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Grupo de 60 militantes sai do Bloco de Esquerda

Antigos dirigentes do Bloco Esquerda durante a manifestação do Dia do Trabalhador, Lisboa, 1 de maio de 2023.
Antigos dirigentes do Bloco Esquerda durante a manifestação do Dia do Trabalhador, Lisboa, 1 de maio de 2023. Direitos de autor  Antigos dirigentes do Bloco Esquerda durante a manifestação do Dia do Trabalhador, Lisboa, 1 de maio de 2023.
Direitos de autor Antigos dirigentes do Bloco Esquerda durante a manifestação do Dia do Trabalhador, Lisboa, 1 de maio de 2023.
De Lina Ferreira
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A cara mais visível é Mário Tomé, um dos fundadores deste partido português. Mas o Secretariado do Bloco de Esquerda não está surpreendido com esta decisão.

Um grupo de 60 militantes do Bloco de Esquerda anunciou a saída do partido, dizendo que este acabou. O grupo, que inclui o fundador Mário Tomé, declara que “o nosso bloco acabou”, fala em perseguições e de uma cultura antidemocrática. O Bloco de Esquerda já reagiu: lamenta, mas mostra-se pouco surpreendido.

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As razões para a saída estão numacarta assinada por estes militantes, divulgada pela RTP, na qual Mário Tomé é um dos nomes mais sonantes. Tomé, antigo militar do 25 de Abril, é também um dos dirigentes históricos do Bloco de Esquerda. Liderava a União Democrática Popular (UDP), um dos três partidos que, em 1999, criaram o Bloco de Esquerda.

Mário Tomé e outros militantes que assinam esta carta fazem parte do movimento Convergência. Um grupo, criado no fim de 2019, que se opunha à direção do partido, à época liderada por Catarina Martins.

Nesta carta, acusam o partido de ter se centralizado e de adotar uma atitude antidemocrática.

“A centralização da atividade, o cercear da democracia e da participação, os cadernos eleitorais não atualizados, as Convenções adiadas e fora dos prazos estatutários, as sucessivas perseguições através de comissões de inquérito e sanções, a recusa antiestatutária em aceitar a expressão de Assembleias Distritais na indicação de candidatos, criaram um caldo de cultura antidemocrático e de mal-estar”, está escrito no documento.

Dizem que foi afastado “quem expressava posições críticas ou alternativas”, levando à “desmotivação e mesmo abandono” de dirigentes nacionais e distritais. Falam ainda em “decisões ad hoc e violentamente persecutórias” e apontam o dedo à direção do partido.

Estes militantes são particularmente críticos da Geringonça, o período em que o Bloco de Esquerda, juntamente com o Partido Comunista e os Verdes, deu apoio parlamentar ao Governo do Partido Socialista, liderado por António Costa. Dizem que o partido “passou a ser visto como um apêndice do PS” e que se “afeiçoou à ideia de doces entendimentos”, levando a maus resultados eleitorais.

“Porém, o núcleo dirigente impôs-se de forma autocrática, recusando uma reflexão autocrítica e qualquer balanço da ação política do Bloco, fossem quais fossem os resultados, caluniando e perseguindo mesmo as vozes críticas que alertavam para a perda de influência”, acusam os militantes que estão de saída.

Partido pouco surpreendido

O Bloco de Esquerda já respondeu. Lamenta a saída deste grupo, mas também se mostra pouco surpreendido.

“Os membros do grupo Convergência, como é do conhecimento público, têm vindo a sair, parcelarmente, do Bloco de Esquerda, numa decisão programada e repetidamente anunciada na comunicação social”, diz um comunicado assinado pelo Secretariado.

Neste comunicado, o Bloco de Esquerda sublinha as divergências com este grupo, nomeadamente a oposição destes militantes em relação à postura do partido na guerra da Ucrânia.

“As divergências deste grupo manifestam-se há muito — nomeadamente na crítica à posição solidária do Bloco com o povo ucraniano, vítima da invasão de Putin”, diz o Bloco de Esquerda.

Em 2022, após a invasão da Ucrânia, a Comissão Política do partido condenou a “aventura militar de Putin” que “nega à Ucrânia a existência como estado independente”. Ao mesmo tempo, criticava o “reforço da máquina de guerra da NATO”.

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