O incêndio em Cinco Villas (Zaragoza), já o maior do ano em Espanha, ultrapassa 14 000 hectares e continua fora de controlo devido ao vento forte, que dificulta o trabalho das equipas de emergência
Espanha enfrenta três incêndios florestais ativos e um já extinto, numa jornada marcada pelo calor, pelo vento e pela falta de humidade. As autoridades elevaram esta sexta-feira para mais de 14.000 hectares a área afetada pelo incêndio de Cinco Villas (Saragoça), que se torna assim o maior registado este ano em Espanha.
Continua a soprar um vento que dificulta as operações de extinção e favorece o avanço das chamas. Os serviços de combate a incêndios mantêm como prioridade a proteção das zonas habitadas, perante condições meteorológicas que continuam a ser muito adversas.
O presidente de Aragão, Jorge Azcón, advertiu que o incêndio continua fora de controlo e classificou a situação como «extremamente perigosa». O fogo continua a ameaçar a localidade de Uncastillo, onde as equipas de extinção concentram boa parte dos esforços.
O perímetro do incêndio já ultrapassa os 60 quilómetros e obrigou à evacuação de seis localidades: Orés, Asín, Luesia, Malpica de Arba e Uncastillo, em Saragoça, e Petilla de Aragón, em Navarra. No total, mais de 1.100 pessoas foram afetadas.
O fogo atinge sobretudo o Cerro de Cinco Villas, uma zona de pinhais com uma antena repetidora situada perto das urbanizações de Los Robles e San Lorenzo. A Câmara Municipal abriu o pavilhão desportivo municipal como centro de acolhimento e a Unidade Militar de Emergências (UME) destacou equipas de apoio. A Guardia Civil deteve na quinta-feira um homem suspeito de ter provocado o incêndio. Foram vários moradores que alertaram as autoridades depois de verem fugir uma pessoa cujo comportamento lhes pareceu suspeito.
No momento da detenção, o suspeito transportava uma mochila com diverso material, entre o qual se encontravam numerosos produtos inflamáveis. Além disso, após o identificarem, os agentes verificaram que tinha antecedentes por factos semelhantes cometidos noutras províncias espanholas.
Já o conselheiro do Ambiente, Agricultura e Interior da Comunidade de Madrid, Carlos Novillo, anunciou que o governo regional exercerá a acusação popular contra o detido e remeterá o caso para a Procuradoria-Geral da Comunidade. Segundo explicou, a medida pretende defender o património natural madrileno, que, na sua opinião, foi colocado em grave risco «por culpa de uma pessoa, um desalmado que provocou um incêndio grave, pondo vidas em perigo».
Crimes contra o património natural
A presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, apoiou a decisão e recordou que o executivo regional aprovou uma norma que permite constituir-se como acusação popular em determinados crimes, entre eles os que atentam contra o património natural.
As estradas A-1204, CV-813, A-1202, CV-841 e CV-628 permanecem cortadas, embora o fornecimento de eletricidade já tenha sido restabelecido em todas as localidades afetadas. Na quinta-feira, perto de 400 operacionais terrestres e 19 meios aéreos participaram nas operações de extinção. Durante a noite, os bombeiros concentraram os esforços na proteção das habitações de Uncastillo.
Guadalajara pede reforços militares
Na serra norte de Guadalajara, outro incêndio declarado na quinta-feira obrigou à evacuação das localidades de La Mierla, Muriel e Umbralejo e ao confinamento de Almiruete, Palancares e da zona envolvente da barragem de Beleña.
O fogo foi detetado por um vigilante às 13h55 em La Mierla e propagou-se rapidamente, destruindo 900 hectares em poucas horas, segundo explicou o diretor do Centro Operativo Regional de Incêndios Florestais de Castela-Mancha, Juan José Fernández. Perante a violência do incêndio, o governo regional pediu a intervenção da Unidade Militar de Emergências (UME), que destacou uma centena de operacionais para a zona.
Madrid mantém fogo sob controlo, mas ainda não está extinto
O terceiro foco ativo surgiu na tarde de quinta-feira em Lozoyuela, na serra norte de Madrid. A sua evolução é favorável, embora esta sexta-feira continue sem estar controlado nem com perímetro definido e já tenha consumido cerca de 70 hectares. Desde primeira hora da manhã trabalham na zona 28 meios terrestres, juntamente com equipas do SUMMA 112 e do ERICAM de Proteção Civil, aguardando a entrada em ação dos meios aéreos.
Na quinta-feira foram evacuadas cerca de 100 pessoas e mais de 2.000 permaneceram confinadas em Buitrago de Lozoya e nas povoações de Cinco Villas e Manjirón, pertencentes ao município de Puentes Viejas. Além disso, a Guardia Civil retirou cerca de 50 crianças de um acampamento situado em Gandullas.
A Comunidade de Madrid ativou a Situação Operativa 2 do plano INFOMA e enviou um aviso Es-Alert à população. As estradas M-126 e M-135 continuam cortadas, enquanto a A-1 chegou a encerrar durante uma hora a faixa da esquerda no sentido Burgos. Já o incêndio de Hinojosas, declarado na quarta-feira em Ciudad Real, foi dado como extinto depois de afetar cerca de 800 hectares.
Um verão que se repete
As temperaturas elevadas, o vento e a baixa humidade, somados à vegetação abundante deixada por uma primavera especialmente chuvosa, explicam a rapidez com que estes incêndios se propagaram. Os especialistas apontam ainda um fator estrutural: o abandono da floresta e do mundo rural, juntamente com os efeitos das alterações climáticas, está a criar condições para que os incêndios sejam cada vez mais intensos e difíceis de controlar.