Numa mensagem publicada na rede X esta quarta-feira, Elon Musk declara apoio a Marine Le Pen, a poucos meses das presidenciais francesas. Os opositores ao Rassemblement National denunciam ingerência estrangeira e risco eleitoral.
"É a última esperança de França." Foi com esta mensagem publicada na rede X, esta quarta-feira, 15 de julho, que Elon Musk manifestou apoio a Marine Le Pen, candidata da Rassemblement National (RN) às eleições presidenciais de 2027.
O proprietário da Tesla, da SpaceX e da rede social X, respondeu então a uma publicação que assegurava que as intenções de voto na líder dos deputados do RN "dispararam" nas últimas semanas.
Em abril de 2025, Elon Musk já tinha manifestado apoio a Marine Le Pen, quando esta foi condenada, em primeira instância, a cinco anos de inelegibilidade por desvio de fundos públicos no caso dos assistentes parlamentares europeus da Frente Nacional (FN).
"Espero e encorajo [Marine] Le Pen a ultrapassar esta perseguição e a concorrer às próximas eleições presidenciais", escreveu então na rede X.
Em 7 de julho, Marine Le Pen foi definitivamente condenada a três anos de prisão, dois dos quais com pena suspensa e um ano de prisão efetiva passível de adaptação, e a uma pena de inelegibilidade de 45 meses, dos quais 30 meses com pena suspensa. Trata-se de uma decisão em recurso que lhe permite continuar elegível.
Acusação de ingerência
A posição tomada por Elon Musk suscitou reação entre os opositores do RN em França. "Como se diz em francês: só os tolos é que não mudam de opinião", escreveu rapidamente Jean-Noël Barrot, ministro dos Negócios Estrangeiros, na mesma rede social.
"Começa a época das ingerências", reagiu, por seu lado, Thierry Breton, antigo comissário europeu e ex-ministro francês da Economia. "Elon Musk apoia, portanto, Marine Le Pen. É um direito seu. Cabe às autoridades garantir que o algoritmo do X não favorece nenhum candidato", acrescentou, sublinhando que "o Estado de direito aplica-se a todas e a todos, sem exceção".
"Vejam bem de quem é Marine Le Pen a favorita: Elon Musk, o homem mais rico do mundo, o campeão do lucro a qualquer preço, o homem que despreza as leis europeias e apoia os partidos mais extremistas por toda a Europa, aquele que se reconciliou com Donald Trump", criticou, por seu lado, Nathalie Loiseau, eurodeputada do grupo Renew Europe.
Na ala esquerda, foi Antoine Léaument, deputado da La France insoumise (LFI), quem denunciou a "ingerência estrangeira" e apelou à Arcom (Autoridade de Regulação da Comunicação Audiovisual e Digital) para agir. "As manipulações algorítmicas da eleição fazem parte dos riscos sinalizados no meu relatório parlamentar sobre a organização das eleições em França", escreveu na rede X.
Elon Musk, habituado às ingerências
Não é, porém, a primeira vez que Elon Musk tenta desempenhar um papel na política externa. No passado, já interveio em várias campanhas eleitorais europeias, tomando partido por figuras nacionalistas ou populistas.
Em dezembro de 2024, garantiu que o partido alemão de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) era o único capaz de "salvar a Alemanha". "Apresentar a AfD como um partido de extrema-direita é claramente falso, se tivermos em conta que Alice Weidel, líder do partido, tem uma parceira do mesmo sexo oriunda do Sri Lanka. Isso faz-vos lembrar Hitler? Vamos lá!", escreveu numa tribuna publicada no jornal Die Welt. A tomada de posição provocou fortes reações em todo o espectro político.
Elon Musk também se permitiu comentar a atualidade na Roménia. Chamou "ditadores" aos juízes constitucionais que tinham anulado a primeira volta das eleições presidenciais devido a suspeitas de ingerência russa em favor do candidato nacionalista Calin Georgescu.
Posou igualmente para uma fotografia ao lado de Nigel Farage, líder do partido populista Reform UK, e de Nick Candy, tesoureiro da formação, antes de o partido de extrema-direita revelar que o dono da Tesla ponderava fazer uma doação.
Ainda no Reino Unido, o Financial Times revelou que Elon Musk também apoiou, na sua plataforma, vozes da extrema-direita britânica, como o extremista Tommy Robinson e Ashlea Simon, cofundadora do grupo supremacista branco Britain First.