A proteção civil é o equivalente interno à defesa e será reforçada. Os ministérios da Administração Interna e da Defesa disponibilizam 10 mil milhões de euros, nomeadamente para novos veículos especiais.
Proteger a população de substâncias radioativas, biológicas ou químicas é uma das missões da proteção civil. Também por isso pretende-se dotar melhor os serviços de socorro, designadamente com fatos de proteção especiais.
A organização de ajuda Malteser, o Technische Hilfswerk e outras entidades reúnem-se por isso em Berlim com o ministro da Defesa, Boris Pistorius, e o ministro do Interior, Alexander Dobrindt.
“O pacto para a proteção da população é muito mais do que um simples programa de investimento”, afirmou o ministro Alexander Dobrindt (CSU).
Alguns detalhes do novo pacto de proteção civil já tinham vindo a público, como noticiou a Euronews. “É um novo pilar estrutural da nossa arquitetura de segurança. Defesa militar e defesa civil têm de estar estreitamente articuladas”, acrescentou Dobrindt.
Para o ministro, a proteção da população e as Forças Armadas são duas faces da mesma moeda.
Mil veículos especiais
O reforço de meios não é necessário apenas nas Forças Armadas; também a segurança interna precisa de ser novamente fortalecida.
A proteção civil não prepara apenas a defesa em caso de conflitos, mas também a resposta a crises e catástrofes. Para tal, proteção da população, proteção civil, organizações de ajuda e estruturas de proteção contra catástrofes têm de trabalhar de forma mais articulada.
Para isso, o ministério do Interior quer criar a célula de coordenação “Comando de Defesa Civil”. Esta passará também a ser a interface com o Ministério da Defesa e definirá legalmente as competências.
No fim, trata-se também de dinheiro: até 2029 deverão ser canalizados 10 mil milhões de euros para a proteção civil. Já se sabe em que serão empregues parte destes fundos.
“Trata-se de mais de mil veículos especiais, a adquirir para um grupo de trabalho médico capaz de atuar em situações com um elevado número de feridos. E de dezenas de milhares de fatos de proteção modernos, indispensáveis em cenários químicos ou biológicos”, enumera Dobrindt.
Além dos novos veículos e de melhor equipamento, três mil milhões de euros deverão ser atribuídos ao Technische Hilfswerk, para contratar mais pessoal e adquirir tecnologia, bem como para modernizar infraestruturas já existentes.
O governo planeia investir, até 2029, dez mil milhões de euros na proteção civil.
Pistorius: 85% da proteção civil assenta no voluntariado
Nos serviços de socorro trabalham cerca de dois milhões de voluntários, lembra Dobrindt. A modernização pretende tornar novamente mais atrativa a atividade voluntária ligada aos primeiros socorros.
Uma campanha de autoproteção, que deverá, por exemplo, preparar alunos para situações de catástrofe, complementa o pacto de proteção civil. Desta forma, cada pessoa pode dar o seu contributo.
“A proteção civil é uma tarefa central de todos nós e é o reverso da mesma moeda, cuja outra face são as capacidades militares para proteger o nosso país”, sublinha o ministro da Defesa. “Sem segurança, tudo o resto não vale nada”, reforça.
À parte as polícias e algumas outras organizações profissionais, mais de 85% da segurança na Alemanha assenta nos ombros de voluntários, explicou Pistorius.
A cooperação com o Ministério Federal da Defesa não é nova: até agora, as Forças Armadas têm, por exemplo, apoiado operações de descontaminação ou de assistência médica, e realizam-se regularmente exercícios conjuntos.
Desenvolver novo conceito para abrigos
Além disso, a aplicação de alerta NINA deverá ganhar novas funcionalidades: no futuro, permitirá localizar o abrigo mais próximo. De forma geral, Dobrindt e o ministro da Defesa, Boris Pistorius (SPD), pedem uma mudança de abordagem em relação aos abrigos de proteção.
“Na altura, menos de 2% da população tinha acesso a este tipo de abrigos dos anos 80. Hoje enfrentamos uma ameaça completamente diferente da que se imaginava então”, afirma Dobrindt.
Atualmente, os tempos de aviso são mais curtos. Como abrigos podem também servir parques de estacionamento subterrâneos, túneis e caves. Pistorius recorda as experiências que teve na Ucrânia.
“Toca o alarme, as pessoas recebem instruções para ir para o bunker, abrigo, cave ou divisão interior mais próxima e, depois, é dada indicação de fim de alerta”, descreve.
“Não raras vezes é comunicado que tipo de míssil está a caminho e qual a dimensão do perigo; ou seja, toda a lógica do sistema mudou por completo.”
Para o ministro, o conceito dos anos 80 já não funciona hoje. “Por isso, nunca poderá ser objetivo garantir um lugar em abrigo para 80 milhões de alemães; isso não é exequível nem necessário”, conclui.
No arranque do programa, foram entregues 13 novos veículos a unidades de vários estados federados na estação central de Berlim. No futuro, o “Comando de Defesa Civil” do Ministério do Interior deverá funcionar como ponte entre a segurança militar e a segurança civil.