Skrepetsky era conhecido pelas suas caricaturas, por vezes provocadoras, que tinham como alvo figuras políticas russas de destaque, desde Putin até ao líder soviético Estaline.
Um artista russo conhecido por fazer sátiras ao presidente Vladimir Putin foi morto a tiro no leste da Polónia, anunciaram as autoridades na terça-feira.
"Está a ser conduzida uma investigação... sobre o homicídio de um cidadão da Federação Russa, de 44 anos... conhecido nos meios de comunicação social como Semyon Skrepetsky", afirmou aos jornalistas Marcin Kozak, porta-voz do Ministério Público de Lublin.
Dois cidadãos bielorrussos foram detidos por suspeitas de ligação ao homicídio, acrescentou.
Foram detidos nas proximidades do consulado bielorrusso em Biała Podlaska, no leste da Polónia, onde ocorreu o homicídio.
Segundo as autoridades polacas, Skrepetsky, cujo nome verdadeiro é Robert Kuzovkov, foi alvejado três vezes na manhã de segunda-feira por um atirador não identificado, armado com uma pistola.
Quando o artista caiu no chão, foi abordado pelo agressor, que disparou mais dois tiros à queima-roupa.
Neste momento, "não foram apresentadas acusações" contra os dois bielorrussos detidos, afirmou Kozak, acrescentando que "eles continuam à disposição do Ministério Público e da polícia".
Skrepetsky era conhecido pelas suas caricaturas, por vezes provocadoras, que tinham como alvo figuras políticas russas proeminentes, desde Putin e o líder soviético Estaline até à figura da oposição Alexei Navalny e ao chefe da República da Chechénia, Ramzan Kadyrov.
Uma das suas obras mais conhecidas reinterpreta um ícone ortodoxo clássico, retratando Estaline a embalar Putin no lugar da Mãe de Deus a segurar o menino Jesus.
Skrepetsky mudou-se para a Polónia em 2021, alegando temer perseguição política na Rússia.
No exílio, manteve uma postura contrária ao regime, participando em eventos da oposição russa enquanto criticava abertamente a própria oposição.
Padrão mais abrangente
A morte de Skrepetsky insere-se num padrão mais alargado que caracteriza o destino dos artistas, ativistas e figuras da oposição russos que criticam o Kremlin.
Um dos símbolos mais conhecidos dessa dissidência continua a ser a banda punk Pussy Riot, cujas artistas, presas e perseguidas por protestos contra Putin, organizaram uma manifestação em Veneza, a 6 de maio, contra a presença da Rússia na 61.ª Exposição Internacional de Arte, a Bienal.
Nos últimos anos, muitos opositores de Vladimir Putin foram forçados ao exílio e alguns enfrentaram ameaças, perseguição ou processos criminais.
O caso mais mediático continua a ser o de Alexei Navalny, que, após ter sido envenenado e detido, faleceu numa colónia penal russa em 2024.
O Kremlin nega qualquer envolvimento na morte do líder da oposição. Após o seu óbito, o Kremlin acusou o Ocidente de explorar o caso contra a Rússia e descreveu as críticas dos líderes ocidentais como "inaceitáveis".
Em 2025, a viúva do líder da oposição, Yulia Navalnaya, anunciou que análises realizadas por laboratórios estrangeiros, com o apoio dos governos de cinco países, tinham detetado a presença de epibatidina — uma potente neurotoxina presente no veneno de certas espécies de rãs — em amostras recolhidas do corpo de Alexei Navalny.