Nesta newsletter: entrevistas exclusivas com a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, e com o comissário europeu para a Migração, Magnus Brunner.
Bom dia. Mared Gwyn consigo na newsletter desta sexta-feira.
Se perdeu a ação do jogo de abertura do Mundial de futebol de ontem à noite, no histórico Estadio Azteca, na Cidade do México – que contou com uma atuação vibrante da estrela colombiana Shakira, três cartões vermelhos e uma vitória convincente da equipa da casa –, temos um resumo para si.
Mas antes disso, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, disse ao Europe Today que a UE enfrenta um “difícil exercício de equilíbrio” ao lidar com o impacto económico da guerra no Irão.
“Infelizmente, as condições pioraram desde que apresentámos, em abril, projeções para o crescimento e a inflação na Europa”, explicou Georgieva. “Estão agora ainda piores, por isso estamos a rever em baixa as projeções para a zona euro e, de novo, a rever em alta as projeções de inflação.”
A responsável do FMI apelou também à UE para garantir que o seu orçamento, atualmente em negociação, tenha a “força para impulsionar a produtividade e o crescimento na Europa”, acrescentando que isso implica “financiar em conjunto os domínios em que a Europa, unida, pode ter mais impacto” – numa defesa de novos empréstimos conjuntos. Veja.
Responsável pela migração na UE procura alinhar-se com o Papa: com a entrada hoje em vigor do novo e abrangente quadro de regras da UE em matéria de asilo e migração, o comissário europeu para a migração, Magnus Brunner, disse à Euronews que Bruxelas está em sintonia com as posições do papa Leão XIV sobre a proteção dos migrantes.
Questionado sobre os comentários do papa Leão durante a visita que fez ontem às Ilhas Canárias, em Espanha – onde afirmou, numa missa campal, que a história irá condenar os líderes que ignoram as mortes de migrantes –, Brunner disse à minha colega Angela Skujins: “Tive oportunidade de me encontrar pessoalmente com o Papa há alguns meses e tive uma conversa com ele exatamente sobre esse tema.”
“E sim, claro, a dignidade humana, o direito internacional, tudo isso está igualmente no centro das reformas da UE”, acrescentou. “Temos também, enquanto União Europeia, a responsabilidade de proteger as pessoas cuja vida está ameaçada nos seus países de origem, e é isso que tentamos fazer.”
As declarações de Brunner coincidiram com a visita do papa Leão a Espanha – país que segue uma linha distinta da tendência mais restritiva da UE em matéria de migração –, onde se encontrou com migrantes e trabalhadores humanitários na ilha de Gran Canaria, parte do arquipélago espanhol que se tornou destino de uma importante rota migratória a partir de África Ocidental e através do Atlântico.
As declarações surgiram também às vésperas da entrada em vigor do Pacto da UE sobre Migração, um novo quadro legislativo abrangente concebido para acelerar os procedimentos de asilo, aliviar a pressão sobre os países do sul na linha da frente e acelerar o regresso dos migrantes considerados sem direito legal a permanecer na UE.
As novas regras respondem a uma crescente pressão da opinião pública sobre a migração e a um notório desvio para a direita em vários governos europeus, mas têm sido criticadas por alegadamente enfraquecerem os direitos fundamentais de migrantes e refugiados.
Na quinta-feira, o Papa deixou uma crítica velada à mudança de discurso político sobre migração, afirmando que “a dignidade humana não tem passaporte e não perde o seu valor ao atravessar uma fronteira”.
Um dos aspetos mais controversos da reforma da UE é a possibilidade de os Estados-membros criarem, fora do território da União, os chamados “centros de retorno”, para onde poderão ser enviados requerentes de asilo recusados.
O Pacto tem sido igualmente criticado por não garantir uma verdadeira solidariedade entre Estados-membros. Estimam-se apenas 9 000 relocalizações através do chamado mecanismo de solidariedade voluntária – que permitirá aos países na linha da frente transferir requerentes de asilo para outros Estados da UE sem pressão migratória –, muito aquém da meta mínima de 30 000 relocalizações.
Em destaque hoje: os embaixadores da UE reúnem-se às 18h00 CET (sim, numa sexta-feira) para discutir, entre outros temas, a posição comum para abrir o primeiro bloco de negociações de adesão com a Ucrânia e a Moldávia. Esta posição comum é um passo indispensável para realizar a conferência intergovernamental na próxima segunda-feira.
Diplomatas disseram ao meu colega Jorge Liboreiro que é muito provável um acordo esta sexta-feira. Depois de a Hungria ter levantado o veto na semana passada, o processo interno tem decorrido sem sobressaltos. Importa recordar que a posição comum foi redigida há meses, em antecipação deste avanço. É acompanhada por um roteiro sobre o Estado de direito e por um plano de ação para os direitos das minorias, que foi o principal ponto de discórdia entre Budapeste e Kiev.
Mas os embaixadores têm mais trabalho pela frente. No domingo, terão o primeiro debate sobre a proposta de orçamento revista apresentada pela presidência cipriota. A chamada “nego-box” foi oficialmente apresentada ontem pela presidência de Chipre com um corte de 2%, equivalente a 32,8 mil milhões de euros.
Como seria de esperar, ninguém ficou satisfeito. Os Países Baixos e a Suécia, dois dos autoproclamados países “frugais”, rejeitaram de imediato a proposta, apelidando-a de “no-go box” (trocadilho incluído). “É incomportável, desequilibrada e com o foco errado”, afirmou o ministro das Finanças neerlandês. Os autodenominados “Amigos da Coesão” também estão descontentes, porque o corte de 2% atinge igualmente os fundos de coesão e agrícolas, duas rubricas politicamente sensíveis. A italiana Giorgia Meloni denunciou os cheques-compensação para os países mais ricos**.**
Antecipando a contestação, Marilena Raouna, vice-ministra cipriota para os Assuntos Europeus, defendeu a proposta como um compromisso “equilibrado” entre campos políticos “fortes e opostos”. “Isso era evidente desde o início”, disse Raouna aos jornalistas. “E, no entanto, todos concordamos que este orçamento tem de permitir que a União cumpra as suas prioridades estratégicas.”
Leia mais sobre a nego-box.
Kallas defende serviço diplomático da UE perante funcionários enquanto se intensifica o debate sobre o futuro
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, saiu em defesa do seu próprio serviço de política externa num email interno a que a Euronews teve acesso, numa altura em que se intensificam, nas principais capitais europeias, as discussões sobre como reformar o serviço diplomático do bloco.
O Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) e o papel do alto representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança estão sob crescente escrutínio, à medida que os governos da UE procuram tornar a política externa do bloco mais ágil num cenário global cada vez mais volátil.
Paris tem liderado os esforços para esboçar como poderia ser uma remodelação do serviço diplomático da UE, distribuindo um documento de reflexão com várias opções de reforma. Algumas propostas reduziriam os poderes do alto representante, cargo atualmente ocupado por Kallas, enquanto outra alargaria a sua autoridade em áreas políticas-chave.
“A relação entre o SEAE, a Comissão e os Estados-membros é debatida desde que o serviço foi criado. Face aos desafios geopolíticos sem precedentes que enfrentamos, é natural que estas discussões voltem a ganhar atenção e se tornem mais intensas”, escreveu Kallas no email interno a que a Euronews teve acesso na quinta-feira.
Maria Tadeo e Luca Bertuzzi têm todos os detalhes.
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- Conferência ministerial informal para assinalar a entrada em vigor do Pacto da UE sobre Migração prossegue em Nicósia, Chipre.
- A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, visita a Eslováquia e reúne-se com o primeiro-ministro Robert Fico.
Por hoje é tudo. Jorge Liboreiro contribuiu para esta newsletter. Voltamos na segunda-feira.