O populista Janez Janša assume o cargo de primeiro-ministro pela quarta vez. Desta feita, o Partido Democrático Esloveno governará em conjunto com quatro parceiros de coligação de direita. Prometem reformas fiscais e orçamentais, combater a corrupção e melhorar a situação dos idosos.
O novo governo já tomou posse na Eslovénia. O parlamento esloveno aprovou o executivo de centro-direita de Janez Janša, que promete reduções fiscais, racionalização das despesas orçamentais e combate à corrupção.
Janša é um político populista, fervoroso admirador do presidente dos Estados Unidos, e assume pela quarta vez a liderança do governo na Eslovénia. Afirma que os seus ministros representam o país na sua totalidade, uma vez que provêm de diferentes regiões da Eslovénia e pertencem a diferentes gerações.
"Muito obrigado pelas felicitações e pelos votos de boa sorte. Todos nós estamos contentes pelo facto de as coisas estarem a avançar na direção certa, pelo que devemos agradecer ao antigo primeiro-ministro e a todo o governo pelo trabalho bem feito; merecem um pouco menos de agradecimento pelo que correu mal, mas iremos corrigir isso", afirmou Janez Janša, na quinta-feira, no parlamento de Liubliana.
Acrescentou ainda que os novos ministros assumirão as suas funções na sexta-feira, substituindo os seus antecessores, e que só depois poderá ser feita uma avaliação da situação.
O novo governo é composto por 15 ministros, sete dos quais são do partido de Janša, o Partido Democrático Esloveno.
Fim do impasse, que venham as reformas
Com a decisão tomada na quinta-feira pelo parlamento esloveno, chegou ao fim a incerteza que se arrastava há vários meses, iniciada com as eleições de março, que terminaram com resultados disputados. Os liberais conquistaram o primeiro lugar por uma margem estreita e o primeiro-ministro cessante, Robert Golob, não conseguiu formar um novo governo.
Por sua vez, o Partido Democrático Esloveno formou uma coligação com outros quatro partidos de direita e conseguiu o apoio externo do Verdade, um partido antissistema, garantindo assim uma maioria de dois terços das forças governamentais no parlamento.
Segundo Janez Janša, a Eslovénia enfrenta graves problemas estruturais, como demonstram os elevados impostos, o défice orçamental cada vez maior e as previsões desanimadoras das agências de notação internacionais, que dizem respeito ao crescimento económico, à evolução da inflação e às despesas públicas.
Referiu também a extensa burocracia como um fator desfavorável e, na sua opinião, o excesso de regulamentação atrasa os processos em várias áreas. Considera que a reforma do mecanismo governamental de tomada de decisões não pode ser adiada, pois, na sua opinião, o governo central não é necessariamente o órgão competente em assuntos locais.
Novo governo enfrenta tarefa difícil
Na Eslovénia, a regulamentação do sistema de segurança social e de prestações sociais, em particular no que diz respeito aos subsídios de subsistência, constitui atualmente uma das principais fontes de tensão. A isto acresce a crise habitacional resultante do aumento incessante dos preços imobiliários, bem como um sistema de saúde cada vez mais sobrecarregado devido ao envelhecimento da população. A este respeito, Janša observou, no seu discurso no parlamento na quinta-feira, que consideram a melhoria da situação dos idosos uma das suas tarefas mais urgentes.
A Eslovénia está entre os Estados-membros da União Europeia com economias mais desenvolvidas, situando-se no terço superior da tabela de classificação. O seu PIB per capita situa-se tipicamente em torno de 90 a 95 por cento da média da UE. Isto coloca-a ao nível de países como Espanha ou Itália.