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União Europeia sanciona influencer, especialista em relações públicas e bispo por desinformação

À esquerda, a bandeira europeia tremula no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, leste de França, em 18 de abril de 2023
À esquerda, a bandeira europeia hasteia-se no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, leste de França, em 18 de abril de 2023 Direitos de autor  AP Photo
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De Estelle Nilsson-Julien
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Em 15 de junho, o Conselho da União Europeia acrescentou 10 indivíduos e uma entidade à lista de sanções, acusando-os de manipulação híbrida e ingerência externa em nome da Rússia.

Conselho da União Europeia acrescentou 34 pessoas e 47 entidades à sua lista de sanções em 15 de junho, incluindo 10 pessoas e uma entidade acusadas de "espalhar desinformação destinada a justificar, promover ou legitimar a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia".

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Na prática, isto significa que os seus bens serão congelados e que os cidadãos e empresas da UE ficam proibidos de lhes fornecer fundos ou ativos financeiros.

À primeira vista, algumas destas pessoas, como a influenciadora de viagens russo-americana Alexandra Jost, podem parecer alvos pouco habituais para sanções.

Jost, nascida em Hong Kong, usa o nome Sasha Meets Russia nas redes sociais, onde partilha conteúdos sobre tradições e cultura russas, a par de vlogs de viagens.

Alexandra Jost
Alexandra Jost Social media, Alexandra Jost/ Sasha Meets Russia

Por detrás desta aparência aparentemente inocente, insere propaganda e mensagens pró-russas; segundo o Conselho da União Europeia, ela "construiu uma base vasta de seguidores sob o pretexto de fazer cobertura cultural, concentrando-se, porém, em propaganda pró-guerra e pró-Kremlin no que respeita à Ucrânia e apoiando o aparelho político do Kremlin e as Forças Armadas russas".

Antes da aplicação destas sanções recentes, o YouTube e o Instagram decidiram encerrar, em março de 2025, as contas de Jost nas suas plataformas, alegando que "em particular, ela tem difundido desinformação e apoiado as pretensões territoriais neocoloniais da Rússia sobre a Ucrânia e a invasão militar da Ucrânia".

"Por exemplo, ao dirigir-se ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, afirmou que a Crimeia é Rússia e em breve toda a Ucrânia também o será", referiu o Conselho.

Em 15 de junho, Jost reagiu às sanções num vídeo divulgado na rede X.

"Eles até incluíram uma razão interessante para me sancionarem: escreveram que respondi a Volodymyr Zelenskyy no X e disse que a Crimeia é Rússia e que em breve toda a Ucrânia também será", disse aos seguidores. "Então, onde está a mentira? Qual é o problema?"

Outros argumentos pró-russos reproduzidos por Jost incluem referências à guerra na Ucrânia como "operação militar especial", em vez da invasão em grande escala desencadeada por Moscovo.

No quarto aniversário da invasão, Jost recorreu ao X para divulgar mensagens semelhantes, escrevendo: "Quatro anos depois, tornou-se claro para mim que este conflito já não é apenas Rússia vs Ucrânia. É Bem vs Mal. Moralidade vs Degeneração. É uma guerra tanto no plano físico como espiritual."

"Juntos, permaneceremos firmes. Para defender, para dissuadir, para derrotar", acrescentou.

Noutras publicações, afirmou ainda, de forma falsa, que, ao contrário da Rússia, a Ucrânia é uma ditadura.

"As pessoas adoram dizer-me que vivo numa 'ditadura'. Mas o presidente da Rússia foi eleito, ao contrário da vizinha Ucrânia, onde as eleições são simplesmente canceladas… portanto, qual é mesmo a ditadura?", escreveu em 26 de maio.

Devido à invasão russa, a Ucrânia está sob lei marcial e, de acordo com a Constituição ucraniana, o país não pode realizar eleições enquanto essa situação se mantiver.

Em abril de 2025, Jost afirmou no Telegram que nunca foi paga para falar do seu amor pela Rússia e descreveu-se como patriota.

Ainda assim, segundo a UE, produziu conteúdos enquanto recebia pagamentos da TV-Novosti, a entidade jurídica por detrás do canal estatal russo Russia Today, já sancionado pela União Europeia.

Os canais de Jost no Instagram e no YouTube foram encerrados em março de 2025, o que dificulta a difusão das suas mensagens junto dos públicos ocidentais.

Outros visados por sanções: especialista em relações públicas e bispo

Maria Dudko, diretora da agência russa de relações públicas "Limitless" (Bezgranichnye), integra também a lista de pessoas sancionadas pela União Europeia em 15 de junho.

Ao contrário de influenciadoras como Alexandra Jost, Dudko atua nos bastidores para gerir "influenciadores ocidentais que repetem as narrativas do Kremlin e os argumentos de propaganda pró-guerra, desestabilizando assim a Ucrânia e os seus aliados ao inundar o espaço informativo com desinformação", segundo o Conselho da União Europeia.

A organização de Dudko é financiada pelo governo russo através da Fundação Presidencial para Iniciativas Culturais, a mais recente entidade sancionada por operações de manipulação e ingerência externas.

Georgiy Shevkunov, frequentemente descrito como o "confessor pessoal" de Putin, também foi sancionado. O bispo da Igreja Ortodoxa Russa, é conhecido como Tikhon Shevkunov.

O Conselho acrescentou que "Shevkunov difunde sistematicamente desinformação pró-Kremlin, incluindo alegações de 'nazismo' na Ucrânia. Nega igualmente a soberania da Ucrânia e justifica a invasão russa do país como necessária, defensiva e legitimada por Deus".

"Através de sermões, plataformas mediáticas, projetos culturais financiados pelo Estado e angariação direta de fundos para tropas russas na Crimeia ocupada, promove e favorece as ações militares da Rússia", acrescentou.

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