A Igreja Luterana da Suécia, com cerca de 5,4 milhões de fiéis num país de 10,6 milhões de habitantes, separou-se formalmente do Estado sueco em 2000.
A Igreja da Suécia anunciou esta terça-feira ter aberto um inquérito à mulher do primeiro-ministro, Ulf Kristersson, que é pastora luterana, após notícias na comunicação social levantarem questões éticas sobre o seu papel numa fundação de cariz espiritual que dirige.
A Igreja adiantou que foram apresentadas queixas à diocese local de Birgitta Ed e que o cabido decidiu abrir um inquérito à sua idoneidade para exercer o ministério pastoral, sem precisar a natureza das denúncias.
Ed tem estado recentemente sob escrutínio depois de o jornal Aftonbladet ter publicado uma série de artigos sobre a sua fundação Fållöknastiftelsen.
Segundo o jornal, a fundação recrutou voluntários para angariar fundos e renovar a casa senhorial da instituição, em troca de um “bom círculo” de contactos e de reuniões realizadas na residência oficial do primeiro-ministro.
De acordo com o Aftonbladet, Ed, que usa frequentemente a gola clerical quando aparece em público com o marido, terá também recorrido aos seus contactos na Igreja para obter donativos e serviços gratuitos, como apoio informático, para a fundação.
No comunicado, a Igreja indicou que investigações deste tipo costumam demorar “alguns meses”, após o que a decisão é tornada pública, mas que não serão feitos comentários durante o inquérito.
“A investigação pode não resultar em qualquer medida disciplinar ou, em alternativa, levar a que a pastora receba uma de três sanções”, referiu a Igreja.
As possíveis sanções incluem “uma advertência escrita, um período de prova para a manutenção da autorização para exercer o ministério ordenado ou uma declaração de que a pastora deixa de estar autorizada a exercer o ministério ordenado”.
A Igreja Luterana da Suécia, que tem cerca de 5,4 milhões de membros num país com 10,6 milhões de habitantes, separou-se formalmente do Estado sueco em 2000.
A abertura do inquérito surge numa altura em que o país escandinavo se prepara para realizar eleições legislativas em setembro, com as sondagens a darem vantagem à oposição de esquerda face ao governo minoritário de direita de Kristersson, apoiado pelo partido de extrema-direita Democratas da Suécia.