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Turquia: jantar de trabalho entre Von der Leyen e Erdoğan decorre em clima de tensão

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, olha para o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, em Ancara, em 17 de dezembro de 2024.
Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen olha para o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, em Ancara, a 17 de dezembro de 2024. Direitos de autor  AP
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De Angela Skujins
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Von der Leyen terá de refletir muito mais do que apenas sobre os aperitivos na quarta-feira à noite, num jantar de trabalho com Recep Tayyip Erdoğan. Os analistas esperam que ela pondere a possibilidade de amenizar as divergências de ambos os lados, tendo em conta o valor geoestratégico do país.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, reúne-se na noite de quarta-feira em Ancara com o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, para um jantar de trabalho, num momento sensível para ambas as partes.

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No encontro, que terá lugar após a cimeira da NATO, von der Leyen terá de equilibrar o reforço dos laços com a Turquia com as persistentes preocupações em matéria de Estado de direito e outras divergências.

Ao encontro juntar-se-á o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e espera-se um jantar marcado por alguma tensão.

Num evento público em abril, von der Leyen terá colocado a Turquia, país candidato à UE desde 1999, ao lado da Rússia e da China ao falar da influência estrangeira na Europa.

A Euronews questionou o executivo comunitário sobre se esta observação e outras questões seriam abordadas na reunião de quarta-feira.

"A Turquia é um parceiro importante para a União Europeia. Partilhamos interesses estratégicos numa vasta gama de domínios. Espero que sejam esses os temas em cima da mesa", afirmou o porta-voz-adjunto principal da Comissão Europeia, Olof Gill.

Von der Leyen traz ainda marcas de visitas anteriores a Ancara, com o infame incidente dos lugares em 2021, conhecido como sofagate, que a deixou de lado e sem cadeira numa importante reunião política. Um mês depois do episódio, disse que se sentira "magoada".

Questionado pela Euronews sobre onde se sentaria desta vez, Gill respondeu: "Espero que se sentem à mesa de jantar, como é habitual num jantar".

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sentada num sofá, enquanto o então presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, se senta ao lado do presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, em 6 de maio de 2021, em Ancara, Turquia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sentada num sofá, enquanto o então presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, se senta ao lado do presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, em 6 de maio de 2021, em Ancara, Turquia. European Council

Novo começo

Engin Eroglu, eurodeputado alemão de origem turca, considera que o encontro representa uma oportunidade de novo começo. "Depois das disputas do passado, esta reunião é sobretudo uma tentativa de recomeçar a relação", afirmou.

"Acredito que Ursula von der Leyen e António Costa vão tentar apaziguar o clima e elevar a relação para um nível mais pragmático e centrado na segurança."

Referiu-se à possibilidade de participação turca no programa de empréstimos para a defesa Security Action For Europe (SAFE), de 150 mil milhões de euros.

A participação plena da Turquia tem sido inviabilizada pelo bloqueio da Grécia e de Chipre. Isto significa que o país só pode contribuir com até 35% do custo total dos componentes de qualquer projeto, como qualquer outro país sem parceria de segurança e defesa com a UE.

Na terça-feira, falando ao lado de Rutte na cimeira da NATO, von der Leyen afirmou que "há uma ampla oportunidade para uma cooperação muito estreita entre nós". Não especificou em que moldes.

Este envolvimento não pode acontecer à custa dos princípios fundamentais da União Europeia

Esta vontade de aproximar Bruxelas e Ancara através da cooperação em matéria de defesa já tinha sido tornada pública.

A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, visitou a capital na semana passada. Esteve acompanhada pela comissária europeia para a Vizinhança e o Alargamento, Marta Kos, e pelo comissário europeu para a Migração, Magnus Brunner, numa deslocação descrita por um responsável da UE como uma "jumbo meeting".

As conversações culminaram numa declaração conjunta que sublinhou o compromisso comum com o multilateralismo, a ordem internacional baseada em regras e a responsabilidade partilhada pelas questões globais e regionais. Após a visita, Kallas escreveu na rede social X que "a Turquia é um parceiro fundamental em matéria de segurança, migração e energia, além de país candidato à adesão à UE".

Princípios fundamentais

A eurodeputada polaca Joanna Scheuring-Wielgus integra a Comissão Parlamentar Mista UE-Turquia no Parlamento Europeu. Disse à Euronews que a Turquia é um aliado fundamental na NATO e que a sua cooperação em matéria de segurança e estabilidade regional continua a ser essencial.

Com os Estados Unidos a retirarem parte do seu apoio ao continente e Ancara a desempenhar um papel central no fornecimento de certas armas à Ucrânia para travar a invasão em larga escala da Rússia, a relação da Europa com o país de quase 90 milhões de habitantes tornou-se ainda mais importante.

"Ao mesmo tempo, este envolvimento não pode acontecer à custa dos princípios fundamentais da União Europeia", alertou Scheuring-Wielgus.

Apontou como exemplos o retrocesso democrático do país e a repressão, já com vários anos, contra a imprensa, a crítica e os partidos da oposição. A situação atingiu o ponto de ebulição em março passado, quando a polícia turca deteve um dos rivais de Erdoğan e presidente da câmara de Istambul, Ekrem İmamoğlu.

Simpatizantes do principal partido da oposição turca, o Partido Republicano do Povo (CHP), ouvem discursos durante um comício, em Istambul, em 18 de março de 2026.
Simpatizantes do principal partido da oposição turca, o Partido Republicano do Povo (CHP), ouvem discursos durante um comício, em Istambul, em 18 de março de 2026. AP Photo

"Qualquer caminho credível de avanço nas relações entre a UE e a Turquia depende de progressos concretos nestas áreas, sobretudo agora, após os desenvolvimentos preocupantes e a intensificação da repressão contra o principal partido da oposição, o CHP (Partido Republicano do Povo)", afirmou.

"Estes elementos não são a 'cereja no topo do bolo' das nossas parcerias, mas sim o próprio alicerce do projeto europeu. Isto tem de ser realçado de forma clara e consistente, tanto nas nossas políticas internas como nas relações com aliados e países candidatos."

A diretora-adjunta e responsável pela Turquia na Human Rights Watch, organização não governamental com sede em Nova Iorque, Emma Sinclair-Webb, escreveu que cerca de 200 pessoas foram detidas antes do início da cimeira da NATO.

Referiu que Erdoğan "pode contar com praticamente nenhum murmúrio por parte dos parceiros europeus do país".

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