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Ucrânia volta a sepultar restos mortais de líder nacionalista polémico da II Guerra

Cerimónia assinala reenterro dos restos mortais do líder militar ucraniano do século XX Andrii Melnyk, região de Kiev, 25 de maio de 2026
Cerimónia assinala reenterro dos restos mortais do líder militar ucraniano do século XX Andrii Melnyk, região de Kiev, 25 de maio de 2026 Direitos de autor  X account of Volodymyr Zelenskyy, president of Ukraine
Direitos de autor X account of Volodymyr Zelenskyy, president of Ukraine
De Sasha Vakulina
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A Ucrânia voltou a sepultar os restos mortais repatriados de Andrii Melnyk, líder nacionalista controverso que chegou a colaborar com a Alemanha nazi.

Foram repatriados e novamente sepultados na segunda-feira, no Cemitério Militar Nacional, perto de Kiev, os restos mortais do líder militar ucraniano do século XX Andrii Melnyk e da sua mulher, Sofiia Fedak-Melnyk.

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Na cerimónia estiveram presentes o presidente Volodymyr Zelenskyy e outros responsáveis ucranianos.

As cinzas desta figura central da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) e da sua esposa foram exumadas na semana passada, no Luxemburgo, e transportadas depois para a Ucrânia.

"Hoje vemos todos que a ideia ucraniana pode superar o que antes parecia absolutamente intransponível", disse Zelenskyy na cerimónia de segunda-feira.

"Agora que estamos em solo ucraniano, sob a nossa bandeira ucraniana, ao som do hino nacional ucraniano, a prestar a devida homenagem aos nossos heróis ucranianos, sentimos no coração tudo o que os ucranianos foram obrigados a atravessar, tudo o que o nosso povo teve de suportar".

Figura controversa

Nascido em 1890, Melnyk foi coronel no Exército da República Popular da Ucrânia e estreito companheiro de armas de Yevhen Konovalets, comandante militar e dirigente político da OUN.

Depois de Konovalets ter sido assassinado em 1938 pela polícia secreta soviética, o NKVD, a OUN dividiu-se em duas fações: a OUN-M, liderada por Melnyk, e a OUN-B, mais radical, liderada por Stepan Bandera.

Até hoje, ambas as fações são alvo de forte controvérsia devido às suas atividades em tempo de guerra, incluindo a colaboração com a Alemanha nazi durante a Segunda Guerra Mundial, motivadas pela oposição ao domínio soviético.

A Alemanha nazi, porém, rejeitou a perspetiva de um Estado ucraniano independente e depressa se voltou contra Melnyk e outros dirigentes ucranianos.

Melnyk foi inicialmente colocado em prisão domiciliária antes de ser deportado para o campo de concentração de Sachsenhausen.

Morreu na Alemanha em 1964 e foi depois sepultado no Luxemburgo.

"Ao trazermos o coronel Andrii Melnyk e a sua mulher, Sofiia, de volta à Ucrânia — pela Transcarpátia e depois por metade do país até à nossa capital livre, Kiev — este percurso não foi marcado pela discórdia que tantas vezes no passado nos derrubou, a nós e à Ucrânia", escreveu Zelenskyy na rede social X.

"Não houve dúvidas sobre quem é o verdadeiro inimigo da Ucrânia e quem são os seus amigos, parceiros e irmãos."

A cerimónia de sepultamento de segunda-feira decorreu no Memorial Militar Nacional, na região de Kiev, um cemitério ao estilo de Arlington inaugurado no ano passado para soldados mortos nas invasões russas da Ucrânia.

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