo adiantado que, durante a reunião, alguns Estados-Membros se prontificaram a contribuir com mais embarcações para esta operação, o que considerou ser "a forma mais fácil de avançar."
Kallas informou que este é um tema que será ainda levado à próxima ronda da mesa redonda, após a conferência de imprensa, numa reunião presidida pelo Reino Unido e pela França.
A operação ASPIDES foi criada e lançada em fevereiro de 2024 em resposta a ameaças à segurança marítima no Mar Vermelho.
Em março deste ano, o mandato foi prorrogado até fevereiro de 2027, mediante decisão do Conselho em fevereiro de 2026.
Na altura, a discussão centrou-se no alargamento do mandato para cobrir o Estreito de Ormuz, contudo, não foi aceite pelos Estados-membros.
"Ninguém quer entrar ativamente nesta guerra", disse, numa conferência de imprensa, a 16 de março, Kaja Kallas.