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Chefe de ciberespionagem do Reino Unido diz que IA é “força imparável” e alerta para ameaças russas

Mostrador numérico de códigos de erro no interior de um computador, em Jersey City, 23 de fevereiro de 2019
Mostrador de números de códigos de erro no interior de um computador em Jersey City, 23 de fevereiro de 2019 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gavin Blackburn
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Nos últimos meses, as autoridades de países como a Suécia, a Polónia, a Dinamarca e a Noruega denunciaram que piratas informáticos ligados à Rússia visaram infraestruturas críticas, incluindo centrais elétricas e barragens.

A inteligência artificial é "uma força imparável" que está a ser transformada em arma de formas que beiram a guerra convencional, advertiu, esta quarta-feira, a responsável máxima pelos serviços britânicos de ciberespionagem.

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Anne Keast-Butler, diretora da agência de inteligência das comunicações GCHQ, afirmou também que o Reino Unido e os seus aliados vivem "num espaço entre a paz e a guerra", num momento em que a Rússia intensifica a sua "atividade híbrida diária" contra o Ocidente, quando as mortes de combatentes russos na Ucrânia se aproximam das 500 mil.

Segundo a responsável, o Ocidente corre o risco de perder o confronto no ciberespaço contra a Rússia e outros adversários, a menos que cidadãos, empresas e governos encarem a cibersegurança com muito maior urgência.

"Passei três décadas a trabalhar na segurança nacional e o risco de erro de cálculo é tão elevado como nunca vi antes", afirmou Keast-Butler num discurso proferido num centro de descodificação da Segunda Guerra Mundial, perto de Londres.

A responsável declarou ainda que "as empresas tecnológicas estão a lançar inovações baseadas em IA a um ritmo impressionante, com consequências imprevisíveis, à medida que os algoritmos são transformados em armas, muitas vezes logo abaixo do limiar da guerra convencional".

"A IA é uma força imparável com enormes oportunidades", acrescentou. "Mas é também uma força cheia de riscos".

Diretora do GCHQ Anne Keast-Butler profere a sua primeira conferência anual em Bletchley Park, 27 de maio de 2026
Diretora do GCHQ Anne Keast-Butler profere a sua primeira conferência anual em Bletchley Park, 27 de maio de 2026 AP Photo

Ameaça da Rússia

Keast-Butler apontou a Rússia como a principal ameaça, acusando Moscovo de "visar incessantemente infraestruturas críticas, processos democráticos, cadeias de abastecimento e a confiança do público" no Reino Unido e na Europa, bem como de roubar tecnologia e planear ações de sabotagem e tentativas de assassinato.

"A Rússia está a intensificar a sua atividade híbrida diária contra o Reino Unido e a Europa, que abrange desde o fundo do mar até ao ciberespaço", declarou perante uma audiência de especialistas em informática, diplomatas, jornalistas e altos responsáveis.

"Uma das nossas principais prioridades é proteger os dados e a energia que circulam através dos cabos e gasodutos críticos nas águas britânicas e à sua volta", acrescentou. "Fazemo-lo revelando a intenção, os motivos e as capacidades submarinas da Rússia".

Uma mulher percorre uma rua cheia de escombros onde se encontram veículos militares russos destruídos em Bucha, nos arredores de Kiev, 3 de abril de 2022
Uma mulher percorre uma rua cheia de escombros onde se encontram veículos militares russos destruídos em Bucha, nos arredores de Kiev, 3 de abril de 2022 AP Photo/Rodrigo Abd

Ao mesmo tempo, afirmou que as tropas russas "estão a recuar no campo de batalha", com novas informações de inteligência a sugerirem que "quase meio milhão de soldados russos" morreram desde a invasão em grande escala da Ucrânia em fevereiro de 2022.

Este discurso é o mais recente de uma série de alertas por parte de especialistas dos serviços de informações ocidentais de que a Rússia está a intensificar atividades hostis numa "zona cinzenta" que fica logo abaixo do limiar da guerra.

Nos últimos meses, as autoridades de países como a Suécia, a Polónia, a Dinamarca e a Noruega denunciaram que piratas informáticos ligados à Rússia atacaram infraestruturas críticas, incluindo centrais elétricas e barragens.

No mês passado, o diretor do Centro Nacional de Cibersegurança do Reino Unido, Richard Horne, alertou que os ciberataques mais graves enfrentados pelo país são da responsabilidade de Estados hostis, incluindo a Rússia, a China e o Irão. Advertiu que estes ataques podem aumentar de forma dramática se o Reino Unido se envolver num conflito internacional.

Exterior de Bletchley Park, em Buckinghamshire, 15 de janeiro de 2015
Exterior de Bletchley Park, em Buckinghamshire, 15 de janeiro de 2015 AP Photo

Keast-Butler afirmou que os avanços rápidos na inteligência artificial fazem com que "o terreno debaixo dos nossos pés se mova" e que existe uma "janela cada vez mais estreita para o Reino Unido e os seus aliados se manterem à frente" de países como a China, uma "superpotência" em ciência e tecnologia.

Sustentou que é necessário um esforço "dos conselhos de administração às salas de estar" para tornar a cibersegurança "dez vezes mais urgente".

Segundo a chefe dos serviços de espionagem, o GCHQ está a desenvolver um plano para "integrar diretamente IA autónoma de última geração numa defesa cibernética à velocidade das máquinas". Utilizada de forma responsável, a IA pode ajudar os serviços secretos a "aperfeiçoar algoritmos, traduzir línguas estrangeiras e encontrar agulhas em palheiros mais depressa do que nunca".

Keast-Butler sublinhou ainda a importância das parcerias internacionais num momento em que a política externa "America First" do Presidente norte-americano, Donald Trump, e o afastamento em relação a aliados de longa data exercem pressão sobre a relação entre Londres e Washington.

A responsável afirmou que a parceria de inteligência entre o Reino Unido e os Estados Unidos da América é "fundamental para a segurança de ambas as nações".

Uma máquina Enigma exposta no museu de Bletchley Park, na cidade de Bletchley, 15 de janeiro de 2015
Uma máquina Enigma exposta no museu de Bletchley Park, na cidade de Bletchley, 15 de janeiro de 2015 AP Photo

O GCHQ (Government Communications Headquarters) é a agência de inteligência eletrónica e cibernética do Reino Unido. Trabalha em estreita articulação com o serviço de segurança interna MI5 e com o serviço de informações externas MI6.

Keast-Butler, a primeira mulher a dirigir a agência, proferiu a conferência anual do diretor do GCHQ na sede desta, em Bletchley Park, uma casa senhorial situada a 72 quilómetros a noroeste de Londres, onde centenas de matemáticos, criptógrafos, entusiastas de palavras cruzadas, mestres de xadrez e outros especialistas trabalharam para decifrar os códigos secretos, considerados inquebráveis, da Alemanha nazi.

O seu trabalho encurtou a guerra e acelerou o advento da informática moderna.

Outras fontes • AP

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