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França, Cotignac: aldeia histórica resiste a noite de incêndio florestal

Incêndio aproxima-se da aldeia de Pontignac, na Provença, no sul de França, 21 de julho de 2026
Incêndio aproxima-se da aldeia de Pontignac, na Provença, no sul de França, 21 de julho de 2026 Direitos de autor  Euronews
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De Jane Witherspoon
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A Euronews esteve no terreno, em França, onde um incêndio devastou uma aldeia medieval na Provença, destruindo dezenas de casas e com moradores a acolher desconhecidos.

As cinzas ainda cobriam as ruas de Cotignac na manhã de quarta-feira, depois de um incêndio florestal que começou na tarde anterior ter varrido a aldeia medieval encostada à falésia, no coração da Provença, destruindo quase 60 casas e queimando milhares de hectares em cinco municípios durante a noite.

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O fogo teve início num campo perto da aldeia de Pontevès, na terça-feira, e alastrou rapidamente para norte, impulsionado pelo vento e pela seca, até chegar a Cotignac durante a noite.

Ao nascer do dia, já tinha atravessado os municípios vizinhos, levando à mobilização de mais de 900 bombeiros, com reforços de todo o sul de França, incluindo os bombeiros navais de Marselha.

Ficaram feridas quatro pessoas – dois bombeiros e dois civis. Cerca de 500 residentes foram evacuados nos municípios afetados até ao início da tarde de quarta-feira. Milhares de casas ficaram sem eletricidade, a maioria delas na própria Cotignac.

A aldeia, regularmente distinguida como uma das mais belas de França e cuja população de verão aumenta de cerca de 2 500 para quase 10 000 habitantes, foi a mais atingida.

O Sanctuaire Notre-Dame de Grâces, um local de peregrinação do século XVI construído no sítio onde a Virgem Maria terá aparecido em 1519, e o vizinho mosteiro de Saint-Joseph du Bessillon foram evacuados e ficaram a poucos metros das chamas, mas resistiram.

Moradores observam a aproximação do fumo e do fogo à aldeia de Pontignac, na Provença, sul de França, 21 de julho de 2026
Moradores observam a aproximação do fumo e do fogo à aldeia de Pontignac, na Provença, sul de França, 21 de julho de 2026 Euronews

Para os residentes que passaram a noite em sobressalto, a sobrevivência dependeu de decisões rápidas e, muitas vezes, da ajuda de desconhecidos.

A moradora Lolita Philippon contou como uma familiar idosa esteve perto de ser apanhada pelas chamas na zona de Caillades.

"A minha ex-sogra ficou cercada pelas chamas. Voltou a casa para salvar os gatos e pô-los a salvo. Ficou encurralada pelo fogo quando tentava sair", contou Roubard à Euronews.

"A irmã conseguiu levá-la de volta para o carro. Queriam sair juntas, mas acabaram por ficar presas. Ela entrou em pânico e saiu do carro."

A mulher acabou por se refugiar na piscina do vizinho, acrescentou Roubard.

"Não sei bem como é que conseguiu contactar o filho, que veio resgatá-la e avisou os bombeiros. Ele tirou-a da água, os bombeiros vieram ajudá-la e encaminharam-nos para Le Val", explicou.

Portas abertas a desconhecidos

Com a informação oficial a chegar lentamente aos residentes, foram as redes informais da aldeia que asseguraram grande parte da comunicação durante a noite.

"Fomos todos para o centro da aldeia e vimos o fumo a rolar sobre as colinas, vindo de um enorme incêndio que parecia estar mesmo atrás da aldeia, e não havia muita informação oficial a circular", contou outro residente, John Michael Peck, à Euronews.

"Acabámos por nos juntar em locais que todos conhecemos, onde sabíamos que toda a gente iria estar, e limitámo-nos a trocar informações, porque todos queriam saber o que fazer, quão perto estava o fogo", disse Peck.

"Toda a gente aqui tem um primo ou um amigo que é bombeiro. Por isso, todos tínhamos informação de primeira mão a chegar-nos, boca a boca, e a chegar aos ouvidos de quem precisava de a ouvir."

Incêndio aproxima-se da periferia da aldeia de Pontignac, na Provença, sul de França, 21 de julho de 2026
Incêndio aproxima-se da periferia da aldeia de Pontignac, na Provença, sul de França, 21 de julho de 2026 Euronews

Essa rede comunitária, afirmou, traduziu-se em ajuda concreta.

"Muita gente acabou por abrir as portas a desconhecidos. Quem estava numa zona afetada ou com ordem de evacuação veio para a aldeia, foi encaminhado através da rede de amigos e familiares e acabou bem acolhido", explicou Peck.

"Os padres e as freiras desceram de Notre-Dame, onde as chamas chegavam literalmente às pedras por trás do santuário, no bosque, e conseguiram facilmente encontrar alojamento em casas de desconhecidos."

Segundo Peck, o Lou Calen, um eco-resort com um restaurante distinguido com uma Estrela Verde Michelin, abriu as portas na manhã de quarta-feira e serviu pequeno-almoço a todos os que tinham passado a noite no santuário.

Ele próprio seguiu para casa de um amigo de um amigo, em Salernes. "Apareci com o meu gato, o meu melhor amigo e o bebé dele. Receberam-nos como se fôssemos família."

"Isto é Cotignac", concluiu Peck.

"Estão completamente perdidos"

A destruição deixou algumas famílias sem nada. "Quando cheguei ao trabalho esta manhã, um colega disse-me que os pais tinham perdido completamente a casa por causa do incêndio de ontem à noite em Cotignac", contou à Euronews uma segunda residente, Manon Roubard.

"Tiveram de sair. E, graças a toda a comunidade, Carcès abriu espaços gratuitos para onde as pessoas que tiveram de abandonar as casas podiam ir", referiu.

"Foram para Carcès. E um dos amigos ligou-lhes a dizer para irem lá dormir nessa noite. Senti algum alívio, mas foi muito doloroso para eles."

"Estão completamente perdidos. É muito complicado para pessoas como eles — pessoas mais velhas — que podem perder tudo", disse Roubard.

A localidade de Carcès ativou o plano municipal de emergência comunitária e abriu três estruturas de acolhimento, incluindo um pavilhão gimnodesportivo e a sala do Château, para apoiar os evacuados da zona afetada.

Na manhã de quarta-feira, o incêndio continuava ativo, mas menos agressivo, segundo a autoridade administrativa do Var. A avaliação oficial dos danos em habitações prosseguia.

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