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Andy Burnham está mais perto de se tornar o próximo primeiro-ministro com apoio de 322 trabalhistas

Andy Burnham profere um discurso no People's History Museum, em Manchester, em 29 de junho de 2026
Andy Burnham profere um discurso no People's History Museum, em Manchester, em 29 de junho de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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Se Burnham obtiver pelo menos 323 nomeações, deixa de ser matematicamente possível qualquer outro candidato reunir as 81 assinaturas necessárias entre os 402 deputados trabalhistas.

Veterano da política britânica, Andy Burnham deu mais um passo para se tornar o próximo primeiro-ministro do Reino Unido, depois de a maioria dos deputados trabalhistas o terem proposto para substituir Keir Starmer.

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Com 56 anos, viu a sua candidatura à liderança do Partido Trabalhista ser apoiada por 322 deputados na quinta-feira, mantendo-se como o único a declarar publicamente que pretende substituir Starmer, que anunciou a demissão no mês passado.

Burnham parecia encaminhar-se para ser coroado líder trabalhista sem oposição no primeiro dia de candidaturas.

Se Burnham alcançar pelo menos 323 nomeações, torna-se matematicamente impossível que outro candidato reúna as 81 assinaturas necessárias para entrar na corrida, num universo de 402 deputados trabalhistas.

"Tudo isto começa a parecer muito real", afirmou Burnham num vídeo publicado nas redes sociais, pouco depois de o processo ter sido iniciado na manhã de quinta-feira.

As candidaturas encerram a 16 de julho. Se não houver disputa, Burnham será confirmado líder do Partido Trabalhista e primeiro-ministro em funções numa conferência especial no dia seguinte.

Burnham deverá substituir Starmer em 10 Downing Street no dia 20 de julho, após uma audiência com o rei Carlos, tornando-se o sétimo primeiro-ministro do país em apenas uma década.

"Não há mais ninguém", disse um deputado trabalhista à agência noticiosa AFP, sob anonimato, após ter indicado o nome de Burnham.

Carns, ministro das Forças Armadas e considerado o último potencial rival de Burnham, retirou-se da corrida na noite de quarta-feira.

Tinha manifestado a esperança de que uma disputa pela liderança desse ao partido "a oportunidade de um debate sério".

"Mas meses de guerras internas no Partido Trabalhista não é o de que o país precisa neste momento", afirmou.

Burnham, apelidado de "Rei do Norte" por ter vencido três eleições consecutivas para presidente da Câmara da Grande Manchester, prometeu "o maior reequilíbrio de poderes que o nosso país já viu".

Primeiro-ministro britânico Keir Starmer participa na cimeira da NATO em Ancara, 8 de julho de 2026
Primeiro-ministro britânico Keir Starmer participa na cimeira da NATO em Ancara, 8 de julho de 2026 AP Photo

A sua proposta-chave é criar um "N.º 10 Norte" para coordenar uma maior devolução de poderes, numa alusão à morada oficial do primeiro-ministro em 10 Downing Street.

Burnham comprometeu-se a manter a disciplina orçamental e a reduzir a crescente despesa com prestações sociais, depois de já ter procurado acalmar os mercados ao aceitar os atuais limites de endividamento do Governo.

No entanto, terá de enfrentar os mesmos desafios que fragilizaram o mandato de Starmer: o crescimento anémico, a pressão sobre o custo de vida e um imprevisível presidente norte-americano, Donald Trump.

Burnham indicou também que poderá adotar uma posição diferente da de Starmer em relação a Israel, que contou com o apoio firme do governo trabalhista, mesmo à medida que cresciam as críticas à guerra em Gaza.

"Lamento", disse Burnham ao jornal The Guardian numa entrevista publicada na quinta-feira. "A resposta tem sido muitas vezes insuficiente. Temos de fazer melhor".

Câmara de televisão aponta para a porta do número 10 de Downing Street, em Londres, 22 de junho de 2026
Câmara de televisão aponta para a porta do número 10 de Downing Street, em Londres, 22 de junho de 2026 AP Photo

Após meses sob pressão devido a sucessivas reviravoltas políticas e dúvidas sobre o seu juízo, Starmer anunciou, a 22 de junho, a sua demissão, depois de ter perdido o apoio dos deputados trabalhistas.

A decisão surgiu após Burnham vencer eleições intercalares que lhe permitiram regressar ao Parlamento para lançar um desafio muito aguardado à liderança.

No dia em que Starmer anunciou a demissão, Burnham tomou posse no Parlamento, regressando ao cargo de deputado que já tinha ocupado entre 2001 e 2017.

Arriscar tudo

Depois disso, cerca de 200 deputados trabalhistas saudaram Burnham durante uma foto de grupo em Westminster, num claro sinal de que esperam vê-lo assumir a liderança.

O antigo ministro da Saúde, Wes Streeting, anunciou que desistia da candidatura e passou a apoiar Burnham.

Burnham, visto como ligeiramente mais à esquerda do que Starmer, o atual líder do Partido Trabalhista, e mais carismático, é o político trabalhista mais popular, segundo as sondagens.

Muitos deputados consideram que ele é a melhor oportunidade do partido para recuperar o apoio perdido para o Reform UK, o partido anti-imigração de Nigel Farage, antes das próximas eleições legislativas, previstas para 2029.

O Reform UK tem estado à frente dos trabalhistas nas sondagens nacionais há mais de um ano, embora a vantagem se tenha reduzido nas últimas semanas, no meio de dúvidas sobre as finanças de Farage.

Um deputado trabalhista, que pediu anonimato, considerou que o partido faz bem em "arriscar tudo" em Burnham, afirmando que "pior do que Starmer não pode ser".

"Espero que seja uma lufada de ar fresco", acrescentou o parlamentar à agência noticiosa AFP.

Outras fontes • AFP

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