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O ministro e o empreiteiro: o caso que está a abalar o Governo português

O ministro da Administração Interna, Luís Neves
O ministro da Administração Interna, Luís Neves Direitos de autor  Ministério da Administração Interna via Facebook
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De Lina Ferreira
Publicado a Últimas notícias
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A Procuradoria-Geral da República está a acompanhar o caso e a Polícia Judiciária (PJ) abriu um inquérito, depois de um atrelado apreendido pela polícia ter sido encontrado na posse da empresa de um amigo do ministro da Administração Interna.

A Polícia Judiciária (PJ) fez queixa ao Ministério Público no caso de um atrelado apreendido que estava a ser utilizado por um empresa de um amigo do atual ministro da Administração Interna, Luís Neves - que foi, recorde-se diretor da PJ antes de assumir o cargo no Governo de Luís Montenegro.

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Mas a relação entre os dois já estava a suscitar polémica: o dono da Construbarcelos, empresa que fez várias obras para a PJ, já estava encarregado da remodelação de uma quinta do ministro.

O atrelado agora em causa foi apreendido pela Polícia Judiciária em 2024, na sequência do desmantelamento de um laboratório de produção de droga. Mas, segundo noticiou a TVI, na noite de quinta-feira, o atrelado, que tinha bidons de amoníaco, não se encontrava no parque de apreensões, no Seixal. A estação de televisão encontrou o atrelado acoplado a um camião da empresa Construbarcelos.

Esta empresa pertence a João dos Santos Carvalho, amigo do ministro Luis Neves e responsável por obras no monte alentejano do ministro, também envoltas em polémica.

A notícia foi entretanto confirmada pela Polícia Judiciária. Num comunicado divulgado esta sexta-feira, a que a Euronews teve acesso, a Direção Nacional da Polícia Judiciária (DNPJ) diz que soube da movimentação do atrelado na terça-feira e apurou que “que, de facto, a galera se encontrava estacionada em Barcelos, atracada a um camião da empresa Construbarcelos”.

A Polícia Judiciária diz que o atrelado já foi retirado do local e voltou, juntamente com os produtos, para a sua guarda.

A polícia diz ainda que abriu um inquérito, que comunicou ao Ministério Público, acrescentando que pode tratar-se de um crime: “Tendo por base essa suspeita, a DNPJ determinou, de imediato, a instauração de um inquérito para apurar as circunstâncias da alegada movimentação, que poderia confirmar a prática de ilícitos criminosos”, diz o comunicado.

Um tanque num monte alentejano

Mas a procuradoria Geral da República (PGR) já estava atenta ao caso. A PGR disse ao jornal Público que “tem vindo ainda a acompanhar outros factos noticiados”, acrescentando que “havendo fundamento e necessidade desenvolve depois todas as diligências que considera pertinentes ou adequadas”.

Antes do atrelado, foram surgindo outros casos nos media sobre a relação entre Luis Neves e o proprietário da Construbarcelos. Há uma semana o jornal Nascer do Sol noticiou que este empreiteiro fez obras em vários edifícios da Polícia Judiciária no valor de 1,9 milhões de euros, no período em que Luís Neves dirigia a polícia. O mesmo empreiteiro estava agora a remodelar dois montes, no concelho de Odemira, propriedade do ministro.

Luis Neves disse, em resposta à notícia, que foram apenas “intervenções casuais”, feitas de acordo com a sua disponibilidade e da empresa e cujos pagamentos foram sendo feitos com a apresentação das faturas. Disse ainda que “um diretor nacional da PJ não tem qualquer participação nos processos de seleção de candidatos a concursos que decorrem na instituição” e apenas intervém no fim do processo.

O ministro disse ainda, em entrevista ao canal Now, que se trata apenas de um monte, e não de dois, e que apenas conheceu o empreiteiro em 2023, quando este já tinha feito a maioria das obras para a Polícia Judiciária.

Durante a semana, surgiram novos desenvolvimentos. Como as dúvidas sobre se o tanque da propriedade afinal era uma piscina e precisava de licença, com a Câmara de Odemira a dizer que ia verificar a legalidade da obra.

Soube-se também que Luís Neves não declarou a empresa da mulher quando se tornou ministro, apesar de serem casados em comunhão de adquiridos. Algo que o ministro disse ser “um lapso”.

Na terça-feira, o líder do Partido Chega pediu a demissão do ministro. “É um apelo ao próprio para que saia pelo seu próprio pé”, disse André Ventura.

Polémica na época de incêndios

Luís Neves é a cara mais nova do governo de Luís Montenegro. Tomou posse como ministro da Administração Interna em fevereiro, na sequência da demissão de Maria Lúcia Amaral. A ministra demitiu-se depois das críticas à forma como respondeu à tempestade Kristin que, no fim de janeiro, afetou o litoral-centro do país.

O novo ministro foi uma surpresa. Não vinha das fileiras partidárias, mas sim da Polícia Judiciária, que liderava desde 2018. Na altura, era elogiado como bom comunicador. Enquanto diretor da PJ, ficou conhecido por não associar a criminalidade à imigração.

Esperava-se que o maior desafio de Luís Neves não surgisse associado à conduta pessoal, mas devido aos incêndios. Portugal é um dos países da Europa mais afetados pelos fogos de verão. O ano passado foi o segundo pior da década em termos de área ardida, a seguir a 2017.

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