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Suíça a caminho de referendo sobre construção de novas centrais nucleares

Central nuclear de Beznau, no rio Aare, 16 de outubro de 2021
Central nuclear de Beznau no rio Aare, 16 de outubro de 2021 Direitos de autor  CC BY-SA 4.0/JoachimKohler-HB
Direitos de autor CC BY-SA 4.0/JoachimKohler-HB
De Gavin Blackburn
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Durante os debates no parlamento, o ministro da Energia, Albert Rosti, salientou a necessidade de manter em aberto a opção da energia nuclear para garantir o abastecimento energético do país a longo prazo.

O parlamento suíço aprovou, na quinta-feira, um plano governamental controverso para a construção de novas centrais nucleares, revogando uma proibição de 2018 e colocando o país no caminho para um referendo.

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A Câmara Baixa do parlamento juntou-se à Câmara Alta no apoio a uma proposta do governo para reverter a proibição imposta na sequência de um referendo vencido pelos ativistas antinucleares em 2017.

Durante os debates no parlamento, o ministro da Energia, Albert Rosti, salientou a necessidade de manter em aberto a opção da energia nuclear para garantir o abastecimento energético do país a longo prazo.

Ambas as câmaras afirmam que a autorização para novas centrais nucleares só pode ser concedida se o financiamento estiver assegurado.

Entretanto, caberá aos eleitores suíços ter a palavra final.

Eleitores fazem fila para votar na Câmara Municipal de Zurique, num referendo a 28 de novembro de 2021
Eleitores fazem fila para votar na Câmara Municipal de Zurique, num referendo a 28 de novembro de 2021 AP Photo

Uma ampla coligação de grupos "vai lançar um referendo", afirmou o Partido Verde em comunicado.

A presidente dos Verdes, Lisa Mazzone, referiu que a votação no parlamento "sabota o rápido desenvolvimento das energias renováveis, a proteção do clima e a nossa soberania energética".

A recolha de assinaturas para o referendo terá início este mês, informou o partido.

Para desencadear um referendo ao abrigo do sistema de democracia direta da Suíça, é necessário recolher 50.000 assinaturas válidas no prazo de 100 dias após a publicação de uma nova lei, um obstáculo que a coligação deverá conseguir ultrapassar.

"Apólice de seguro"

O governo suíço tem vindo a pressionar, desde 2024, para reverter a proibição, invocando a necessidade crescente de eletricidade nacional com baixas emissões de carbono para atingir o seu objetivo de emissões líquidas nulas até 2050.

Foram também invocados os receios de escassez associados a acontecimentos mundiais, tais como a guerra dos EUA e de Israel contra o Irão e a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, bem como a dependência da Suíça das importações de eletricidade no inverno.

O projeto do governo defende que permitir a construção de novas centrais nucleares "criaria uma apólice de seguro para o abastecimento de eletricidade", caso as energias renováveis sejam insuficientes ou não existam outras "soluções respeitadoras do clima para garantir a produção de eletricidade".

Os suíços aprovaram a eliminação gradual da energia nuclear no referendo de 2017, proibindo a construção de novas centrais.

Ativistas da Greenpeace penduram faixas com a inscrição "The End" num edifício da central nuclear de Beznau, 5 de março de 2014
Ativistas da Greenpeace penduram faixas com a inscrição "The End" num edifício da central nuclear de Beznau, 5 de março de 2014 Urs Flueeler/AP

Essa lei foi o resultado de um longo processo iniciado após o acidente nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011, que foi provocado por um tsunami.

A Suíça continua a operar quatro reatores nucleares cuja construção remonta ao século XX.

Beznau 1, que entrou em funcionamento em 1969, é o reator nuclear em funcionamento mais antigo da Europa. Deixará de funcionar em 2033, enquanto Beznau 2, ligado à rede desde 1971, encerrará um ano antes, em 2032.

Gosgen e Leibstadt entraram em funcionamento em 1979 e 1984, respetivamente.

Outras fontes • AFP

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