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Portugal compra três fragatas do estaleiro italiano Fincantieri

Primeira-ministra Giorgia Meloni em conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro português Luís Montenegro, Palazzo Chigi, Roma, 20/07/2026
A primeira-ministra Giorgia Meloni em conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro português Luís Montenegro, Palazzo Chigi, Roma, 20/07/2026 Direitos de autor  Presidenza del Consiglio dei Ministri/Palazzo Chigi
Direitos de autor Presidenza del Consiglio dei Ministri/Palazzo Chigi
De Ilaria Cicinelli
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Na segunda-feira, Giorgia Meloni recebeu em Palazzo Chigi, em Roma, o primeiro-ministro português Luís Montenegro, para relançar a cooperação Itália‑Portugal. Lisboa vai comprar três fragatas Fincantieri.

Portugal comprou três fragatas FREMM (Fragatas Europeias Multimissão) construídas pelo estaleiro italiano Fincantieri num acordo bilateral entre Portugal e Itália, no âmbito do programa SAFE.

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O anúncio foi feito na segunda-feira pela primeira-ministra italiana Giorgia Meloni durante as declarações conjuntas com o primeiro-ministro português Luís Montenegro, no final do encontro bilateral em Palazzo Chigi.

Luís Montenegro avançou que o investimento foi de cerca de 3,9 mil milhões de euros, manifestando o desejo de receber em breve Meloni a Portugal.

O primeiro-ministro lembrou que esta é a primeira visita de um primeiro-ministro português a Itália em doze anos.

A entrega dos novos navios à Marinha está prevista para o período entre 2029 e 2030.

Itália e Portugal reforçam cooperação bilateral

Apesar de as relações entre os dois países terem "atingido o valor mais alto dos últimos anos, aproximando-se dos dez mil milhões de euros" e partirem de uma base sólida, sublinhou Meloni, Roma e Lisboa querem reforçar a cooperação bilateral em áreas estratégicas, a começar pela indústria de defesa, "um dos setores em que certamente podemos dar um salto de qualidade", afirmou a primeira-ministra italiana, elogiando a decisão de Portugal como "um reconhecimento da excelência da indústria italiana, mas também a demonstração de que a Europa pode reforçar a sua autonomia investindo nas capacidades industriais e tecnológicas das suas empresas".

O acordo é também uma oportunidade para alargar a cooperação entre os dois países "à construção naval civil, aos vários setores ligados à economia azul, mas também à questão global do mar e às cadeias estratégicas associadas a este domínio da geopolítica, presente e futura", acrescentou a chefe do governo.

Meloni voltou a frisar que Itália e Portugal querem seguir a mesma abordagem noutros setores estratégicos. "Penso na energia, penso nas infraestruturas, penso na logística portuária, penso nos transportes. Portugal está a investir de forma decidida nestes setores e Itália pode disponibilizar, como sempre, o seu excecional know-how".

Por seu lado, o primeiro-ministro português salientou que o entendimento alcançado na segunda-feira abre "uma nova fase nas relações entre Itália e Portugal".

O acordo reflete-se também na "capacidade portuguesa e europeia de vigilância e controlo dos nossos recursos marítimos e da salvaguarda dos nossos interesses estratégicos, da navegabilidade internacional e na criação de condições para um comércio global livre", afirmou Montenegro, que destacou ainda que as "oportunidades económicas" dizem respeito, de forma mais ampla, à "estratégia europeia de ter maior autonomia e capacidade de gerar mais emprego, negócios e oportunidades".

Itália e Portugal equacionam colaboração em África

Os dois líderes discutiram ainda a possibilidade de iniciar uma colaboração estreita em África em matéria de migração, eventualmente também no âmbito do Plano Mattei.

Entre as 18 nações envolvidas, afirmou Meloni, "há duas muito importantes que têm relações profundas com Portugal, Angola e Moçambique, e aqui existe um enorme potencial de cooperação, a nível multilateral e europeu". Segundo a primeira-ministra, Itália e Portugal são "talvez as duas nações europeias com a abordagem mais semelhante em relação ao continente africano".

Relativamente aos fluxos migratórios, Meloni e Montenegro consideram "ser necessário continuar a reforçar a dimensão externa, trabalhar para chegar à origem das causas da migração. Também neste ponto penso que há importantes margens de cooperação", afirmou a líder do executivo italiano.

"As nossas perspetivas passam por ajudar os países africanos a traçar o caminho do desenvolvimento económico", acrescentou Montenegro.

Nesta ótica, Itália e Portugal estão "a aprofundar a cooperação com os países africanos" e o primeiro-ministro português afirmou que, por um lado, "queremos oferecer esperança a quem vem para a Europa e procura aqui uma oportunidade" e, por outro, "queremos agir na origem, nos países onde começam os fenómenos migratórios".

Meloni quer quadro financeiro plurianual da UE sem pôr em causa PAC e Coesão

Tendo em vista o Conselho Europeu de outubro, os dois chefes de governo abordaram também as negociações sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual da UE (QFP).

Itália e Portugal defendem um orçamento "à altura dos novos desafios", que não ponha em causa as "políticas que sempre representaram o coração do projeto europeu, a PAC e a Política de Coesão, que não são heranças do passado, mas pressupostos para o crescimento, a competitividade e a autonomia estratégica", afirmou Meloni.

Por fim, segundo a primeira-ministra, Roma e Lisboa partilham a mesma posição quanto a um alargamento da União Europeia "gradual e credível", para que "esse investimento se transforme num sucesso para todos".

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