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Escolas começaram a receber notas de exames ao início da noite, algumas virão "suspensas"

Estudantes no exterior de uma escola secundária de Lisboa
Estudantes no exterior de uma escola secundária de Lisboa Direitos de autor  AP Photo/Francisco Seco
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De Bárbara Cruz
Publicado a Últimas notícias
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Alunos poderão não saber ainda as notas esta sexta-feira, já que as escolas podem não ter funcionários para dar seguimento aos procedimentos de afixação das pautas. Ministro garante que vai pedir justificação aos diretores que não lançarem os resultados.

As notas dos exames nacionais do secundário começaram a chegar às escolas portuguesas depois das 19:30 desta sexta-feira, após horas de espera dos alunos, que aguardavam que as pautas fossem afixadas desde a abertura dos estabelecimentos de ensino. Algumas escolas, no entanto, poderão já ter encerrado ou não ter disponibilidade de fucionários para dar seguimento à divulgação das pautas. Em declarações à SIC, Fernando Alexandre, o ministro da Educação, disse que as escolas tinham "obrigação" de fazer chegar as notas aos alunos esta sexta-feira. Porém, o processo de desfazer o anonimato dos estudantes não é imediato, pelo que as escolas com maior número de estudantes poderão levar várias horas a conseguir concluir esta etapa.

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Recorde-se que a divulgação das notas estava inicialmente marcada para o dia 14 de julho, tendo sido adiada para esta sexta-feira, dia 17, devido aos problemas com a classificação das provas, que pela primeira vez chegaram aos professores em formato digital. Uma comunicação do Júri Nacional de Exames e do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (​Edqua), citada pela Lusa, informava que as escolas deveriam receber os exames nacionais do ensino secundário até às 19:30, mas que haveria exames sem nota devido a falhas e estes estão sinalizados na pauta como "em suspenso". As escolas receberão "oportunamente" mais orientações sobre como proceder nestes casos, indica a mesma nota.

Não foi revelado quantas provas ficarão "em suspenso", mas nos últimos dias a imprensa tem relatado casos de professores que garantem que receberam folhas de respostas incompletas, exames aos quais faltavam as folhas de continuação ou mesmo digitalizações em branco.

Numa entrevista à SIC, ao início da noite, Fernando Alexandre garantiu que "há todas as condições" para que as notas dos exames sejam publicadas ainda hoje, sublinhando que as escolas estão "habituadas" ao processo.

Disse ainda que pediria justificação aos diretores das escolas que, tendo as notas esta sexta-feira, não as lançassem no próprio dia. Segundo meios de comunicação nacionais, vários diretores de agrupamentos decidiram que as escolas iriam continuar abertas esta sexta-feira até conseguirem afixar as notas e outras trabalharão no sábado para disponibilizarem as notas aos alunos. Haverá ainda casos de escolas que poderão divulgar as notas online, caso façam uso de plataformas na internet para comunicação e divulgação das avaliações dos estudantes.

Quanto às notas "suspensas", o ministro disse apenas que haveria provas que seriam objeto de auditoria e que tinham sido detetados problemas em centenas de provas, nomeadamente exames que foram enviados para digitalização pelas escolas muito depois do prazo fixado.

Rsultados das provas de 9.º ano publicadas só na segunda-feira

Ao final da tarde de sexta-feira, as escolas foram informadas de que os resultados das provas finais de Matemática e Português do 9º ano não seriam publicadas esta sexta-feira. “Tendo em consideração o atraso verificado no processo de classificação, vem o EduQA, através do Júri Nacional de Exames, informar que a afixação de pautas das provas finais de 9.º ano não ocorrerá hoje”, lia-se numa comunicação enviada às escolas e citada pela agência Lusa.

Mas na sequência dos atrasos e de toda a polémica a envolver os exames nacionais, cuja correção foi feita em formato digital pela primeira vez, a Fenprof apresentou já esta sexta-feira, na Procuradoria-Geral da República, uma queixa relativa ao processo de classificação dos exames nacionais do secundário.

A queixa visa "apurar responsabilidades políticas e técnicas, mas há aqui também o que nós entendemos ser uma prática de ilícito criminal", disse à RTP o secretário-geral do sindicato de professores, José Feliciano Costa, recordando que foi exigido aos professores que corrigissem provas sem todos os elementos necessários.

Projeto piloto apresentou falhas

No ano passado, realizou-se um projeto-piloto com o exame nacional de Filosofia (11.° ano) a ser corrigido pela primeira vez de forma totalmente digital. Já nessa altura foram reportadas falhas pelos professores classificadores da disciplina, semelhantes àquelas que agora são, novamente, enumeradas. Exames que "desapareceram" do sistema, respostas cortadas e trocadas.

Além dos erros, segundo contou o jornal Observador, que falou com docentes que participaram nas correções, houve ainda relatos de falta de apoio por parte do IAVE (Instituto de Avaliação Educativa), que não respondeu aos pedidos de ajuda dos docentes, tendo estes de submeter as notas sem as devidas orientações.

O ministro “ignorou todos os alertas até no teste de Filosofia de 2025, que teve as mesmas falhas num processo pautado por amadorismo, experimentalismo e mesmo assim ele quis avançar”, afirmou José Feliciano Costa, da Fenprof, na quinta-feira.

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