O ministro da Educação garantiu esta segunda-feira que nenhum aluno será prejudicado nas classificações dos exames nacionais nem no acesso ao ensino superior, após os erros registados na divulgação dos resultados.
Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação, falou esta segunda-feira ao país, depois da polémica em torno dos erros na digitalização e correção dos exames nacionais, e começou a sua comunicação garantindo "a proteção dos direitos de todos os alunos, em condições de total equidade e total transparência no processo de avaliação externa".
O ministro assegurou que nenhum aluno será prejudicado nas classificações nem no acesso ao ensino superior e confirmou que a segunda fase dos exames realizar-se-á esta terça-feira, contudo, anuncou uma época especial em setembro para "os alunos que não disponham de toda a informação necessária para decidir se vão à segunda fase".
"Estão em causa, por exemplo, os alunos cuja classificação venha a ser alterada em resultado das desconformidades da digitalização", explicou.
"Lamentamos e pedimos desculpa, mais uma vez, pela perturbação causada na vida dos alunos, numa altura decisiva para o seu futuro, bem como na vida das famílias, dos professores e das escolas", disse.
Fernando Alexandre assumiu o um erro de exportação na primeira remessa de resultados enviada às escolas pelo Júri Nacional de Exames, na sexta-feira, o que levou à afixação de pautas com erros, "que originaram classificações em suspenso ou incorretas".
"Esses erros de exportação foram corrigidos ainda na noite de sexta-feira, tendo sido solicitado às escolas que atualizassem os ficheiros nas respetivas pautas", esclareceu.
O ministro acrescentou que "as poucas classificações em suspenso que persistiam no sábado não resultavam desses erros de exportação, mas sim de validações a realizar diretamente com as escolas", tendo sido solicitado ao Júri Nacional de Exames que apoiasse os estabelecimentos de ensino na atualização das pautas.
"Às 11h30 encontravam-se distribuídas cerca de 190 mil das 290 mil provas realizadas na primeira fase dos exames nacionais do ensino secundário. Cumprindo o objetivo de validação do novo sistema e da avaliação feita por cada aluno, foram detetadas algumas desconformidades nas digitalizações, num número muito restrito de provas", afirmou.
Um dos erros identificados ocorreu "na parametrização da matriz de classificação do item 7.1 da versão 2 do Exame Nacional de Física e Química A", explicou Fernando Alexandre, garantindo que a falha foi "analisada, confirmada e corrigida imediatamente de forma sistemática".
O ministro confirmou ainda que todas as provas dos alunos que realizaram a versão 2 deste exame foram revistas de acordo com a parametrização correta.
Anunciou também que, "para a sinalização de desconformidades na digitalização", será disponibilizado um procedimento na plataforma criada para o envio dos ficheiros PDF. Os prazos para um eventual pedido de reapreciação passam a contar a partir do momento em que o aluno toma conhecimento da classificação resultante da correção da desconformidade.
Alunos terão de pagar na mesma reavaliação
Os jornalistas questionaram o ministro sobre uma das dúvidas dos pais e alunos sobre a taxa de 25 euros para pedir a reapreciação dos exames, ao que o ministro confirmou que se vão manter.
"Não vejo razão nenhuma para se alterar, no fundo é uma taxa moderadora", justificou,
Fernando Alexandre defendeu o modelo implementado pelo Governo, sustentando que, apesar dos constrangimentos registados neste ano letivo, "este modelo inovador de classificação eletrónica representa um avanço para o nosso sistema educativo, trazendo mais equidade, mais qualidade, mais rigor e mais transparência à avaliação externa".
Num esforço contínuo de tranquilizar o país, principalmente alunos e professores, o ministro garantiu que os casos com problemas "são muito esporádicos e podem ser corrigidos imediatamente".
O ministro da Educação esteve nos últimos dias sob forte pressão devido aos erros reportados pelos professores na avaliação dos exames nacionais do ensino secundário, mas em conferência de imprensa assumiu que no final do dia de hoje acredita que poderá "voltar a dormir tranquilo, muitas noites depois".