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Greenpeace lança mapa interativo sobre amianto na Hungria

Arquivo: inspeção do pavimento numa zona residencial de Szombathely, em 14 de maio de 2026
ARQUIVO: inspeção do pavimento rodoviário na zona suburbana de Szombathely, em 14 de maio de 2026 Direitos de autor  Euronews/KR
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De Rita Konya
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A iniciativa lançada em parceria com a Greenpeace austríaca pretende, através de denúncias da população, localizar zonas perigosas e avaliar a verdadeira dimensão do problema.

Agora qualquer residente pode comunicar de forma simples os locais na Hungria, na Áustria e eventualmente noutros países que suspeita estarem contaminados por amianto.

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O mapa, para o qual a organização aguarda denúncias da população, apresenta as zonas contaminadas já documentadas pela Greenpeace e pelas autoridades, bem como os locais onde a descontaminação já foi realizada.

O novo mapa pretende tornar mais transparente a situação da poluição, ajudar a população afetada a orientar-se e chamar a atenção dos decisores para a necessidade de intervir quanto antes.

Continuam a aguardar medidas a nível central

"Constatamos que até agora, nem na Áustria nem na Hungria foram dados passos realmente significativos para resolver esta crise do amianto", salientou Simon Gergely, especialista regional em substâncias químicas da Greenpeace Hungria.

"Já vai para meio ano que anunciámos que este material cancerígeno está claramente presente nas ruas, tanto cá como na Áustria, e aguardamos com expectativa que sejam tomadas medidas de descontaminação", explicou à Euronews.

"Que se apoiem os residentes, os municípios e os parques nacionais, para que possam agir. Mas infelizmente vemos que, na ausência de uma coordenação central, muitas vezes são tomadas medidas que acabam por causar mais danos do que benefícios: por exemplo, cobre-se a zona com asfalto sem a separar devidamente, o que representa um risco a longo prazo, pois o amianto voltará a surgir sempre que se mexer nesse terreno. Para limitar o pó utilizam cloreto de cálcio, que de facto ajuda durante algum tempo, mas é aplicado precisamente em áreas onde circulam pessoas e carros, acabando por se dispersar e entrar diretamente nas habitações. "

Viena e Nagykanizsa também são afetadas

"Seriam necessárias medidas centrais claras e orientadas para ajudar as pessoas a informarem-se e apoiar o trabalho das autoridades, indicando a dimensão das áreas que têm de ser consideradas. Foi por isso que, em conjunto com a Greenpeace austríaca, criámos este mapa interativo, no qual vamos assinalar os casos já registados e medidos, bem como as zonas onde há suspeita de amianto", explicou Simon Gergely.

Se acordo com o especialista, a lista de locais contaminados continua a aumentar e não apenas na Hungria. "Em Viena descobriu-se, por exemplo, que em numerosas ruas o amianto está presente no próprio asfalto, mas continua a libertar-se em forma de pó. E em Nagykanizsa também se verificou que existe ali uma área afetada pelo amianto", afirmou.

Mineral que pode matar lentamente

O amianto é um "assassino lento": o tumor pode desenvolver-se no organismo mesmo décadas depois da inalação das fibras minerais.

"Tal como uma serpente, alinha-se com o fluxo de ar e consegue descer até aos brônquios, de onde já não sai. E, por ser longo, não pode ser encapsulado pelas células fagocitárias apropriadas, podendo assim criar um estado inflamatório permanente. Um estado inflamatório constante pode, com o tempo, transformar-se em cancro" – explicou, numa visita de campo em Szombathely, em maio, o geólogo Tamás Weiszburg, antigo diretor do Departamento de Mineralogia da Universidade ELTE.

László Gajdos, ministro responsável pelo ambiente natural, nessa mesma altura, a 14 de maio, deslocou-se pessoalmente ao bairro de Szombathely, habitado sobretudo por famílias com crianças pequenas, onde se descobriu que o revestimento da estrada estava contaminado com amianto.

A Greenpeace enviou uma carta aberta no início de junho ao ministro responsável pelo ambiente natural e ao ministro da Saúde. A organizaçõa ainda não recebeu uma resposta, mas espera que as medidas prometidas pelo governo sejam em breve concretizadas.

Reabertura em regime de teste?

"Os residentes locais estão preocupados. Já vimos casos em que as autoridades pretendem imputar ao morador local, em cujo terreno há amianto sem que ele o soubesse, os custos da descontaminação, o que é bastante absurdo", indicou à Euronews, Simon Gergely.

"Além disso, chegaram-nos informações de que, no Burgenland, planeiam reabrir algumas minas em regime de teste, o que consideramos totalmente inaceitável e chocante. Protestamos contra essa intenção e pedimos que também o governo húngaro se oponha", acrescentou o especialista.

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